Jets dispensa veteranos e continua momento de reconstrução

9 de junho de 2017
Tags: carlos massari, jets, Notícias do Dia,

Duas notícias sobre o New York Jets movimentaram a semana na NFL: o time não contará em 2017 com o linebacker David Harris e o wide receiver Eric Decker. O primeiro já foi oficialmente cortado, enquanto o segundo foi informado que, caso uma troca não seja feita nos próximos dias, terá o mesmo destino.

Com esses importantes veteranos indo embora, o elenco da equipe nova-iorquina fica ainda mais enfraquecido. Não é à toa que, de acordo com o analista Daniel Jeremiah, um executivo de outra franquia disse que “o roster de 2017 do Jets é o pior da NFL em uma década”.

Mas, afinal, o que realmente significam esses cortes?

Eric Decker é um veterano de sete temporadas na liga, mas que teve problemas com lesões e atuou apenas em três partidas em 2016. Quando em campo, é acima da média, principalmente no slot. Ele tinha mais dois anos de contrato, com cap hit médio de 8,5 milhões. Ou seja, libera um espaço considerável.

O problema é que Decker – caso pudesse jogar – era praticamente o único recebedor confiável do Jets. A função de principal wide receiver do time cairá nos ombros de Quincy Enunwa, que não é exatamente um #1. Por mais que não seja um jogador ruim – de acordo com o ProFootball Focus, foi o melhor da liga recebendo passes longos na última temporada – não tem a consistência necessária para ser o alvo principal de uma equipe.

Depois de Enunwa, as coisas ficam bem mais feias: Robby Anderson, que vem enfrentando problemas legais, Charone Peake, Jalin Marshall e os calouros ArDarius Stewart e Chad Hansen são as opções. Na maioria dos elencos da NFL, eles brigariam por uma vaga no roster. No Jets, brigam pela titularidade.

Esse caos na posição de wide receiver contraria a tese do meu último texto, quando disse que é necessário que Christian Hackenberg seja o quarterback titular. Como é que se pode jogar um atleta que é praticamente calouro na fogueira com um corpo de recebedores desse nível? Já não existe muito talento também entre os signal callers da franquia, imaginem então sem ter alvos confiáveis para lançar a bola.

Do lado defensivo, foi embora o icônico linebacker David Harris. Ele vem de sua décima temporada com o time – que, é verdade, foi a mais fraca: o atleta nunca teve tão poucos tackles e sacks em um ano. Ainda assim, foi (novamente, de acordo com o ProFootball Focus) o trigésimo quinto melhor jogador da posição em 2016, muito acima dos seus substitutos Darron Lee e Demario Davis.

O ponto mais forte de Harris era a cobertura de passes, onde cede em média uma recepção a cada 11,1 snaps – de novo, muito superior a Lee e Davis. Mas se a ideia é reconstrução, deixar um veterano com tantos anos de experiência ir embora até faz um pouco de sentido. Só não faz mais porque ele estava no último ano de contrato e não custava tão caro assim – apenas 6,5 milhões. Tê-lo no elenco poderia ajudar a desenvolver a escolha de primeira rodada de 2016.

Talvez o momento para o New York Jets seja de assumir uma postura de Cleveland Browns – saber que é um elenco fraco, acumular escolhas altas no draft e montar um recomeço com talento jovem. Sobrou muito pouco material de elite na franquia nova-iorquina, e ele está concentrado na linha defensiva com Muhammad Wilkerson, Leonard Williams e Sheldon Richardson. Fora isso, quase tudo o que existe é, no máximo, mediano ou aposta para o futuro, como é o caso de Jamal Adams, que será um grande safety se corresponder às expectativas.

É preciso saber das limitações, do espaço salarial que se abre e que 2017 é um ano perdido. Se o trabalho for bem feito, como aparentemente tem sido no Browns, a volta por cima pode chegar logo. Mas no curto prazo, tudo que o Jets pode fazer é torcer para o vexame não ser dos piores.


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Carlos Massari é o setorista da AFC LESTE. Analisa Patriots, Jets, Bills e Dolphins às quartas e sextas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @massaricarlos