Defesa segura, mas Bills sofre ofensivamente

20 de setembro de 2017
Tags: bills, carlos massari, Notícias do Dia,

9 a 3 é um placar muito baixo para a NFL de hoje. É muito raro existir um jogo sem touchdowns, principalmente com as regras sendo cada vez mais moldadas para favorecerem aos ataques. Ainda assim, foi o que aconteceu entre Carolina Panthers e Buffalo Bills no último domingo. Foram performances estelares das duas unidades defensivas? Nem tanto.

Cam Newton e Tyrod Taylor deixaram de completar passes rotineiros com uma frequência muito maior do que a desejável e as duas linhas ofensivas sofreram bastante. Foi comum perceber jogadas de ataque mal desenhadas, algumas que foram rapidamente implodidas após o snap pela penetração da defesa no backfield e outras que não deram certo simplesmente pela execução ruim dos quarterbacks.

Como o intuito dessa coluna é analisar o Buffalo Bills, vamos nos focar em como a defesa do time nova-iorquino se portou bem em alguns momentos, mas nem tanto em outros, e em como o ataque falhou miseravelmente em mover a bola.

Alguns atletas de defesa do Bills começaram o ano de forma espetacular. O principal destaque é o safety Jordan Poyer, que consegue estar em todos os lugares do campo e aparecer bem em qualquer que seja a função delegada. Apareceu conseguindo sack em blitz, impedindo ganhos gigantescos atuando em profundidade na cover one e auxiliando contra o jogo terrestre. Outro é Jerry Hughes, que parece ter voltado ao topo de sua forma e tem sido um pesadelo para os tackles adversários. Abaixo, ele dá um baile em Matt Kalil e chega rapidamente para derrubar Cam Newton:

Para essa partida, o coordenador defensivo Leslie Frazier frequentemente trouxe os linebackers para a linha de scrimmage, tentando criar confusão na linha ofensiva do Panthers. Normalmente, a função ficou por conta de Preston Brown e Ramon Humber. Eles mostravam uma possível blitz no A-gap, mas o que acontecia a seguir era variado – os dois podiam ir atrás de Newton, ou um manter a perseguição e o outro voltar para a cobertura, ou os dois recuarem. Os resultados foram em grande parte positivos, gerando sacks e passes incompletos.

Foi uma exibição de bom nível da defesa do Bills, mas ter segurado os donos da casa a apenas nove pontos é ilusório. Muito se deve também ao dia ruim de Cam Newton, que não parece estar 100% nesse início de temporada. O maior exemplo disso é a jogada na terceira para o gol na linha de duas jardas, com o placar em 6 a 3, já no último período. O quarterback tem tempo para fazer sua leitura e Christian McCaffrey fica completamente livre na endzone para um touchdown que encerraria completamente as chances da equipe de Buffalo, mas erra um passe bastante fácil para os padrões da NFL por uma distância considerável. A sorte também esteve ao lado dessa defesa.

Do outro lado, a defesa do Panthers fez a mesma coisa que a do Jets na semana 1: lotou o box de atletas e desafiou Tyrod Taylor a vencer o jogo com o braço. Obviamente, o quarterback do Bills não conseguiu.

Muita coisa pareceu errada com o plano de jogo de Rick Dennison. A quantidade de jogadas, principalmente pelo chão, que não tinham nenhum lugar para ir era gigantesca. Normalmente havia defensores desbloqueados próximos à jogada ou inferioridade numérica dos bloqueadores para lidar contra uma defesa muito talentosa. Não é à toa que LeSean McCoy acabou com uma performance historicamente ruim – nove jardas em doze carregadas, média de 0,8.

LEIA MAIS: Análise do confronto entre Bills e Jets pela semana 1

Para um time desenhado para correr com a bola frequentemente e cansar assim as defesas adversárias, isso é muito ruim. Mas a tendência é que os times continuem agindo da mesma forma até que se preocupem com serem batidos pelo jogo aéreo do Bills. E isso não parece estar próximo de acontecer.

Além da falta de talento do corpo de wide receivers, Tyrod Taylor não parece estar evoluindo como quarterback. Ele demonstra que continua com a mentalidade de “correr primeiro, passar depois”, ou talvez até “correr primeiro, pensar depois”. Normalmente, já foge do pocket após a sua primeira leitura e tenta resolver tudo com as pernas, o que vai funcionar com menos frequência contra times preparados para o jogo terrestre.

No lance abaixo, ele tem um recebedor completamente livre pelo meio para um ganho de first down, mas mesmo após vê-lo, decide deixar o pocket e fazer um passe curto para LeSean McCoy, que absolutamente não tem para onde ir. É o tipo de jogada que demonstra porque o torcedor em Buffalo está perdendo os cabelos com a falta de evolução de Taylor como passador:

Se o quarterback não demonstrar evolução, haverá muito pouco que Dennison poderá fazer para gerar mais pontos. As defesas não vão respeitar a possibilidade de passes longos e vão se focar em impedir cada vez mais o jogo terrestre. Mesmo com o arsenal de bloqueadores contratado na off-season, o Bills acabará também com dificuldades nesse quesito.

Apesar de tudo isso, o Buffalo Bills chegou muito perto de vencer a partida. Em uma quarta descida longa no último minuto, a combinação de rotas de LeSean McCoy e Zay Jones confundiu a secundária do Panthers e deixou o calouro livre na parte final do campo. O passe acabou incompleto. De quem foi a culpa?

Zay Jones corria uma rota corner, provavelmente desenhada para ganhar um first down e sair de campo dentro da linha de cinco jardas, parando o relógio. Ele não contava – e imagino que não viu – que o safety ficou congelado e o deixou completamente livre para ir até a endzone e anotar o touchdown. Continuou no plano original. Taylor, ao contrário, fez essa leitura e mandou o passe mais para dentro do que o planejado inicialmente.

O resultado é que Jones precisou fazer uma acrobacia para alcançar a bola e, apesar de colocar as duas mãos nela, não conseguiu segurá-la. Eu diria que a culpa não foi especificamente nem do wide receiver, nem do quarterback, mas sim da falta de química entre os dois. Com o pouco tempo que já tiveram juntos e o fato de um ser calouro e o outro não ter muita desenvoltura como pocket passer, eles simplesmente não conseguiram estar na mesma página nesse momento decisivo.

Na NFL, muita coisa acontece por essa química entre quarterback e wide receiver, um conhecendo perfeitamente a movimentação e o pensamento do outro. Com dois jogadores mais experientes, esse seria um touchdown e o Bills estaria 2-0.

É um time que parece muito capaz defensivamente, mas que tende a fracassar em 2017 se suas peças ofensivas não começarem a produzir mais.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Postagens Relacionadas









Carlos Massari é o setorista da AFC LESTE. Analisa Patriots, Jets, Bills e Dolphins às quartas e sextas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @massaricarlos