Dinastias – Pittsburgh Steelers (década 1970)

9 de junho de 2017
Tags: a liga e a historia, dinastias, marcos filho, steelers,

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Começamos a série “Dinastias” com o grande time do Green Bay Packers da década de 1960. Agora, vamos contar a história da franquia que dominou os anos de 1970: o Pittsburgh Steelers. Nessa época, a NFL conheceu a primeira grande defesa, que ficou conhecida como “cortina de ferro” e até hoje é considerada por muitos como a grande defesa da história da liga.

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COMO FORAM AS TEMPORADAS?

O Steelers não foi uma franquia vencedora desde a sua criação, que aconteceu em 08 de julho de 1933. A primeira vez que conseguiu uma campanha positiva em temporada regular foi apenas no ano de 1942. O primeiro jogo de pós-temporada só aconteceu em 1947, mas com derrota para o Eagles por 21 a 0. Nas décadas de 1950 e 1960, o Steelers não passou de uma equipe mediana, sempre com campanhas ruins, mostrando que algo deveria ser mudado para que a franquia pudesse dar um salto de qualidade.

Foi então que a contratação do assistente de defesa do Baltimore Colts mudou muita coisa. Em 1969, a franquia foi atrás de Chuck Noll, de 37 anos, e que não tinha nenhuma experiência como técnico principal de algum time na NFL, tanto que a primeira temporada terminou com uma campanha de 1-13, o único saldo positivo foi selecionar o DT “Mean” Joe Greene, “Defensive Rookie of the Year” naquele ano. Em 1970, o Steelers inaugurou o “Three River Stadium”, mudou-se para AFC e selecionou o QB Terry Bradshaw com primeira escolha do Draft. Porém, dentro de campo mais uma campanha negativa de 5-9.

Em 1971, o técnico Noll seguiu montando seu time no Draft, principalmente jogadores defensivos, selecionando dessa vez o LB Jack Ham. A temporada mais uma vez não foi boa, mas o treinador continuava no cargo, mostrando que a franquia acreditava em um projeto em longo prazo.

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Depois desses três anos montando a equipe, era a hora de ganhar. Em 1972, a franquia selecionou o RB Franco Harris, “Offesnvie Rookie of the Year” naquela temporada, e ganhou a divisão pela primeira vez em quase 40 anos de história. A campanha foi de 11-3 na temporada regular e seu estádio, que tinha sido inaugurado em 1970, recebeu seu primeiro jogo de pós-temporada da história. Foi nessa partida histórica que Franco Harris fez a “Recepção Imaculada”, uma das jogadas mais incríveis da história da NFL. O momento de ir ao Super Bowl ainda não tinha chegado, mas o Steelers mostrava à liga que era uma equipe a ser temida.

Em 1974, uma temporada histórica para o Pittsburgh Steelers: no Draft, selecionou o LB Jack Lambert, C Mike Webster, WR Lynn Swann e WR John Stallworth, foi campeão de sua divisão com uma campanha 10-3-1 e teve o DT Joe Greene eleito o “Defensive Player of the Year”. O QB Terry Bradshaw ficou fora de alguns jogos pelo fraco desempenho que vinha tendo, mas acabou recuperando a vaga ainda na temporada regular. Na pós-temporada, o time venceu facilmente do Buffalo Bills por 32 a 14 e se vingou do Oakland Raiders por 24 a 13. Com um grande desempenho da “Cortina de Ferro”, como aconteceu durante toda a temporada, o Steelers sagrou-se campeão no Super Bowl IX pela primeira vez após uma vitória de 16 a 6 sobre o Minnesota Vikings e o RB Franco Harris foi o MVP do grande jogo.

O ano de 1975 foi ainda melhor que o anterior. O QB Terry Bradshaw fez uma temporada bem mais regular e outra vez um jogador da excelente defesa foi eleito o “Defensive Player of the Year”, o CB Mel Blount. Teve uma excelente temporada regular com uma campanha de 12-2 e mais um título de divisão. Na pós-temporada, derrotou facilmente o Baltimore Colts por 28 a 10 e superou novamente o Oakland Raiders por 16 a 10. No Super Bowl X, a vitória veio sobre o Dallas Cowboys por 21 a 17, em mais um grande jogo daquela espetacular defesa.

Na temporada de 1976, a defesa continuou assombrando a NFL, permitindo apenas 138 pontos durante toda a temporada e a equipe continuava voando para lutar mais uma vez por um Super Bowl, mas as lesões dos RBs Franco Harris e Rocky Bleier não deixou esse sonho se realizar. Novamente ganhou a divisão, agora com 10 vitórias e 4 derrotas, massacrou o Baltimore Colts por 40 a 14 na primeira rodada da pós-temporada e se classificou para enfrentar o Oakland Raiders. Porém, com a lesão de Franco Harris, a equipe acabou perdendo por 24 a 7, frustrando o sonho do tricampeonato.

Em 1978, a defesa continuou muito forte, mas o ataque mostrou uma grande eficiência com o QB Terry Bradshaw conseguindo a sua melhor temporada, que lhe rendeu o prêmio de MVP. Com uma campanha excelente de 14-2, o Steelers mostrava que seria muito difícil ser derrotado naquela temporada. Nos playoffs, duas vitórias fáceis, com o ataque somando 67 pontos e a defesa permitindo apenas 15: 33 a 10 contra o Broncos  e 34 a 5 sobre o Houston Oilers. No Super Bowl XIII, em um dos melhores Super Bowls de todos os tempos, o Pittsburgh Steelers venceu o Dallas Cowboys por 35 a 31 e levou o seu terceiro título na década, com Terry Bradshaw sendo eleito o MVP da partida.

Na temporada de 1979, quando alguns pensavam que esse time tinha acabado, mais uma marcha à outro Super Bowl. Temporada regular com 12 vitórias e 4 derrotas, vitória sobre o Miami Dolphins por 34 a 14 e Houston Oilers por 27 a 13 na pós-temporada e vitória no Super Bowl XIV contra o Los Angeles Rams por 31 a 19, com Terry Bradshaw novamente eleito o MVP do jogo mais importante do ano. Depois desse título a equipe finalmente teve seu declínio, com jogadores importantes se aposentando com o decorrer dos anos, como DT Joe Greene, WR Lynn Swann e LB Jack Ham. O grande técnico Chuck Noll ainda continuou como técnico principal da equipe até 1991, quando se aposentou. O que é mais incrível é que 22 jogadores ganharam esses quatro títulos, mostrando que essa equipe era uma verdade família e todos queriam vencer juntos.

JOGO MARCANTES

Pittsburgh Steelers 13 x 7 Oakland Raiders (Divisonal Playoffs de 1972)

A primeira partida de pós-temporada da história do Steelers em seu novo estádio, um jogo memorável que ficou conhecido pela “Recepção Imaculada”. O Steelers perdia por 7 a 6 faltando menos de um minuto para acabar, quando Franco Harris recebeu um passe do QB Terry Bradshaw e correu 60 jardas para dar a vitória ao Steelers contra um adversário que seria encarado várias vezes pelos próximos anos. Muitos falam que foi essa recepção e esse jogo que mostrou à NFL que o time de Pittsburgh era uma franquia a ser temida por todos.

Pittsburgh Steelers 16 x 6 Minnesota Vikings (Super Bowl IX – 1974)

Esse seria o primeiro Super Bowl conquistado por esses grandes atletas. Depois de vencer Bills e se vingar da derrota sofrida na temporada passada para o Raiders, o Steelers enfrentou o Vikings na final. Com a “Cortina de Ferro” em grande temporada e amassando o ataque de Minnesota, a franquia não deu chance ao adversário e venceu seu primeiro Super Bowl na história.

Pittsburgh Steelers 35 x 31 Dallas Cowboys (Super Bowl XIII – 1978)

Já campeão duas vezes, essa foi a melhor temporada regular da década para essa franquia. Com uma campanha de 14-2, foram para cima para vencer novamente o título. Depois de massacrar o Broncos e Rams,  foi para final contra o Cowboys. Mesmo com o QB Terry Bradshaw lançando para quatro TDs, a partida foi muito disputada e é considerada uma das maiores da história.

Pittsburgh Steelers 31 x 19 Los Angeles Rams (Super Bowl XIV – 1979)

O último ano da década e uma grande temporada para fechar o ciclo de vitórias dessa equipe espetacular. Todas as vitórias na pós-temporada foram por mais de 10 pontos, contra Miami Dolphins e Houston Oilers. No Super Bowl, venceu o Rams com facilidade. Conhecido pela grande qualidade na defesa, o time se tornou muito homogêneo, com o ataque mostrando estar cada vez mais forte. Esse foi o último brilho dessa grande geração de jogadores, que conseguiram estabelecer uma verdadeira dinastia.

DESTAQUES DA DINASTIA

Joe Greene (1969-1981)

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Muitos o consideram o maior ídolo e jogador da grande história do Pittsburgh Steelers. Foi selecionado na primeira rodada (4ª escolha) do Draft de 1969, escolhido para o Pro Bowl 10 vezes (1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1978 e 1979), eleito para o All-Pro Team cinco vezes (1972, 1973, 1974, 1977 e 1979), está no Hall da Fama da NFL desde 1987 e foi campeão do Super Bowl quatro vezes (IX, X, XIII e XIV). Era o grande líder da “Cortina de Ferro”, considerada por muitos a maior defesa que a NFL já viu e teve seu número (#75) aposentado pelo Pittsburgh Steelers.

Terry Bradshaw (1970-1983)

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Grande líder do ataque e decisivo em momentos importantes, foi o primeiro atleta selecionado no Draft de 1970 e foi escolhido três vezes ao Pro Bowl (1975, 1978 e 1979). Venceu o Super Bowl por quatro vezes (IX, X, XIII e XIV), sendo escolhido o melhor jogador do mesmo por duas vezes (XIII e XIV) e eleito o MVP da temporada regular em 1978. Entrou para o Hall da Fama da NFL em 1989 e teve seu número (#12) aposentado pelo Steelers. Na carreira, participou de 168 jogos, totalizando 27.989 jardas aéreas, 212 TDs, 210 INT, 132 vitórias, 68 derrotas e 1 empate.

Franco Harris (1972-1983)

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O principal responsável pelas conquistas terrestres e tirar a pressão de Terry Bradshaw. Foi selecionado na primeira rodada (13ª escolha) no Draft de 1972, escolhido para o Pro Bowl nove vezes (entre 1972 e 1980), campeão quatro vezes (IX, X, XIII e XIV) e uma vez MVP do grande jogo, além de ter sido o “Offensive Rookie of the Year” em 1972. Entrou para o Hall da Fama em 1990 e teve sua camisa (#32) aposentada pelo Pittsburgh Steelers. Na carreira, jogou 173 partidas, anotando 12.120 jardas corridas – média de 4,1 jardas por tentativa – 100 TDs, sendo 91 pelo chão e nove recebendo passes.

Jack Lambert (1974-1984)

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Outra peça fundamental da “Cortina de Ferro” que tanto causava medo aos ataques adversários. Foi selecionado na segunda rodada (46ª escolha) do Draft de 1974, escolhido para o Pro Bowl nove vezes (1975, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982 e 1983), conquistou o Super Bowl quatro vezes (IX, X, XIII e XIV), foi eleito o “Defensive Rookie of the Year” em 1974 e o “Defensive Player of the Year” em 1976. Entrou para o Hall da Fama em 1990 e teve sua camisa (#58) aposentada pela franquia. Na carreira, jogou 146 partidas, com 1.479 tackles, 23,5 sacks e 28 INTs. Aposentou-se devido a uma lesão grave no dedo do pé em 1984 e nunca mais trabalhou com o futebol americano.

Chuck Noll (1969-1991)

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Um homem diferenciado, que chegou sem experiência alguma como técnico, mudou totalmente a história da franquia e a colocou como uma das principais vencedoras da história da NFL. Chuck Noll chegou em 1969 depois de ter sido assistente defensivo no Baltimore Colts e com grandes escolhas no Draft montou uma equipe poderosa no ataque e, principalmente, na defesa. Foi campeão quatro vezes (Super Bowls IX, X, XIII e XIV), conseguindo um grande domínio sobre as outras franquias da NFL. Na temporada regular, teve 193 vitórias, 148 derrotas e um empate em 23 temporadas como técnico do Pittsburgh Steelers. Na pós-temporada, foram 24 jogos com 16 vitórias e oito derrotas. Entrou para o Hall da Fama em 1993

ESTATÍSTICAS DA DINASTIA

  • 113 vitórias, 48 derrotas e um empate em temporada regular.
  • Quatro vezes campeão do Super Bowl (IX, X, XIII e XIV).
  • Média de 15 pontos sofridos por jogo
  • 10 nomes no Hall da Fama da NFL: o técnico Chuck Noll, CB Mel Blount, QB Terry Bradshaw, DT Joe Greene, LB Jack Ham, RB Franco Harris, LB Jack Lambert, WR John Stallworth, WR Lynn Swann e C Mike Webster.
  • Seis jogadores com o número aposentado: #75 Joe Greene, #12 Terry Bradshaw, #32 Franco Harris, #52 Mike Webster, #58 Jack Lambert e #59 Jack Ham.

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Marcos Filho é co-criador da Liga dos 32 e acompanha a NFL desde 2006. Escreve uma coluna por semana no site, a “Guia da Rodada”, disponível às sextas para mostrar o que tem de bom e de ruim nas partidas da rodada. Na offseason, aborda temas gerais. Twitter: @marcosfilho_20