Duplas históricas – Joe Montana e Jerry Rice

23 de maio de 2017
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A liga e a historia - L32
Joseph Clifford “Joe” Montana Jr. nasceu em New Eagle, Pennsylvania, em 1956. Na infância, seu esporte favorito era o basquete, apesar de também praticar futebol americano e beisebol. Quando tinha 10 anos, Montana já conseguia lançar uma bola a 55 jardas, o que era impressionante para uma criança que, no futuro, viria a se tornar um dos jogadores que mais venceu na NFL e que muitos consideram o maior jogador de todos os tempos na sua posição. Ele foi apenas o quarto QB selecionado no Draft de 1979 (82ª escolha)- Jack Thompson, Phil Simms e Steve Fuller, todos na primeira rodada, foram os outros.  Foi titular em um só jogo no seu primeiro ano, conquistando mais oportunidades somente em sua segunda temporada.

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Jerry Lee Rice nasceu em Starkville, Mississippi, em 1962. Quando criança corria mais de 8 km por dia atrás de cavalos na região onde morava e costumava ajudar seu pai – que era pedreiro – pegando os tijolos que lhes eram arremessados com uma habilidade incrível e sem deixar nenhum cair no chão. Sem dúvidas, a facilidade do menino Rice em agarrar bem com as mãos começou a ser desenvolvida nesse momento. De acordo com o livro “Rice”, o diretor de sua antiga escola o flagrou “matando” aula, então o garoto correu para não ser pego. Impressionado com sua velocidade, o homem disse que o Rice tinha duas opções: jogar futebol americano no colégio ou ser punido, e podemos dizer que a história do esporte é grata pela escolha do garoto. Considerado o melhor e maior jogador da história da NFL, Jerry Rice foi escolhido na primeira rodada (16ª escolha) do Draft de 1985. Sua primeira temporada começou lenta, iniciando como titular em apenas quatro jogos.

rice e montana

Joe Montana começou antes na NFL e ganhou o Super Bowl XVI logo em sua 3ª temporada na equipe de San Francisco, sendo escolhido o MVP da grande final. Enquanto Rice, apenas em seu segundo ano, teve uma temporada dos sonhos, quando atingiu mais de 1.500 jardas recebidas, mostrando que tinha chegado para ficar na NFL.

A química entre Joe Montana e Jerry Rice era incrível. O QB tinha uma precisão fantástica, movia-se muito bem no pocket, contava com um braço forte e era um cara bem tranquilo, qualidade sempre ressaltada por seus companheiros. Jerry Rice tinha mãos espetaculares, era forte, muito rápido e preciso como ninguém nas rotas, quase impossível de ser marcado. O próprio Montana declarou que Jerry Rice “era um daqueles caras muito meticulosos sobre como correr bem as rotas e isso torna a vida de um QB muito mais fácil e a do defensor muito mais difícil”. Eles mostravam que eram melhores juntos, Montana fazia Rice melhor e vice-versa. “Você sabia o que ia acontecer, o outro time sabia, todo mundo sabia o que ia acontecer, mas ninguém conseguia pará-los”, comentou Paul McCaffrey, da KNBR Sports Radio de San Francisco.

Em temporada regular, Joe Montana teve números de impressionar: 40.551 jardas aéreas, 273 TDs, 117 vitórias e 47 derrotas. Porém, era nos minutos finais que o jogador mais se destacava e conseguia ganhar vários jogos nos últimos segundos, mostrando toda a calma e confiança que tinha nas situações mais cruciais das partidas. Na pós-temporada em 11 ocasiões – nove pelo 49ers e duas pelo Chiefs -, foram 45 TDs e apenas 21 INTs. Joe Montana tem quatro títulos de Super Bowls em sua carreira e foi MVP do grande jogo três vezes, além disso possui números que, talvez, nenhum outro jogador irá conseguir igualar: 1.142 jardas, 11 TDs e 0 INT nos quatro jogos que atuou, estatísticas absolutamente espetaculares.

Jerry Rice, “o maior de todos”, tem como números em toda a carreira 1.549 recepções, 22.895 jardas recebidas e 197 TDs – todos recordes absolutos – jogando pelo 49ers, Raiders e Seahawks. Era um cara muito sério, que trabalhava demais e toda a sua dedicação lhe rendeu tantas conquistas. Terrell Owens, lendário WR e companheiro de time na época em que entrou na NFL, falou sobre Jerry Rice quando corriam juntos: “Eu sou muito competitivo, mas tive que parar em algum momento, minhas costas estavam me matando e ele não brinca, o cara é uma besta”.

San Francisco 49ers quarterback Joe Montana (16) and wide receiver Jerry Rice (80) wait to take the field during an NFL game against the Los Angeles Raiders, Sunday, Nov. 13, 1988 in San Francisco. The Raiders won the game, 9 to 3. (AP Photo/Greg Trott)

O maior rival da carreira de Jerry Rice foi o CB Deion Sanders, considerado um dos melhores de sua posição em toda a história, um cara totalmente diferente do jeito de ser de Rice, muito mais extrovertido e brincalhão. Sanders levou a melhor duas vezes com o Cowboys em finais de conferência, até se transferir para San Francisco. Mesmo sem ter a melhor relação do mundo, os dois ganharam juntos o que seria o último Super Bowl da carreira de Jerry Rice. Foram 33 recepções, 589 jardas e 8 TDs em quatro jogos decisivos, onde ganhou três e perdeu com o Raiders em 2002.

A dupla produziu 55 TDs nas cinco temporadas que jogaram juntos pelo San Franciso 49ers, respeitavam-se e juntos foram os principais responsáveis por construir uma grande dinastia do 49ers na década de 1980. Como já falamos, Jerry Rice é considerado pela grande maioria como o maior jogador de todos os tempos na NFL. Há discussão se Joe Montana é o maior QB da história, contudo, não se tem dúvidas sobre quem foi o jogador que melhor atuou em Super Bowls. Quando o jogo pedia, ninguém crescia como Joe Montana e ninguém era tão seguro como Jerry Rice.

Quem realmente gosta do esporte, conhece a história do San Francisco 49ers e a importância que a dupla citada tem nela. É impossível falar da NFL sem, ao menos, mencionar um desses dois fenômenos. Se você pretende apresentar o futebol americano para alguém, assistir a alguns melhores momentos da dupla Montana-Rice é uma excelente estratégia para tornar o esporte ainda mais apaixonante.

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Marcos Filho é co-criador da Liga dos 32 e acompanha a NFL desde 2006. Escreve uma coluna por semana no site, a “Guia da Rodada”, disponível às sextas para mostrar o que tem de bom e de ruim nas partidas da rodada. Na offseason, aborda temas gerais. Twitter: @marcosfilho_20