segunda-feira, 20 de novembro de 2017

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Podemos dizer muito sobre o Denver Broncos de 2017 estacionado com três vitórias e sete derrotas nesta altura da temporada regular. O técnico principal, inexperiente no cargo, não entende os jogadores e não extrai o melhor deles, o esquema desenhado tanto no ataque quanto na defesa claramente não funciona e a classe da equipe no Draft, que poderia representar a infusão de jovialidade e talento na equipe não tem correspondido às expectativas criadas para si. O resultado é que o Broncos, outrora firme candidato à classificação para os playoffs em 2017 se vê num cenário em que não há nenhuma margem para erro até o final da temporada.

O time não está matematicamente eliminado da contenção, mas nesta altura, é utópico imaginá-lo brigando por algo a mais na temporada. A última derrota para o Cincinnati Bengals em Denver (o que não acontecia desde 1975) foi o punhal nas esperanças de atuar em Janeiro durante os playoffs e agora a equipe já não figura na briga por muita coisa em 2017. Talvez a grande esperança do time a curto prazo seja um jogador que muitas vezes fica esquecido no banco de reservas, mas que pode simbolizar uma mudança de rumo para esta atual base de jogadores: Paxton Lynch.

Nas duas últimas temporadas, Lynch entrou no training camp como o favorito para vencer a batalha pela titularidade assumir as rédeas de condução do time. Quando foi recrutado, era esperado que ele fizesse a rápida transição do estilo de jogo universitário para o profissional, coisa que todo jovem QB que se profissionaliza precisa passar, mas não foi o que exatamente aconteceu: Siemian foi o titular em 2016 e o time sacrificou a evolução de seu jovem diamante para buscar vitórias a curto prazo com o outro atleta. Com uma defesa estelar e jogadores de impacto nas posições de habilidade do ataque, Siemian conduziu o time a nove vitórias na última temporada e apesar do recorde positivo (que não foi suficiente para uma classificação aos playoffs), havia mais perguntas que respostas na unidade ofensiva do Broncos.

Isto pois em 2016 Siemian não era o único problema do ataque, mas era claro afirmar que ele também não seria a solução. Problemas com drops dos recebedores, falta de talento na linha ofensiva e a ausência de um jogo corrido sem CJ Anderson também colaboraram para a temporada mediana dele no ano passado. Mas aí veio 2017 e a esperança que uma linha ofensiva remodelada, uma nova comissão técnica e mais um ano de experiência entre os profissionais tivessem sido suficientes para inserir Lynch entre os titulares, porém não foi isso que aconteceu.

Siemian venceu a batalha pela titularidade quando Lynch machucou o ombro no terceiro jogo da pré-temporada, mas o desempenho trágico dele contra o Buffalo Bills algumas semanas atrás começou um movimento pela retirada do veterano QB do cargo de titular e a sequencia de derrotas para o Giants (então sem nenhuma vitória), Chargers e Chiefs representou a gota d’água da situação e Siemian foi para o banco. Era hora da mudança, porém Lynch ainda não estava 100% recuperado e o Broncos, sem opção, se rendeu a Brock Osweiler para o cargo.

No pouco tempo como titular, Osweiler continuou no ritmo das atuações ruins de QBs do Broncos e mesmo que tenha movido um pouco melhor a bola, a ineficiência na red zone e as interceptações lançadas em todas as partidas não animavam muito um ataque que estatisticamente é um dos piores de toda a NFL.

Com seis jogos à fazer e muitas dúvidas sobre Lynch, a hora de se comprometer com o jovem QB é agora. Digo, não faz nenhum sentindo colocar Siemian ou Osweiler nesta altura com Lynch aparentemente saudável. O agora coordenador ofensivo Bill Musgrave foi contratado com o intuito de ajudar o jovem a atingir um patamar aceitável de atuação, e esta parte final da temporada pode servir como um termômetro que guiará o Broncos em 2018. Com isso em mente, há dois cenários hipotéticos:

  1. Melhor cenário possível: Lynch dá esperanças que pode ser o QB da franquia à longo prazo. Usando seu incomum atleticismo e ótima capacidade de improvisar e estender jogadas usando as pernas, a comissão técnica monta um plano de jogo que explore este potencial, com formações no shotgun que não apenas aclimatarão seu QB ao estilo da NFL, mas que também poderá ser a diferença de atuação dele no pouco tempo de jogo que teve agora;
  2. Pior cenário possível: Lynch falha miseravelmente no cargo de titular. Neste cenário, a situação no Broncos continuará a mesma: o time perderá jogos. A diferença é que nesta situação a equipe saberá que Lynch não é a resposta para a posição (o que ninguém sabe até agora) e poderá decidir confortavelmente durante a inter-temporada se dará mais uma chance ao atleta ou se olhará para a estelar classe de QBs que irá para o Draft. Com uma escolha privilegiada, a franquia pode escolher o próximo QB no ano que vem e dispensar Lynch

De qualquer maneira, serão tempos difíceis para a equipe do Colorado. A outrora dominante defesa já dá sinais de declínio e terá muito trabalho para voltar ao nível absurdo de atuação de algum tempo atrás, o que também não é garantido. Sendo assim, cabe ao ataque encontrar as peças ideias para combinar entre si e recolocar o Broncos no caminho das vitórias e classificações aos playoffs, situações comuns para a franquia nos últimos anos.

O primeiro passo é definir quem será o QB para liderar o time em 2018. Com a certeza que Siemian e principalmente Osweiler não são a resposta, estes seis jogos devem ser uma espécie de vestibular para Lynch provar que não foi recrutado na primeira rodada do Draft por um erro da alta direção, mas sim pois representa a salvação do time para o curto, médio e longo prazo na posição. Por isso, defendo o título desta coluna: é hora de Paxton Lynch.


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