Dolphins tem bons motivos para confiar em Ryan Tannehill

19 de maio de 2017
Tags: carlos massari, dolphins, Notícias do Dia,

Muitos ficaram surpresos quando o Miami Dolphins usou a oitava escolha do draft de 2012 em Ryan Tannehill, quarterback de Texas A&M. Tratava-se de um atleta inexperiente em sua posição (atuara como wide receiver nos dois primeiros anos universitários), que até pouco tempo antes era visto como uma possível escolha de terceira rodada e que crescera durante o processo de recrutamento devido mais ao seu talento físico que qualquer outra coisa.

Desde então, Tannehill foi constantemente contestado. Parecia não conseguir se desenvolver completamente e sempre cometer muitos erros. Até quando Adam Gase assumiu a posição de head coach, em 2016, não existia um comprometimento com ele em relação à titularidade. Em sua primeira coletiva, o treinador disse que haveria uma competição aberta pela posição e que não conhecia bem o jogo do ex-Texas A&M.

Gase, porém, foi percebendo aos poucos que o problema não era Tannehill, mas sim o resto do elenco ofensivo. Não só a linha ofensiva era muito fraca, mas também o corpo de wide receivers decepcionava muito. Para efeito de comparação, os recebedores do Dolphins droparam um passe recebível a cada 9,3 em 2015, segunda maior marca da liga – apenas o Tennessee Titans, com 9, foi pior. Outra estatística que não costuma ser vista na superfície, a de “sacks evitáveis”, mostrou que o signal caller de Miami foi o que menos foi derrubado por sua culpa em 2016.

Diferente de Joe Philbin, Gase teve a capacidade de ir trocando as peças ao redor de Tannehill e de ir formando um jogo que favorece suas principais características. E funcionou: 2016 foi o melhor ano da carreira do quarterback. Quase todas as categorias estatísticas provam isso:

2012: 282-484 (58,3%), 3294 jardas (6,8 por tentativa), 12 TDs, 13 INTs, 76,1 rating (27º).
2013: 355-588 (60,4%), 3913 jardas (6,6 por tentativa), 24 TDs, 17 INTs, 81,7 rating (24º).
2014: 392-590 (66,4%), 4045 jardas (6,8 por tentativa), 27 TDs, 12 INTs, 92,8 rating (14º).
2015: 363-586 (61,9%), 4208 jardas (7,1 por tentativa), 24 TDs, 12 INTs, 88,7 rating (14º).
2016: 261-389 (67,1%), 2995 jardas (7,7 por tentativa), 19 TDs, 12 INTs, 93,5 rating (12º).

Em porcentagem de passes completados, jardas por tentativa e rating, Tannehill nunca foi tão bem como em 2016. Ainda é necessário reduzir o número de interceptações e melhorar as performances no final dos jogos, mas ele está no caminho correto.

Por rating, o quarterback do Dolphins foi o décimo segundo melhor da NFL na última temporada. Por mais que isso não pareça muita coisa, pergunte a torcedores de times como Cleveland Browns, San Francisco 49ers e New York Jets o quanto eles gostariam de ter alguém que jogasse consistentemente nesse nível. Se tudo der certo, a lesão for completamente curada e o trabalho com Gase continuar acontecendo em alto nível, não será surpresa vê-lo entre os dez melhores em 2017.

Existe uma lenda sobre a incapacidade de Tannehill fazer lançamentos em profundidade. Se muitas bolas tocaram o chão após viajarem muitas jardas no ar em Miami, foi mais pelos recebedores que pelo quarterback. Vejam a teoria sendo quebrada no vídeo abaixo:

É até difícil imaginar um lançamento melhor do que esse. Com um defensor pronto para dar um grande hit, a bola viaja cerca de 60 jardas no ar e cai no colo do recebedor, que não precisa fazer grandes ajustes para pegá-la. E a cobertura também não era ruim.

Se Ryan Tannehill ainda não tem a plena confiança do torcedor do Miami Dolphins, ele merece tê-la. Como merece também o contrato que assinou em 2015 – talvez até mais, se pensarmos no que Andrew Luck recebeu e nomes como Derek Carr e Matthew Stafford receberão em breve. Por mais que esses três estejam em um nível acima, a diferença não é tanta.

Agora, cabe a Adam Gase continuar desenvolvendo seu quarterback e identificando os reais pontos fracos do elenco. Seu primeiro ano como treinador foi muito promissor e ele pode transformar o Dolphins em um real contender da AFC em um futuro não tão distante.

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Carlos Massari é o setorista da AFC LESTE. Analisa Patriots, Jets, Bills e Dolphins às quartas e sextas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @massaricarlos