sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

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Desde que comecei a acompanhar a NFL com mais afinco alguns anos atrás, passei a me acostumar com a presença de certos jogadores em determinados times, e isso ajudou a criar uma espécie de sintonia própria com as estrelas máximas deste glorioso esporte que aprendi a gostar. O tempo foi passando e fui aprendendo que, mesmo com todo o caráter romântico e de dedicação extrema que tentam nos passar, no final do dia são apenas negócios e os donos e GMs tem que fazer aquilo que é melhor para a manutenção de suas franquias no curto e médio prazo, e que o passado nada muito tem relação com estas decisões afinal, já é passado e não pode ser mudado. Peyton Manning, Adrian Peterson e Andre Johnson são apenas alguns nomes que causaram um natural estranhamento quando pelos mais variados motivos e situações foram dispensados pelos times que fizeram história e optaram por dar prosseguimento em suas carreiras noutras equipes. Mesmo que o caso em questão seja um pouco diferente, é difícil imaginar o Arizona Cardinals alinhando seu ataque sem o camisa #11 cabeludo preocupando coordenadores defensivos adversários.

Uma destas figurinhas carimbadas é o WR Larry Fitzgerald, do Arizona Cardinals. Na equipe desde 2004, quando foi recrutado com a 3ª escolha geral do Draft daquele ano vindo da universidade de Pittsburgh, Fitzgerald construiu uma carreira lendária que com certeza o incluirá no Hall da Fama do esporte ao seu primeiro ano de elegibilidade, o que sinceramente espero que demora bastante afinal, chegará quando completar cinco anos de atleta aposentado da NFL. Havia uma série de especulações acerca de seu futuro, pois completará 35 anos de idade na semana inaugural da próxima temporada, uma idade realmente avançada para qualquer atleta deste esporte de alto risco, contato e rendimento. Soma-se à isso as ausências do HC Bruce Arians e do Quarterback Carson Palmer, que se aposentaram nos primeiros dias de 2018 e que com certeza farão muita falta ao combalido elenco que encerrou uma temporada que ficaram no 50% de aproveitamento (8-8).

Fitzgerald vem simplesmente de uma sequencia de três temporadas consecutivas com 100 ou mais recepções e 1100 jardas de recepção, sendo que em 2017, suas 109 recepções empataram com a melhor marca de sua gloriosa carreira construída pela equipe do deserto. Mas sem Arians e Palmer, havia uma certa preocupação se Fitzgerald estaria motivado para retornar a sua 13ª temporada como profissional em um time com ataque totalmente reformulado, a começar pela figura do QB e a mente brilhante trabalhando por trás da montagem do plano de jogo tão bem sucedido para o atleta nesta altura da carreira.

Steve Wilks, treinador de 48 anos que pela primeira vez assume o principal cargo dentro da comissão técnica após um ótimo trabalho como coordenador ofensivo do Carolina Panthers não escondeu a felicidade em contar com o veterano na temporada de 2018: “Estou muito animado. Ele é um jogador que irá para o Hall da Fama no primeiro ano. Não poderia estar mais animado em ter Larry conosco no que vem…ele não é apenas um pilar para a comunidade mas sim para a NFL no geral. O que ele representa, dentro e fora do campo, é fenomenal.”

Para Wilks, técnico calouro que é especialista em construir boas defesas dentro da NFL, ter a figura de FItzgerald dentro do vestiário é crucial para as aspirações do time na temporada que se iniciar. Além do WR, retornarão para o time Kevin Garner, técnico de WRs e Byron Leftwich, técnico de QBs que atuou como atleta na NFL por Pittsburgh Steelers e pelo próprio Arizona Cardinals além da chegada de Mike McCoy, que deve ter total liberdade para montar o esquema de jogo ofensivo da equipe. Contudo, só a presença de Fitz já não garante o sucesso da unidade ofensiva do Cardinals em 2018. Para começar, o time não tem nenhum Quarterback sob contrato para a próxima temporada pois além da aposentaria de Palmer, Blaine Gabbert e Drew Stanton, que alternaram a titularidade durante a última campanha, ficarão sem contrato ao novo novo da NFL no mês que vem, e é aí que mora o perigo.

Todos estarão de olho nos trabalhos de Leftwich e McCoy, em particular. A classe de QBs que ficará disponível para negociar com outras equipes poderá reunir nomes como Case Keenum, Teddy Bridgewater, Sam Bradford, AJ McCarron e Kirk Cousins. Sem falar no Draft, em que presos na metade do Draft com a 15ª escolha geral, podem aproveitar a ótima classe de calouros desta posição e ainda assim conseguir um atleta de impacto nesta altura ou ainda trabalhar numa troca para subir de posição e conseguir o QB do futuro ou quem sabe prepará-lo para começar a temporada de calouro como titular, baseando o plano de jogo do jovem atleta em um jogador já estabelecido como um dos melhores e mais produtivos da história.

Já para McCoy, especialmente (que assume o cargo de coordenador ofensivo), o trabalho será um pouco mais complicado. Além claro de lidar com a indefinição na posição de QB, terá que analisar e copiar o esquema de jogo aplicado por Arians, que transformou um WR que aparentava sinais de decadência em um dos melhores recebedores de todos os tempos nas estatísticas afinal, com mais 390 jardas de recepção Fitzgerald ultrapassará Steve Smith Sr. e se tornará o segundo jogador nesta lista, atrás apenas de Jerry Rice. Arians transformou Fitzgerald num excepcional WR atuando no slot, a parte suja do campo, entre os LBs e a secundária, aproveitando-se dele e sua capacidade em recepções curtas e médias além do incrível trabalho de bloqueios do atleta, um dos melhores de sua posição no quesito.

Fitz é um atleta de elite, acostumado com o mais alto padrão de rendimento dentro deste esporte, talvez por isso, ele tenha preparado corpo e mente para continuar neste padrão pelo maior número de anos possível dentro da curta carreira que a grande maioria das pessoas constroem na NFL atualmente. Atletas acostumados com a grandeza talvez sejam os últimos a admitirem que seu corpo já não é mais o mesmo, porém enquanto isto não acontece, é uma alegria podermos ver uma figura tão importante para o Cardinals ao mesmo tempo que é muito humilde, pois ele passa toda a intertemporada viajando pelos países mais pobres do mundo e registra todas as aventuras em seu próprio site para todos verem.

Ainda assim há muito que ser feito antes que o time possa dizer que competirá com os favoritos da divisão em 2018, mas com toda a certeza o primeiro passo foi dado. Ao poder contar com Fitzgerald, o time pode abraçar uma nova era contando com um dos melhores recebedores de todas as outras eras, o que realmente é algo animador principalmente caso se voltarem à um QB novato para começar este novo tempo pelos lados de Phoenix, no Arizona.


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1 comentário

  1. Mais uma matéria, poderia dizer, uma análise muito bem feita! Larry foi um dos motivos que levaram-me a torcer p/ os Cardinals. @MarcoAntonioSR3

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