Destaques e Decepções: Cai o último invicto

16 de outubro de 2017
Tags: João Gabriel Gelli, matérias,

Este espaço nas segundas-feiras durante a temporada traz o que de melhor ou pior aconteceu em cada rodada, apontando seus maiores destaques e decepções, antes do Monday Night Football, que nessa semana 6 será disputado por Tennessee Titans e Indianapolis Colts. Então, sem maiores enrolações, vamos aos destaques e decepções:

Cai o último invicto

Depois de levar uma surra em casa para o Jaguars, o Steelers viajou para encarar o Chiefs e superou as expectativas por larga margem ao derrubar o último invicto da temporada. O resultado veio por cortesia de uma partida simplesmente espetacular de Le’Veon Bell, que correu para 179 jardas e um touchdown. fizeram mais um confronto para ficar marcado. Antonio Brown também teve participação muito importante, com uma recepção mirabolante na qual usou seus reflexos para agarrar um passe desviado pela defesa e correu sozinho para anotar o TD que consolidou o triunfo do Steelers.

Apesar da vitória, vale comentar que Big Ben teve mais um jogo abaixo da média e que Martavis Bryant tem um papel cada vez menor no ataque do Steelers e supostamente já pediu para ser trocado. Já entre outros destaques, é preciso ressaltar a partida muito consciente da defesa de Pittsburgh, que conteve as corridas de Kareem Hunt e limitou o ataque do Chiefs durante quase todo o jogo, cedendo avanços apenas no último quarto.

Apesar de não conseguir muito espaço para avançar como corredor, Hunt ainda foi capaz de fazer estrago como recebedor e anotou 110 jardas de scrimmage, se tornando o primeiro da história a ultrapassar a barreira das 100 em todos os seus seis primeiros jogos. Agora, com uma semana curta e viagem para encarar o Raiders no Thursday Night Football, os comandados de Andy Reid devem esquecer a derrota rapidamente e focar em um importante confronto de divisão, enquanto o Steelers parece ter assumido de vez o controle da AFC Norte.

Fique de olho no Eagles

O Thursday Night Football da semana 6 abrigou o bom duelo entre Panthers e Eagles, no qual o QB Carson Wentz mostrou que está em uma bela trajetória de evolução na temporada e o time da Philadelphia saiu com a ótima vitória fora de casa para se consolidar ainda mais na liderança da NFC Leste. Foi uma apresentação completa do time, que mostrou desenvoltura no ataque aéreo e abriu bons espaços para a corrida, enquanto a defesa eliminou todas as possibilidades de avanço para os RBs do Panthers e ainda interceptou Cam Newton três vezes. Assim, se colocou como um concorrente para se levar a sério na NFC.

Depois de duas partidas excelentes, Newton voltou a apresentar os velhos defeitos de precisão e se expôs demais para pancadas desnecessárias, como quando tentou pular por cima de vários defensores para alcançar a end zone, mas machucou o ombro no processo. A lesão combinada com à situação desfavorável que lhe obrigou a fazer 52 passes lhe desgastaram e culminaram na terrível sequência de três passes que terminou com sua última interceptação. Se o Panthers pode tirar algo de positivo dessa derrota é que seu QB terá um período maior para descansar e recuperar seu ombro e voltar ao alto nível que estava apresentando nos jogos anteriores.

Insanidade em New Orleans

Ao ler que o Saints superou o Lions por um placar de 52 a 38, muitos esperariam um tiroteio ofensivo e números espetaculares de Drew Brees e Matthew Stafford. No entanto, o que se viu foi um festival de erros dos dois times. Uma pick six para cada lado anotada por jogadores de linha defensiva, um fumble e outra interceptação levados para a end zone pelo Saints e um retorno de punt para TD do Lions. Além disso, diversos outros turnovers resultaram em campos curtos para os ataques e muitos tackles foram perdidos nessa ode ao futebol americano desleixado.

O Saints chegou a ter uma vantagem de 45 a 10 que foi reduzida a apenas 2 touchdowns, mas sua defesa resistiu e evitou uma virada vexaminosa. Assim, o time de New Orleans chegou à terceira vitória seguida mesmo com um jogo ruim de Brees, o que é um sinal positivo para uma franquia tão dependente de seu QB. Com um confronto com o Packers sem Aaron Rodgers na semana que vem, a equipe tem tudo para se colocar de fato na perseguição por uma vaga nos playoffs.

A lesão de Aaron Rodgers

Como se as lesões de David Johnson, Odell Beckham Jr e JJ Watt já não fossem o suficiente, a temporada de 2017 da NFL fez mais uma vítima nesse domingo, quando Aaron Rodgers foi acertado por Anthony Barr ao realizar um passe em movimento e fraturou a clavícula na queda. Ele teve uma lesão semelhante em 2013 e perdeu sete jogos. Contudo, daquela vez o ombro machucado foi o esquerdo, enquanto dessa vez foi o direito, que usa para lançar. Dessa forma, as chances de perder a temporada são elevadas, mas ainda não se tem nenhuma informação mais precisa sobre o tempo até seu retorno.

Sem Rodgers,  o Packers teve que contar com o reserva Brett Hundley, que teve sua primeira ação significante na NFL. Entrar na fogueira para substituir um titular do mais elevado calibre, fora de casa e contra uma ótima defesa não foi uma receita de sucesso para Hundley, que terminou a partida com pouco mais da metade de seus passes completos, sendo um para touchdown e três interceptações na derrota para o Vikings. Agora, terá mais tempo para se preparar para assumir o posto de titular pelo restante da temporada e tentar manter o time de Green Bay vivo.

Com a lesão, o Vikings se torna o favorito a controlar a divisão, por conta da incerteza que roda Hundley e do fato de ter uma das melhores defesas da NFL. Outros destaques do time são o QB Case Keenum, que tem mantido o time no rumo certo na ausência de Sam Bradford, e Jerrick McKinnon, que assumiu a responsabilidade de carregar o backfield após a lesão de Dalvin Cook. Além disso, vale lembrar que Teddy Bridgewater pode ser ativado da lista PUP nessa semana e voltar a treinar sem limitações. Resta saber se está pronto para voltar a jogar e se a comissão técnica faria a mudança, mas este é um grande passo para o jovem quarterback, que teve a carreira colocada em risco com uma grave lesão no joelho.

De novo, Falcons?

Intervalo, em casa, vantagem de 17 a 0 contra um dos ataques mais ineficientes da temporada até o momento e uma defesa decente, mas não espetacular. Este era o cenário a favor do Atlanta Falcons com metade do confronto contra o Miami Dolphins concluído. Tudo levava a crer que os mandantes caminhavam para uma vitória sem drama. Entretanto, o segundo tempo veio para abrir uma grande ferida.

Jay Cutler realizou alguns ajustes e a defesa encontrou um meio de anular o ataque adversário. Assim, Cutler passou para dois touchdowns e conduziu mais duas campanhas com ajuda chave de Jay Ajayi, que teve sua melhor partida no ano, para virar o jogo. Matt Ryan ainda teve a bola para avançar o campo em cerca de dois minutos e chegou a colocar o Falcons e posição para chutar o field goal que levaria o duelo para a prorrogação. Todavia, com tempo sobrando, o time tentou avançar ainda mais para vencer sem a necessidade do tempo extra. Nesta situação, Ryan acabou interceptado por Reshad Jones, o que sacramentou a segunda derrota seguida do Falcons, que precisa achar um ritmo melhor no ataque. Já o Dolphins alcançou sua terceira vitória na temporada e mesmo com dificuldades consegue vencer jogos e manter seu nome na perseguição da liderança da AFC Leste.

Após uma derrota que lembra o dolorido revés no Super Bowl LI, o Falcons terá que encarar seus demônios ao enfrentar seu algoz, o Patriots, no Sunday Night Football da semana 7.

Giants choca no Sunday Night Football

Um dos times ainda sem vitória na temporada no começo da rodada, o Giants tinha uma defesa atuando abaixo do esperado, um ataque limitado e a ausência de Odell Beckham Jr. No entanto, tudo isso mudou quando a equipe viajou até Denver para encarar o Broncos e aplicou uma verdadeira surra, no resultado mais inesperado do ano até o momento.

Contra a melhor defesa contra a corrida ao longo das cinco primeiras semanas e com um jogo terrestre que simplesmente não avançava, o Giants conseguiu entrar no ritmo no quesito na partida da vida de Orleans Darkwa, que correu para 117 jardas em 21 carregadas. Sem Beckham, o TE calouro Evan Engram foi o principal alvo dos passes de Eli Manning e terminou com 82 jardas e um touchdown. Curiosamente, isto aconteceu na primeira partida na qual Ben McAdoo cedeu o poder de chamar jogadas para seu coordenador ofensivo, Mike Sullivan, o que parece ser o sinal de um dos possíveis motivos para o início ruim do ataque na temporada.

Já a defesa foi liderada pelos três sacks de Jason Pierre-Paul e uma grande atuação contra as corridas, anulando as participações de CJ Anderson e Jamaal Charles na partida. Na secundária, Landon Collins e Eli Apple fizeram bons jogos, enquanto Janoris Jenkins teve altos e baixos, cedendo mais de 100 jardas para Demaryius Thomas, mas também anotando uma pick six e forçando um fumble, que foram cruciais para a vitória do Giants. Contudo, apesar da zebra, a desvantagem do time na classificação ainda é gigantesca e a missão de alcançar os playoffs é quase impossível, mas ver uma boa atuação como essa pode ser o suficiente para ao menos deixar o torcedor do time um pouco mais feliz.

Outros destaques e decepções:

  • Após ser trocado para o Cardinals durante a semana, Adrian Peterson teve grande atuação com 134 jardas e dois touchdowns na vitória contra o Buccaneers. Com as corridas funcionando, Carson Palmer sofreu menos e teve um bom jogo, encontrando Larry Fitzgerald dez vezes na partida, incluindo para um touchdown. Parece que voltamos para 2015 e o Cardinals teve novamente uma apresentação forte.

  • Com o calendário se abrindo depois de diversas lesões sofridas por QBs titulares, o Ravens não conseguiu aproveitar a oportunidade de consolidar seu nome na briga pelos playoffs e saiu derrotado em um jogo insano em casa contra o Bears, na primeira vitória da carreira do calouro Mitch Trubisky.

  • O retorno de Derek Carr não foi o suficiente para que o Raiders superasse o Chargers em Oakland, em um jogo de poucos pontos. Fazendo muitos passes rápidos para evitar levar pancadas desnecessárias, o QB foi interceptado duas vezes, enquanto Melvin Gordon liderou o adversário com dois touchdowns e 150 jardas de scrimmage para a segunda vitória seguida e um sopro de esperança com derrotas de todos os adversários de divisão na rodada.

  • O Patriots teve muito mais dificuldade do que o esperado e ainda contou com uma chamada controversa da arbitragem para superar o Jets em New York. A vitória coloca o time na liderança isolada da AFC Leste no momento, mas ele segue sem impressionar e ainda precisa realizar diversos ajustes para se tornar a máquina com a qual estamos habituados.

  • Com o 49ers atrás no marcador por 17 a 0, Kyle Shanahan decidiu colocar o QB calouro CJ Beathard em campo e conseguiu acender uma faísca no ataque, que deixou  a partida apertada, mas não foi capaz de trazer a vitória, com um 26 a 24 a favor do Redskins no placar final. Com isso, o 49ers segue sem vencer e removendo o revés para o Panthers na primeira rodada, todas as outras cinco derrotas vieram por três pontos ou menos de diferença, um número absurdo e que mostra que o time deve estar perto de alcançar o primeiro triunfo.

  • Se alguns achavam que o problema no Browns era DeShone Kizer, cada vez mais parece que o culpado é Hue Jackson. Após colocar o calouro no banco, o treinador viu o novo QB titular Kevin Hogan ter uma partida tenebrosa, com passes que ficaram pendurados muito tempo, sem firmeza nem precisão. Ele acabou interceptado três vezes na derrota por 33 a 17 para o Texans, que teve Deshaun Watson anotando mais três passes para touchdown e igualando o recorde por um calouro em seus seis primeiros jogos, com 15.

  • No confronto entre um dos melhores ataques contra uma das melhores defesas da temporada, o Rams triunfou sobre o Jaguars e chegou ao quarto triunfo. Isto foi possível graças a uma boa partida de Todd Gurley, que passou das 100 jardas mais uma vez, e um bom trabalho da defesa para conter o ataque terrestre. Depois de Leonard Fournette levar sua primeira carregada 75 jardas para o touchdown, o jogo corrido do Jaguars somou apenas 58 jardas em 22 carregadas entre seus running backs, em um ótimo trabalho da unidade de Wade Phillips.


Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Postagens Relacionadas









João Gabriel Gelli ⁠⁠⁠Apaixonado por todo tipo de esporte, conheceu o futebol americano com o retorno para a história de Tracy Porter no Super Bowl XLIV. Torcedor do Baltimore Ravens, é responsável por uma matéria semanal e pela edição de textos. Além de futebol americano, também escreve sobre lutas para o MMA Brasil. No twitter: @jggelli