segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

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Numa notícia que pegou todo o mundo da NFL de surpresa, Jerry Richardson, acionista majoritário do Carolina Panthers e fundador/dono da equipe desde 1995, anunciou que iniciará o processo de venda da franquia após o final da temporada de 2017.

A informação de que Richardson dará início a todo o protocolo para se afastar do comando máximo da franquia da Carolina do Norte e repassar a outro grupo interessado está intimamente ligada a dois fatos que abalaram o cenário da equipe nos últimos dias. Na sexta-feira, a própria equipe divulgou uma nota que estaria iniciando um processo de investigação sobre uma suposta falta de conduta positiva internamente nos bastidores e dia-a-dia, envolvendo o próprio Richardson e alguns de seus empregados. A própria NFL, atenta a este tipo de situação após ser assolada pelos mais variados tipos de escândalos nos últimos anos, também iniciará uma investigação por ela mesma sobre todo o ocorrido. Como sempre onde há fumaça há fogo, a Sports Illustrated (uma das, senão a mais conceituada revista esportiva dos EUA) divulgou que pelo menos quatro funcionários da equipe receberam uma “quantia significativa” de dinheiro para terem seu silêncio comprado por Richardson.

Ainda segundo a conceituada revista, o pagamento envolvido nesta polêmica era graças a “inapropriada linguagem e comportamento sexual de Richardson com seus empregados e em pelo menos uma ocasião, uma ofensa racista direcionada a um olheiro (afro-americano) da equipe”. Segundo a revista, alguns atos de conduta de caráter duvidoso incluíam uma espécie de “dia da calça Jeans” para as funcionárias, com o pagamento de pequenas quantias de dinheiro para quem colaborasse com o acontecimento. Em outras situações, Richardson pedia pessoalmente para elas depilarem suas pernas e massagearem seus pés, tudo de acordo com a SI, que não divulgou nem divulgará nomes de funcionários envolvidos neste escândalo. Para a revista, figuras importantes dentro da franquia como Steven Drummond (porta-voz) e Richard Thigpen (conselheiro bem conceituado da alta direção) não apenas tinham ciência do que ocorria nos bastidores como encorajavam os envolvidos a não comentarem nada sobre a situação, uma verdadeira tragédia.

Richardson colocou seu time a venda para evitar algo parecido com o ocorrido com o Los Angeles Clippers da NBA e o então dono, Donald Sterling. Após ter um vídeo vazado em que fazia comentários extremamente racistas, Sterling foi banido da NBA para sempre e recebeu uma milionária multa, além de ser obrigado a vender o time, um dos maiores tradicionais, caros (e rentáveis) de toda a liga profissional de basquete norte-americana por cerca de U$2 bilhões.

Jerry Richardson é natural da Carolina do Norte e era o único dono de franquia que atuou na NFL como jogador, sendo um ex-WR com passagem pelo então Baltimore Colts. Ele fez fortuna criando uma rede de restaurantes e iniciou o processo de obter um time da NFL em 1987, sendo agraciado com a presidência do Carolina Panthers na temporada de 1995, a primeira do time como uma franquia de expansão. Avaliada pela Forbes em U$2.3 bilhões atualmente, Richardson e seus sócios pagaram U$206 milhões pela obtenção da franquia em 1995. Segundo uma declaração do próprio Richardson em 2009, ele e sua família obtém 48% das ações da equipe, sendo o restante dividido entre vários acionistas majoritários, incluindo figuras importantes da comunidade de Charlotte, que provavelmente irão corroborar para manter a franquia onde está.

Ele anunciou que colocará o time a venda em uma nota oficial de cinco parágrafos, confira a tradução na íntegra:

“Não houve missão ou objetivo maior em minha vida do que trazer uma franquia da NFL para Charlotte. Os obstáculos que passamos foram significantes e muitos chegaram a questionar se nossa comunidade poderia (ou deveria) suportar o peso de ter um time de futebol profissional. Mas eu sempre acreditei que se nos dessem uma chance, as Carolinas iriam se superar nesta situação.

E nós superamos. O time passou a ser parte integral de nossa comunidade. O estádio está na melhor condição possível desde o dia que foi aberto. E jogamos em dois Super Bowls neste período.

O futebol americano é parte integral de minha vida, e eu sou abençoado diariamente por ter feito das Carolinas minha casa. Nunca poderei pagar todo o tipo de gratidão e generosidade que os fãs deram a mim e Rosalind (esposa) por mais de duas décadas. Temos os melhores fãs do mundo, eu realmente acredito isso. Na minha opinião, temos a melhor franquia de todas, e isto nos serviu muto bem.

Acredito também que está na hora de passar o comando à uma nova direção. Então, colocarei o time à venda na conclusão desta temporada da NFL. Não iniciarei nenhum processo de forma imediata, não tomarei qualquer atitude antes da última partida ser jogada. Torço para que todos desta organização, dentro e fora de campo, se dediquem exclusivamente a um único objetivo: jogar e vencer o Super Bowl.

“Mesmo quando eu não for mais o dono da equipe, eu sempre serei o fã número 1 do Carolina Panthers”.

Olhando para o cenário da franquia no futuro próximo, poderemos ter tempos complicados para a torcida e cidade. Durante algumas negociações que envolveram reformas no estádio, Richardson foi enfático ao declarar que não tinha nenhum plano em mover o time de Charlotte, mas houve uma corrente entre acionistas minoritários que chegaram a olhar para outras cidades supostamente interessadas em abrigar uma franquia da NFL naquela altura. Há quem diga que, Richardson, que tem 81 anos de idade e em 2009 fez uma importante cirurgia no coração que gradativamente o afastou das ações de comando da alta direção, pediu para que a franquia fosse vendida pelo menos dois anos após sua morte, pois não queria ver o time longe de sua casa original.

Mesmo que celebridades com forte apelo à região já tenham publicamente manifestado interesse em controlar o time (como o rapper Sean “Diddy” Combs e o armador Stephen Curry, do Golden State Warrios), uma espécie de acordo assinado entre prefeitura e franquia para manter o Panthers em Charlotte expira em Junho de 2019. Este contrato assinado em 2013 previa um investimento de U$87.5 milhões do dinheiro público (com a criação de um imposto pago exclusivamente por turistas) em reformas do estádio e arredores para melhorar a experiência de jogo dentro do Bank of America Stadium, casa do time e em retorno, o Panthers se comprometeria a não abandonar a cidade por um período de seis anos, sendo passível do órgão público entrar na justiça para manter a franquia na cidade. Após isso, a multa que o time pagaria para uma possível realocação seria praticamente nula, sendo que a cidade já descartou tomar parte em qualquer investimento para construir um novo estádio, cujo preço facilmente ultrapassará a casa de um bilhão de dólares.

Jogadores e comissão técnica foram pegos de surpresa com a sequencia dos fatos. Após a importante vitória sobre o Green Bay Packers na última rodada, jogadores como o CB Captain Munnerlyn e o QB Cam Newton se mostraram bastante surpresos com a notícia mas não fizeram nenhum tipo de declaração, pois preferiram esperar a sequencia dos fatos. O HC Ron Rivera, primeiro técnico latino-americano a ser Head Coach na NFL (e contratado na gestão de Richardson) deu um voto de confiança ao atual dono, destacando a lealdade  do comandante máximo há algumas temporadas atravás, quando o Panthers foi muito mal e Rivera foi mantido como o técnico principal. Este ano, o Panthers está 10-4 neste momento e muito bem colocado para fazer uma caminhada longa e consistente na pós-temporada, com defesa espetacular e ataque um pouco irregular, mas capaz de mover a bola com seu Quarterback da franquia.

O último time da NFL a ser vendido foi o Buffalo Bills em 2014, quando um grupo liderado Terry e Kim Pegula (donos do Buffalo Sabres, da NHL) pagaram U$1.4 bilhão à família Wilson pela posse da franquia.


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