segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

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A temporada do New Orleans Saints em 2017 foi de certo modo atípica para o que nos acostumamos a ver nos últimos anos. Mesmo contando com o Quarterback Drew Brees, dono de cinco das nove temporadas da história da NFL em que um QB passou para mais de 5000 jardas durante os 16 jogos anuais, vimos a equipe da Louisiana vencendo jogos apoiado em uma defesa oportunista e um monstro de duas cabeças na posição de RB, com o veterano e estabelecido Mark Ingram e o novato sensação Alvin Kamara.

Na trilogia contra o Carolina Panthers em 2017, o talento deste time em defender contra o jogo terrestre equiparou as ações do Saints e a montagem do plano de jogo, já que o Panthers encheu os dois primeiros níveis da defesa e atuou apenas com um Safety na última porção do campo em praticamente todas as jogadas. A poucos dias de completar 39 anos de idade, Drew Brees completou 23 de 33 passes para 376 jardas e dois TDs na vitória por 31 x 26 sobre seu rival, a primeira nesta fase da temporada atuando no Superdome em seis anos. Em outras palavras, o Quarterback mais prolífico da história da NFL no quesito jardas teve uma atuação vintage quando o Saints mais precisou. Era como se Ron Rivera e o Panthers falassem o seguinte: “Ei Brees, lhe desafio a nos vencer três vezes em uma única temporada, vamos encher o box e deixar apenas um jogador em profundidade. Sem seu jogo corrido, a partida estará em seus ombros.”

Sinceramente, não há ombros melhores que os do camisa 9 do Saints no alto de seus 1,80m que serão imortalizados no Hall da Fama do esporte no primeiro ano de elegibilidade. Foram 230 jardas aéreas em apenas treze passes no primeiro tempo, incluindo um TD de 80 jardas para o WR Ted Ginn Jr (ex-jogador do Panthers aliás) em que Ginn não era a primeira opção de passe, mas o fato de ter apenas um jogador na cobertura tornou fácil a escolha de Brees naquela situação, confiando em um dos jogadores mais rápidos de toda a NFL. Seu leque de recebedores incluem quatro passes para Brandon Coleman e três para Josh Hill, nomes pouco acionados durante a temporada regular mas que também subiram seu nível de atuação na época mais crucial da temporada. O trio foi responsável por 11 recepções, 210 jardas e todos os TDs aéreos da equipe dentro da partida.

Com os playoffs de divisão definidos, o Saints tem a clara vantagem na posição mais importante entre todos os quatro times restantes da NFC. Brees, o único a ter vencido um Super Bowl e um verdadeiro “gunslinger”, algo traduzido para “pistoleiro”, capaz de desmontar defesas adversárias e atacar todas as fraquezas dela. O Atlanta Falcons tem Matt Ryan, buscando redenção pelo colapso monumental contra o Patriots no Super Bowl LI. O Minnesota Vikings tem Case Keenum, que embora tenha tido uma temporada das mais legais de se acompanhar, começou o ano como o 3º Quarterback da equipe. O Eagles tem Nick Foles, que após mágica temporada em que passou para 28 TDs contra apenas duas interceptações não fez praticamente nada na NFL e foi jogado à titularidade com a lesão do titular e possível MVP Carson Wentz.

Alguns podem dizer que a conversa é simplificada, que é preciso mais que um Quarterback digno de Hall da Fama para vencer o Super Bowl, mas será mesmo com base no que vimos nos últimos anos? De 2008 pra cá, além de Brees, a lista dos QBs a terem vencido o Super Bowl incluem Tom Brady, Peyton Manning, Aaron Rodgers, Ben Roethlisberger e Eli Manning. É seguro afirmar que todos eles estarão no Hall da Fama se não no primeiro ano, com uma certa dose de paciência. As exceções são Russell Wilson e Joe Flacco que com seus méritos também foram capazes de alcançar a glória máxima do esporte, mas que ainda não possuem o currículo para a imortalidade. Se a história se repetir, podemos dizer que este Saints de 2017 está predestinado à reescrever o livro dos recordes. Tamanho nível de confiança e atuação leva a torcida e jogadores a se perguntarem “porque não nós?”

Particularmente, não consigo responder esta pergunta. Após ser obrigado a abandonar o ataque balanceado que marcou a campanha em 2017, vimos aquele Drew Brees completando praticamente 70% dos passes e carregando um time sem defesa ao recorde de 7-9 como o visto nas últimas temporadas.  “Venho dizendo isso o ano todo, não se esqueçam do Drew. Se você irá encher o box para parar o jogo terrestre e nos tirar de campo, então ele irá machucar vocês. Nós estamos dizendo que as defesas lidam com o melhor Quarterback da NFL. Ele ainda é Drew Brees.” Disse um eufórico Mark Ingram nas entrevistas pós-jogo na vitória dentro do Dome em New Orleans.

Pareceu tudo parte de um plano mágico arquitetado pelo HC Sean Payton. De “resguardar” seu pistoleiro para a época mais importante da temporada, afinal, apesar de tudo ele já tem 38 anos de idade o colocando em segundo plano na montagem semanal do esquema de jogo ofensivo. Em uma liga que começa e termina com o Tom Brady e seus cinco anéis como o grande QB da história, Drew Brees reúne argumentos para ao menos uma discussão. Ele não criou nenhuma dinastia é verdade, nem venceu algum título de MVP ou contou com um dos melhores HCs da história para isso, mas o desempenho na rodada de Wild Card levantou sobrancelhas de todos e causou suspiros nos mais saudosistas. Ele ainda é capaz de elevar o nível de seus companheiros, é capaz de carregar um time nos ombros e mais que capaz de vencer a NFC nesta temporada e representar a conferência no Super Bowl 52 no primeiro domingo de Fevereiro.

Para Brees e o Saints, os próximos jogos podem ser definidos como um tour pela redenção e cruciais para elevar o status do lendário QB a um dos melhores da história. O tour, caso obtenha sucesso obviamente, possivelmente reunirá confrontos contra três dos cinco times capazes de vencer o Saints em 2017, embora em diferentes estágios da temporada é verdade. Nos playoffs de divisão o time reencontrará o Minnesota Vikings e em caso de vitória, o time poderá enfrentar o Atlanta Falcons no jogo válido pelo título da NFC. No melhor cenário possível, o título da conferência levará o time até o Super Bowl contra Tom Brady e o New England Patriots, colocando frente a frente dois atletas icônicos dentro da rica história da NFL para aquele que pode ser o último embate entre eles. Já imaginou uma vitória do Saints contra o Patriots no Super Bowl? Brees poderá se gabar de ser o único QB a vencer Peyton Manning e Tom Brady no principal jogo da temporada, para mim, um belo argumento para lhe colocar na discussão para os melhores da história.

A atmosfera dentro do Superdome estava mágica. Diversos jogadores da campanha vitoriosa em 2009 estavam presentes, incluindo Reggie Bush e Marques Colston, que por anos foram os principais companheiros de Drew Brees no ataque do Saints e foram responsáveis por animar a torcida em diversos momentos dentro da partida. Falando nela, por sua vez, empunhava e balançava flanelas brancas em homenagem ao desempenho da equipe na partida e temporada. Nas TVs gigantes próximas à end zone havia o tradicional escrito “dome sweet dome”, tudo para nos fazer lembrar o quão perigoso é este time dentro de seu estádio e, se o cenário descrito um pouco acima se confirmar, o reencontro contra o Atlanta Falcons seria na casa do Saints, e eu sinceramente mal poderia esperar por isso.

Foi tudo como nos velhos tempos, com o Saints vencendo um jogo de playoff em casa, com seu QB imortal desmantelando outra bela defesa quando seu time mais precisou e abrindo espaço para a classificação aos playoffs de divisão.


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