Draft 2017: Top 5 por Posição – Defesa

24 de abril de 2017
Tags: draft 2017, João Gabriel Gelli, Matéria,

O Draft é o ápice da intertemporada da NFL. Em um período de muitas notícias que funcionam como cortinas de fumaça por parte dos times e o otimismo impera entre os fãs, o Draft representa o investimento de uma franquia em seu futuro, tanto no curto quanto no longo prazo. Assim, é natural que os torcedores fiquem ansiosos para conhecer os novos jogadores que defenderão seu time.

Como um preparativo para o Draft, analisarei aqui os principais prospectos que tentarão a fama na NFL a partir da próxima temporada. Para isso, utilizei os vídeos das partidas dos atletas disponibilizados pelo site Draft Breakdown. Nesta semana, cobrirei os cinco melhores jogadores na minha opinião pessoal em cada posição da defesa. Caso não tenha conferido o texto sobre o ataque publicado na última segunda-feira, leia aqui. Quando o Draft estiver mais próximo, será publicado um ranking completo Liga dos 32 em forma de top 100 e que não está vinculado a esta matéria.

Enfim, sem mais delongas, vamos aos rankings.

Defensive Tackles

1 – Jonathan Allen (Alabama)

Muito técnico em todos os aspectos, Allen tem habilidade comprovada jogando tanto como DT quanto como DE. Excelente pressionando o QB adversário, apresenta um primeiro passo muito rápido e é capaz de se desvencilhar de bloqueadores com um sólido trabalho com as mãos. No entanto, tem dimensões um pouco pequenas para a NFL, o que pode lhe prejudicar no exterior contra tackles que saibam usar a extensão de seus braços ou contra bloqueadores mais físicos, que podem dominá-lo com a força física. Para limitar este problema, realiza rápidos diagnósticos das jogadas para decidir o que fazer. Outro ponto de preocupação é o fato de rumores correrem de que seus ombros têm sérios problemas e que uma grave lesão pode ocorrer a qualquer momento. Apesar disso, Allen é inegavelmente talentoso, com seus fundamentos básicos muito bem definidos e atleticismo o suficiente para competir em alto nível na NFL.

2 – Malik McDowell (Michigan State)

Com um ótimo perfil atlético, McDowell tem braços longos e é muito alto. Além disso, é bastante explosivo e tem ótima movimentação lateral. Bom na realização dos stunts, consegue dominar oponentes fisicamente. Contudo, tem um longo caminho a percorrer tecnicamente, podendo usar melhor as mãos e o trabalho de pernas para ultrapassar e controlar os bloqueadores. A maior crítica que recebe é o fato de não se esforçar ao máximo, se frustrando com facilidade e desistindo de jogadas rapidamente. Este é um grande ponto negativo, mas se conseguir trabalhar em cima dele, tem tudo para se tornar um jogador de elite, com bom potencial tanto contra o jogo corrido quanto pressionando quarterbacks.

3 – Chris Wormley (Michigan)

Atuando majoritariamente como DE em Michigan, Wormley é projetado para fazer a transição rumo ao interior da linha na NFL, na qual será um especialista em pressionar o QB. Apesar de ter um bom tempo de reação, não é o jogador mais explosivo. Com ótimas dimensões e movimentação inesperada para alguém de seu tamanho, consegue realizar jogadas impressionantes em alguns momentos, mas não o faz com a regularidade desejada. Provavelmente pode adicionar um pouco de massa muscular, o que deve deixá-lo ainda mais perigoso fisicamente. Isto combinado ao treinamento no nível profissional pode torná-lo um atleta muito interessante, mas, por enquanto, se trata mais de uma peça de rotação, com potencial para exercer um papel híbrido de DT e DE dependendo da situação.

4 – Dalvin Tomlinson (Alabama)

Com tanto talento ao seu redor, Tomlinson passou por baixo do radar. Outro fator que contribuiu para isto foi fazer parte de uma rotação profunda, o que limitou seu número de snaps. Como atleta, deixa a desejar, mas possui um porte físico adequado para a função na NFL. Muito forte contra a corrida, consegue identificar jogadas e tomar decisões rapidamente. Sempre busca a bola, nunca desistindo de perseguir os adversários ao longo do campo. Como pass rusher ainda deixa a desejar, sem nenhuma técnica muito desenvolvida e com agilidade baixa, o que lhe torna dependente de esquema e falhas nos bloqueios para incomodar.

5 – Carlos Watkins (Clemson)

Vindo de um esquema que exige a capacidade de se movimentar para realizar stunts, Watkins é um jogador atlético, com mãos e braços enormes para o padrão da posição. Jogador sólido no geral, consegue dividir marcações duplas e encontrar o quarterback. No jogo corrido, tem algumas dificuldades contra bloqueadores mais físicos, com incapacidade de se separar. Pode ser uma ótima peça para uma rotação, podendo providenciar snaps de qualidade, com a possibilidade de invadir o time titular.

Edge Rushers

1 – Myles Garrett (Texas A&M)

Atleta de elite, Garrett é forte, explosivo, rápido e ágil. Como se não bastasse, ainda tem as dimensões ideais para a posição, sendo um espécime raro no aspecto físico. No campo, foi muito produtivo ao longo de sua carreira na universidade, com 31 sacks. No jogo corrido é capaz de estabelecer as laterais e de aproveitar brechas para forçar tackles para perda de jardas. No entanto, sua força está no pass rush, com a aceleração, mudança de direção e primeiro passo na velocidade da luz fazendo com que tenha vantagem contra a maior parte dos bloqueadores. Para se tornar um dos melhores da NFL, precisa melhorar o trabalho que faz com as mãos pra se livrar dos bloqueios, tentar desenvolver um melhor senso de quando usar cada tipo de movimento para pressionar o quarterback e oferecer um esforço mais consistente ao longo de toda a jogada.

2 – Solomon Thomas (Stanford)

Excelente atleta, Thomas teve uma ótima carreira em Stanford. Jogador muito versátil, pode atuar no interior ou exterior da linha defensiva graças ao seu primeiro passo muito veloz e à capacidade de ler os gaps no jogo corrido. Outro fator que pula da tela ao analisá-lo é seu esforço quase incansável, perseguindo as jogadas até o final. Seu maior problema provavelmente é o tamanho, que é um tanto abaixo do esperado para atuar nas trincheiras. Contudo, sua combinação de força, bom patamar técnico, incrível ética de trabalho e desempenho atlético deve fazê-lo superar algumas adversidades e se tornar uma estrela na NFL.

3 – Charles Harris (Missouri)

Apesar do seu teste no Combine não ter apresentado bons resultados, Harris aparenta ser um bom atleta em campo. Ele mostrou uma saída veloz no snap e exibiu a valiosa habilidade de conseguir responder às ações dos bloqueadores para chegar ao quarterback no segundo esforço. Nunca desiste da jogada até que ela esteja encerrada. Sólido contra a corrida, sabe exercer o seu papel, mas é um tanto passivo. Pode melhorar no uso da mãos, mas já é consideravelmente forte na maior parte dos movimentos de pass rush, principalmente no spin.

4 – TJ Watt (Wisconsin)

Watt começou sua carreira universitária como TE e, depois de algumas lesões, decidiu mudar para OLB. Com duas temporadas atuando na posição e apenas uma como titular, ainda é muito cru. Contudo, seu potencial é muito elevado graças ao enorme atleticismo e o ótimo trabalho com as mãos. Além disso, ele é capaz de ser útil contra o jogo corrido. Para evoluir ainda mais, necessita ampliar seu arsenal de movimentos e encorpar um pouco. Seu nível atual já o coloca como um provável titular na NFL, mas seu teto é de um All-Pro.

5 – Derek Barnett (Tennessee)

Apesar de possuir um tamanho ideal para a posição e ser um encaixe para jogar tanto como DE quanto como OLB, Barnett não exibe o atleticismo esperado para a NFL. Extremamente produtivo, quebrou o recorde de sacks da história da universidade, com 33. Joga de maneira física e usa as mãos de forma excelente para se desvencilhar dos bloqueadores. Sua movimentação pode melhorar, sobretudo na mudança de direção. Compensa os defeitos com boa leitura de jogadas e esforço máximo em todos os snaps. Sempre tenta causar o maior ano possível nos tackles.

Linebackers

1 – Reuben Foster (Alabama)

Um linebacker completo, Foster patrulha o meio do campo com autoridade ímpar, distribuindo pancadas de estalar os ossos. Muito agressivo, constantemente se encontra no backfield ao diagnosticar rapidamente os buracos na linha ofensiva e avançar. Normalmente é preciso nos tackles, mas a agressividade leva a alguns erros de cálculo que abrem espaços para avanços mais agudos. Além disso, sua explosão o torna eficiente em blitzes e consegue se virar na cobertura contra tight ends e running backs. Líder de uma defesa complexa em Alabama, sua inteligência em campo é aplaudida. Alguns pontos que pesam contra ele são seus ombros, que aparentemente não se recuperaram da maneira ideal de uma cirurgia e podem levá-lo a perder parte da temporada, caso precise refazer o procedimento, e o fato de ter sido expulso do Combine após discutir com médicos do hospital do evento. Para piorar, ainda caiu em um exame antidoping.

2 – Tyus Bowser (Houston)

Tendo dividido sua atenção entre o futebol americano e o basquete nos dois primeiros anos na universidade, Bowser passou a focar exclusivamente no primeiro há pouco tempo. Este fator, combinado ao espetacular atleticismo, o leva a ser um jogador de potencial muito elevado. Apesar de ainda ter muito espaço para evoluir no jogo corrido, já é um marcador de alto nível, capaz de acompanhar TEs e RBs passo a passo sem deixar muitas brechas. Como pass rusher, se baseia mais no talento atlético para chegar ao quarterback, podendo adicionar mais movimentos ao seu arsenal. Outro aspecto que pode acrescentar em seu jogo é um pouco mais de força física para lidar com bloqueadores no meio do campo. No mais, se trata de um dos linebackers mais promissores da classe.

3 – Haason Reddick (Temple)

Pequeno para atuar como DE na NFL, Reddick é muito explosivo e atlético, o que levará a uma provável mudança para linebacker como profissional. Uma das maiores dúvidas a seu respeito é sobre sua habilidade na cobertura, mas estas foram sanadas em parte durante os treinos do Senior Bowl. Com um período pré-Draft muito bom, se consolidou como um dos melhores prospectos da posição. Por ser muito versátil, é um talento interessante e capaz de alternar entre as funções entre as funções de pass rusher e na cobertura, podendo apenas adicionar força física.

4 – Raekwon McMillan (Ohio State)

Um dos líderes da forte defesa de Ohio State, McMillan mostra ótimos instintos e é um tackleador certeiro. No entanto, seu estilo acaba sendo agressivo demais e muitas vezes faz com que pegue ângulos equivocados e seja anulado das jogadas. Sabe exercer a função de marcador em situações de zona, mas tem dificuldades quando precisa cobrir mano a mano. Jogador sólido e confiável, deve se tornar uma figura carimbada no meio de alguma defesa da NFL em algum tempo.

5 – Jarrad Davis (Florida)

Davis é um linebacker muito físico, que atua com violência, buscando infligir danos aos adversários. Não é dos melhores na cobertura, mas é seu atleticismo indica que há espaços para melhorias. Além disso, sua liderança e ética de trabalho são muito elogiadas. Às vezes, se perde no meio do tráfego no meio do campo e é controlado por bloqueadores. Sua saúde deve ser monitorada, muito por conta das fortes colisões que sofre ao tacklear, e também por causa de problemas anteriores.

Cornerbacks

1 – Marshon Lattimore (Ohio State)

Atleta excepcional, Lattimore tem o porte físico, a aceleração, a velocidade e a agilidade desejadas em um cornerback na NFL. Ele é capaz de jogar tanto no press na linha de scrimmage quanto mais afastado. Sua recuperação é fantástica, conseguindo fechar grandes distâncias em um curto espaço de tempo, sempre buscando a bola. Com suas habilidades de playmaker e as dimensões prototípicas, é um jogador cobiçado. Pesando contra ele estão seu histórico de lesões, sobretudo no músculo adutor da coxa, e a falta de experiência, com apenas um ano de titular.

2 – Gareon Conley (Ohio State)

Com o tamanho ideal para jogar a posição, Conley é um cornerback muito técnico. Mais confortável no press, exibe a habilidade de deslocar os recebedores no começo de suas rotas. Caso inicie mal uma jogada, seu atleticismo de elite o ajuda a se recuperar. Sua velocidade e incrível capacidade de mudar de direção são dois dos fatores mais interessantes do seu jogo. Precisa melhorar no apoio ao jogo corrido e na marcação em rotas mais curtas e que cruzam o campo. Ótimos instintos, capaz de pular no meio da linha de passe e fazer uma jogada.

3 – Chidobe Awuzie (Colorado)

Muito versátil, Awuzie já alinhou realizando praticamente todas as funções na secundária. Com ótimos instintos, consegue fazer leituras rápidas e diagnosticar as jogadas com eficiência. Contra a corrida, procura ser bastante físico, não fugindo do contato. Outro aspecto interessante de seu jogo é o excelente timing para as blitzes, com muito sucesso na função. Algo que pode afastar alguns times é o fato de seus braços e mãos serem muito pequenos, o que dificulta a realização do press e na hora de se desvencilhar de bloqueios.

4 – Marlon Humphrey (Alabama)

Poucos cornerbacks são tão físicos quanto Humphrey. Excelente no apoio ao jogo corrido, raramente perde um tackle, além de ceder poucas jardas após a recepção. Outra habilidade espetacular é a de leitura de screens, chegando ao recebedor com muita explosão. Na linha de scrimmage costuma atrapalhar o ritmo das rotas no press. Precisa trabalhar em sua técnica e tem problemas contra jogadores mais rápidos, podendo ser derrotado em passes longos, por mais que tenha a velocidade para se recuperar. Muito potencial atlético e algumas ótimas características já desenvolvidas.

5 – Tre’Davious White (LSU)

Talentoso tecnicamente, White se mostrou muito competente em coberturas mano a mano, com habilidades no press. Líder muito respeitado no vestiário de LSU, ele dificilmente dá grandes espaços para passes e consegue afastar as bolas lançadas em sua direção. Quando um lançamento na sua marcação é completo, normalmente está bem posicionado para evitar jardas após a recepção. No entanto, não é um grande playmaker e não costuma colaborar muito no jogo corrido. Pode competir por uma vaga de retornador e ser um grande corner no slot.

Safeties

1 – Malik Hooker (Ohio State)

Com apenas um ano de experiência como titular, Hooker é muito cru ainda. Contudo, as habilidades que já demonstra são incríveis. Seu alcance é fenomenal, sendo capaz de reagir rapidamente e tem a velocidade para alcançar a jogada de qualquer ponto do campo. Com isso, consegue interceptações espetaculares. Seu suporte contra a corrida ainda é inconsistente, com alguns tackles muito precisos e outros realizados com ângulos ruins. Também teve alguns problemas de saúde ao longo da carreira e sua durabilidade pode ser questionada.

2 – Jamal Adams (LSU)

Adams é reconhecido no vestiário de LSU como um grande líder e esta deve ser uma das principais características que vai atrair os times na NFL. Em campo, é muito rápido lendo jogadas de corrida, agindo para evitar o tráfego e chegar até a bola. Muito físico, faz sua presença ser sentida nos violentos tackles. Ocasionalmente, é agressivo demais e pode ser enganado por um play action bem executado. Quando atua no centro do campo, sendo responsável pela última linha de marcação, costuma demorar um pouco para realizar diagnósticos, o que limita seu alcance e sua capacidade de roubar a bola.

3 – Budda Baker (Washington)

O maior ponto que conta contra Baker é o fato de ser muito pequeno para os padrões da NFL, o que pode fazê-lo se perder em situações que enfrentar jogadores mais altos ou físicos. Contudo, ele compensa essa falta de tamanho com muita disposição. Intenso, tem ótimos instintos na cobertura, sendo rápido para chegar até a bola e realizar uma jogada. Pode assumir o posto de safety ou então atuar de forma muito efetiva no slot.

4 – Josh Jones (NC State)

Com uma excelente combinação de altura, massa e velocidade, Jones já é o protótipo desejado pela NFL em um safety. Além disso, é muito decidido e capaz de realizar jogadas enfáticas. Pode atuar tanto próximo da linha de scrimmage, com boa desenvoltura contra a corrida, quanto no fundo do campo, onde mostra boa capacidade de recuperação e prevenção de passes longos. O seu maior problema reside na natureza extremamente agressiva, que faz com que esteja fora de posição algumas vezes. Por isso, precisa aprender a controlar seu ímpeto. Caso consiga, tem um potencial muito elevado.

5 – Marcus Williams (Utah)

Um grande playmaker, Williams tem o tamanho e a velocidade para cobrir a última linha de defesa. Seus instintos são muito bons e consegue realizar leituras com a rapidez necessária para chegar até a bola e impedir que ela alcance o recebedor. Apesar de não ser muito físico nos tackles, costuma ser preciso. Talvez seja adequado adicionar massa muscular para melhor lidar com o jogo corrido e adicionar versatilidade.


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João Gabriel Gelli ⁠⁠⁠Apaixonado por todo tipo de esporte, conheceu o futebol americano com o retorno para a história de Tracy Porter no Super Bowl XLIV. Torcedor do Baltimore Ravens, é responsável por uma matéria semanal e pela edição de textos. Além de futebol americano, também escreve sobre lutas para o MMA Brasil. No twitter: @jggelli