Cultura, Tradição e Espetáculo – A História do Super Bowl

14 de julho de 2017
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A liga e a historia - L32

O Super Bowl é um evento que pode ser visto de várias formas, dependendo do seu grau de envolvimento com o futebol americano. Para nós da Liga dos 32, que trabalhamos com NFL praticamente 24 horas por dia, ele é a “cereja do bolo”, a coroação de uma temporada que começou lá atrás, no Draft, e vai terminar no primeiro domingo de fevereiro. Para você, leitor e fã do esporte, acredito que o sentimento seja basicamente o mesmo. Para alguns outros setores da sociedade, porém, a grande final do futebol americano pode representar algo totalmente diferente. Os publicitários, por exemplo, enxergam a estrondosa audiência da partida na televisão americana como a oportunidade perfeita para o lançamento de um novo produto, usando uma celebridade para promovê-lo ou simplesmente reforçando o poder da marca. Ainda tem aquele pessoal que não está nem aí para o jogo e só quer fazer companhia para os amigos ou assistir o show do intervalo.

COMO TUDO COMEÇOU?

Antes de se tornar o maior evento esportivo do planeta, o Super Bowl passou por algumas dificuldades em seus primeiros anos. A NFL, que ainda não contava com 32 times como na estrutura atual, dividia a atenção com a AFL, uma liga criada em 1960 e que priorizava jogos mais abertos, lances de efeito e placares elásticos. Entre 60 e 66, as duas lutaram ferozmente pela audiência dos torcedores e criaram uma rivalidade que não parecia fazer bem para nenhum dos dois lados. Exatamente por isso, os donos das ligas decidiram entrar em um acordo para unificar o esporte em meados de 1966, criando a chamada “NFL Moderna”, como a conhecemos hoje. Separadas em duas conferências, as ligas optaram por jogar apenas entre si na temporada regular e nos playoffs; Os vencedores de cada chave passariam a se enfrentar pelo título da NFL no chamado “AFL-NFL World Championship Game”, que futuramente ganharia o nome de Super Bowl.

Mesmo com nova estrutura definida, a 1ª decisão inter-conferências da história não foi lá um grande sucesso. Por ser disputada em um estádio neutro – O Los Angeles Memorial Coliseum foi o palco escolhido – a partida não ganhou a adesão dos fãs de Packers e Chiefs, e o jogo não teve a repercussão esperada. Em campo, o passeio de Green Bay sobre o rival por 35-10 também não ajudou em nada na reputação da nova NFL. O jogo ficou marcado por ter sido o 1º e único Super Bowl transmitido por duas emissoras de TV, já que tanto CBS, quanto NBC, detinham os direitos das duas conferências.

Apesar do fiasco de público para a partida disputada em Los Angeles – Cerca de 62.000 torcedores estiveram presentes em um estádio que acomodava mais de 100.000 pessoas – a NFL teve uma boa resposta da audiência televisiva. Em 15 de janeiro de 1967, 65 Milhões de telespectadores acompanharam a final na NBC e na CBS, o que transformou a grande decisão do futebol americano no evento esportivo mais assistido da história dos Estados Unidos até aquele momento.

9215922-largeLivre dos contratos antigos e com a certeza de que, pelo menos na televisão, o Super Bowl era um sucesso, a NFL passou a organizar jogos entre as conferências a partir de 1970 e se beneficiou com a vitória inesperada do New York Jets sobre o Baltimore Colts no ano anterior, provando que os antigos times da AFL também eram capazes de formar uma liga equilibrada. O formato de apenas uma partida para decidir o campeão ia na contramão das outras ligas americanas, que contavam com finais separadas em mais de um jogo. O Super Bowl passou a ser o confronto decisivo mais imprevisível dos EUA e ganhou a adesão de um público muito maior, dentro e fora do estádio. Durante a década de 70, a AFC dominou o Lombardi Trophy e somou 8 títulos (3 do Steelers, 2 do Dolphins e 1 de Chiefs, Colts e Raiders), deixando a conferência rival com apenas duas conquistas, ambas do Dallas Cowboys. Os anos 80 começaram com um novo troféu na galeria de Pittsburgh e com a antiga AFL vencendo 11 dos primeiros 15 Super Bowls; As coisas só começaram a mudar com a hegemonia do 49ers e seus 4 campeonatos, devolvendo um pouco do equilíbrio as duas conferências. Entre 1982 e 1997, foi a vez da NFC construir uma pequena dinastia, vencendo 15 dos 16 títulos em jogo. Neste momento, a final do futebol americano já havia se consolidado como o maior evento esportivo do país 

A TRANSFORMAÇÃO DO SUPER BOWL EM UM MEGA EVENTO

Impulsionada pelo crescimento do interesse por ingressos e pela audiência monstruosa da televisão, a NFL decidiu valorizar ainda mais o seu produto. Ainda que incomuns e um tanto quanto hilárias, as propagandas dos anos 70 passaram a fazer parte da tradição do evento e grandes marcas começaram a se interessar pelos 30 segundos de comerciais do Super Bowl. De refrigerantes à cremes de barbear, a publicidade era feita especialmente para o dia da final e se tornava um sucesso instantâneo, exatamente o que as grandes empresas esperavam. No período de 10 anos entre 1977 e 1987, a NFL explodiu em audiência com o jogo decisivo e as transmissões ficaram entre os 30 programas de TV mais vistos da história, dando uma nova dimensão para o evento.

Além das propagandas, a NFL precisava agora de novos atrativos durante a própria transmissão, oferecendo aos torcedores no estádio uma experiência ainda mais completa. A primeira grande estrela a fazer parte da final foi a cantora Diana Ross, em 1982, interpretando o hino americano antes do Kickoff. O show do intervalo, reservado para bandas marciais realizarem suas apresentações, deu espaço para grandes concertos e performances dos mais variados artistas, todos eles de grande reputação e consagrados no cenário musical. Já estiveram presentes no Halftime Show do Super Bowl nomes como Michael Jackson, Whitney Houston, Cher, Madonna, Paul McCartney e Rolling Stones. Mais recentemente, nomes importantes da música Pop como Beyoncé, Bruno Mars e Katy Perry também se apresentaram no evento, apoiados por uma super produção, o que valoriza ainda mais o produto “Super Bowl”.

“Não existe nada maior do que se apresentar no Super Bowl”
Paul McCartney, Cantor, compositor e Ex-Beatle

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A EXPLOSÃO FINANCEIRA DA PUBLICIDADE NO SUPER BOWL

Como eu havia destacado antes, a publicidade ganhou um papel importante no evento e passou a fazer parte da mística do Super Bowl. Ver a grande final também significa acompanhar os comerciais mais caros do mundo, em uma verdadeira guerra publicitária exposta na televisão mundial. Entre as propagandas mais marcantes já veiculadas está a da Apple, de 1984, apresentando a sua nova linha de computadores Macintosh. Dirigido por Ridley Scott, o comercial revolucionou não só a empresa, como também a forma como as outras marcas começariam a usar o jogo para divulgar seus produtos.

Em uma pesquisa recente, cerca de 36% dos entrevistados admitiram que só acompanham a final para ver os comerciais. Sabendo disso, as empresas gastam fortunas com publicidades à serem exibidas no domingo do Super Bowl; Em 2015, ano em que cerca de 161.3 milhões de pessoas assistiram a vitória do Patriots na TV norte-americana, o gasto total com propagandas foi de $357.8 milhões de dólares. Em relação ao preço médio para uma inserção de 30 segundos durante os comerciais, o valor foi de $4.5M, dando uma pequena noção do quão importante é o Super Bowl para a publicidade mundial.

O “FERIADO” NACIONAL QUE FAZ PARTE DA CULTURA AMERICANA

Disputado sempre aos domingos, o jogo virou uma espécie de “feriado nacional” nos Estados Unidos. O clima é diferente na manhã da decisão, o assunto é o mesmo durante a semana e a TV é invadida por programas esportivos, analisando as campanhas dos dois finalistas e falando ao vivo do local da partida. A chance de reunir os amigos para ver o jogo fez com que a economia americana ganhasse um dia atípico nas vendas de comida e no movimento de bares e locais que transmitem o Super Bowl. É a oportunidade perfeita para juntar todas as pessoas que você gosta e aproveitar um domingo em família e com os colegas, vendo um jogo de alta qualidade e aproveitando uma programação especial.

A tradição norte-americana também ganhou o mundo , à medida em que o esporte vai se tornando cada vez mais popular além das fronteiras do Tio Sam. No Brasil, é comum ver os bares mudando a programação do fim da semana para transmitirem os jogos da temporada e a audiência na TV tem aumentado cada vez mais. O evento, que em sua origem surgiu apenas por motivos esportivos, ganhou uma importância financeira quase que incalculável e hoje faz parte da cultura e da tradição de quase todo o planeta.

LISTA DOS VENCEDORES DO SUPER BOWL

Pittsburgh Steelers – 6 Vezes
San Francisco 49ers, New England Patriots e Dallas Cowboys – 5 Vezes
Green Bay Packers e New York Giants  – 4 Vezes
Los Angeles/Oakland Raiders, Denver Broncos e Washington Redskins – 3 Vezes
Miami Dolphins, Indianapolis/Baltimore Colts e Baltimore Ravens – 2 vezes
Jets, Bears, Chiefs, ST.Louis Rams, Bucs, Saints e Seahawks – 1 Vez

ALGUNS RECORDES OFENSIVOS DO SUPER BOWL

jerry-riceMais Touchdowns lançados em apenas 1 jogo: QB Steve Young (6)
Mais passes completos: QB Tom Brady (207 em 7 jogos)
Maior numero de jardas: QB Tom Brady (2071 em 7 Jogos)
Maior Número de Touchdowns Anotados: WR Jerry Rice (8 em 4 oportunidades)
Maior Número de Touchdowns lançados: QB Tom Brady (15 em 7 oportunidades)

ALGUNS RECORDES DEFENSIVOS DO SUPER BOWL

Maior número de Interceptações em Super Bowls: 3

Chuck Howley (Cowboys)
Larry Brown (Cowboys)
Rod Martin (Raiders)

Maior Número de Sacks em Super Bowls: 4,5

Charles Hayley (49ers e Cowboys)


Confira vários outros Recordes históricos AQUI


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Marcos Garcia é fã assíduo da NFL desde 2008, já escreveu sobre o assunto por dois anos no Jornaleirosdoesporte.com e está sempre ligado nas novidades da liga e também da NCCA. Responsável pela edição e revisão dos textos publicados no site, por uma matéria semanal e é um dos analistas do Programa Debate NFL, toda quinta, ao vivo aqui no site. No twitter: @markosvinicius6