Final do College Football Playoffs 2016/17

9 de janeiro de 2017
Tags: andre oliveira, College Football, mundo college, ncaa,

Chegamos ao ato final da temporada do College Football. Com o período dos Bowls deixado para trás, é a hora da grande final do futebol americano universitário. Na matéria de hoje a cobertura é merecidamente maior. Começando pela história do confronto entre os times, os caminhos da vitória para cada equipe e terminando com o raio-x dos elencos. A partida acontecerá entre #1 Alabama Crimson Tide (14-0) contra #2 Clemson Tigers (13-1), às 23:00, com transmissão da ESPN, no Raymond James Stadium, Tampa (Florida).

HISTÓRICO

Histórico e Trajetória dos finalistas

Dentre os quatro finalistas, não poderíamos ter pedido uma final melhor. Pela segunda vez seguida, Clemson e Alabama vão decidir o título do College Football Playoffs. As duas equipes já se enfrentaram 16 vezes desde 1900, com Crimson Tide vencendo os 13 últimos duelos incluindo a final do ano passado. A última vez que o Tigers venceu o duelo foi em 1905.

Com relação às campanhas, os papéis se inverteram em relação a temporada passada. Dessa vez, a equipe de Nick Saban é quem chega invicta na partida e, com exceção da partida contra Ole Miss, não passou por muito sufoco durante boa parte da temporada. Já Clemson tem apenas uma derrota no ano (vs Pitt), mas passou perto de ter outros resultados negativos após atuações não tão inspiradoras.

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Os dois times foram campeões de suas respectivas conferências, com Crimson Tide vencendo Florida na final da SEC e Clemson derrotando Virginia Tech para vencer a ACC. Nas semifinais do College Football Playoffs, duas vitórias dominantes para os dois lados. Alabama derrotou Washington no Peach Bowl por 24 x 7 e o Tigers passou por cima de Ohio State no Fiesta Bowl, ganhando por 31 x 0.

 

Caminhos para a vitória

Desgaste a defesa adversária – Apesar da derrota do ano passado, o ataque de Clemson teve um ótimo desempenho contra a defesa de Alabama, principalmente Deshaun Watson. Nesse ano, a receita tem que ser a mesma utilizada no duelo anterior. As defesas de Nick Saban tem tido muito trabalho contra os times que utilizam a Spread Offense, sendo o ataque de Clemson um bom exemplo disso.

Se adaptando a realidade da popularização desse modelo ofensivo e do surgimento de quarterbacks cada vez mais atléticos no College Football, Saban tem recrutado defensores mais rápidos e que conseguem marcar melhor em zona. E isso tem surtido efeito, o problema é que, diferente do ano passado, a equipe desta temporada não tem a mesma profundidade no front seven. Em 2015,  Alabama teve 14 jogadores do setor com pelo menos 150 snaps, esse ano, são apenas 9 atletas que alcançaram essa marca durante a temporada. Isso se deve ao fato de Crimson Tide utilizar seus melhores jogadores em uma frequência maior que no ano passado. Contudo, contra um ataque que constantemente usufrui do no-huddle, possui um quarterback com habilidade em estender as jogadas e geralmente acumula um alto número de snaps ofensivos (90 jogadas na final do ano passado), a fadiga defensiva pode ser um problema para a equipe de Nick Saban.

Pressione Jalen Hurts e o mantenha no pocket – Durante boa parte do ano, Jalen Hurts tem jogado como um veterano. Mesmo sendo um calouro, o quarterback tem sido exatamente o que o ataque da equipe precisa: um jogador atlético com a capacidade mover as correntes seja com passes ou corridas. Contudo, demonstrou uma grande fragilidade quando pressionado pelo pass rush adversário. Isso é uma ótima notícia para Clemson, equipe a qual possui o segundo maior número de sacks na temporada (49).

Quando pressionado, Hurts completou apenas 31% dos seus passes e lançou quatro de suas nove interceptações no ano. Se a sua linha ofensiva não faz um bom trabalho, Alabama consegue aliviar um pouco a pressão em cima de seu jovem quarterback fazendo-o correr com a bola. A sua habilidade em transformar “quase sacks” em ganho de jardas já é bem conhecida, por isso é muito importante para o front seven de Clemson tentar manter Hurts dentro do pocket o máximo de tempo possível.

Corra com a bola – Bo Scarbrough finalmente atendeu as expectativas do início da temporada. Nas últimas três partidas, todas contra fortes defesas (Auburn, Florida e Washington), o running back foi responsável por 361 jardas e 4 TDs em 47 tentativas de corrida. Contra uma agressiva linha defensiva como a de Clemson, procurar dar a bola ao físico running back parece ser o melhor caminho para tirar um pouco da pressão de cima de Jalen Hurts.

A linha ofensiva de Alabama tem ganhado a batalha pela linha de scrimmage durante o ano inteiro e dificilmente será totalmente dominada durante todo o confronto. Uma hora ou outra, algum espaço vai aparecer e Scarbrough tem habilidade suficiente para punir qualquer vacilo adversário.

Force o erro do adversário 26 e 12 são dois números que com toda certeza podem significar muito nesse confronto. O primeiro é a quantidade de turnovers ofensivos de Clemson na temporada, número bastante alto. 17 desses são interceptações sofridas por Watson, um número maior do que no ano passado (13). Sem contar a frequência de decisões ruins e bolas forçadas que o jovem quarterback tenta.

O segundo número é a quantidade de touchdowns defensivos de Alabama na temporada. Foram 12 pontuações vindas de nove jogadores diferentes da defesa. Desde Jonathan Allen a Minkah Fitzpatrick, os defensores de Crimson Tide são atléticos suficientes não só para causar turnovers como quebrar tackles e fazer o oponente pagar caro pelo erro.

Jogadores para se Observar

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Raio-X

Quarterback

Vantagem: 

O calouro Jalen Hurts tem feito uma temporada respeitável, mas não há dúvida alguma sobre qual time tem o melhor quarterback. Duas vezes finalistas do Heisman Trophy, Watson teve um fantástico jogo contra Crimson Tide na última final do College Football Playoffs e pode repetir a dose esse ano.

Running backs

Vantagem: 

Com todo respeito a Wayne Gallman, mas Crimson Tide possui um dos melhores grupos de running backs do país. Bo Scarbrough vem jogando em alto nível na reta final da temporada e praticamente amassou a defesa de Washington em apenas 19 tentativas de corrida. Além do segundo anista, Alabama ainda conta com mais dois sólidos RBs em Damien Harris e Joshua Jacobs.

Wide Receivers e Tight Ends

Vantagem: 

Essa disputa é apertada, mas ainda acredito que Clemson possui o melhor grupo de recebedores. Mike Williams e Jordan Leggett são dois dos melhores jogadores em suas respectivas posições. O WR tem habilidade mais do que suficiente para dar trabalho à forte secundária de Crimson Tide, enquanto o TE tem sido um dos principais alvos de Watson durante a temporada e possui uma incomum velocidade para alguém do seu porte físico. Deon Cain, Artavis Scott, Ray Ray McCloud e Hunter Renfrow, o qual jogou muito bem contra Bama no ano passado, são todos sólidos recebedores que aumentam ainda mais o potencial do setor.

Linha Ofensiva

Vantagem: 

O setor não é tão dominante quanto nos últimos anos, mas ainda sim vem fazendo um eficiente trabalho bloqueando para o jogo corrido e protegendo Jalen Hurts. A experiência da linha ofensiva de Alabama ainda é outra vantagem sobre o inexperiente grupo do adversário.

Front seven

Vantagem: 

O front seven do Tigers é um dos melhores do país, mas o de Alabama é sem dúvida um dos melhores dos últimos tempos. Seja pressionando o quarterback adversário ou parando o jogo corrido, o grupo tem exercido sua vontade em cima dos adversários.

Secundária

Vantagem: 

Apesar de contar com jogadores de talento como Cordrea Tankersley e Jadar Johnson, Alabama leva vantagem novamente comparando as duas secundárias. Mesmo sem Eddie Jackson, o grupo de DBs da equipe continua atuando em alto nível, principalmente Marlon Humphrey e Minkah Fitzpatrick.

Time de Especialistas

Vantagem: 

Se você assistiu a final do ano passado, sabe que o valor dos Special Teams não pode ser subestimado e nesse quesito Alabama leva vantagem mais uma vez. Só esse ano são 4 TDs em retornos de punt, melhor marca da FBS ao lado de Texas A&M.

Comissão Técnica

Vantagem: 

Nick Saban é o Head Coach de Alabama, não é necessário justificar quem leva vantagem nesse quesito. Contudo, há um pequeno “asterisco” na comissão de Alabama. Lane Kiffin, que chamava as jogadas ofensivas, saiu do cargo de OC e Steve Sarkisian será o responsável pelo play calling na final. Será a primeira vez que o ex-HC de USC exercerá a função durante a temporada após passar boa parte dela como consultor ofensivo da equipe.

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André Oliveira acompanha NFL desde 2007 e NCAA Football desde 2012. É fã da estratégia e rivalidade envolvida no esporte. Responsável pela cobertura do College Football na coluna Mundo College, todo sábado. No twitter: @AndreO_NFL