sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Compartilhe

Esta temporada tem sido um tanto quanto diferente para os torcedores do New York Giants. Se não bastasse um dos piores recordes da liga (2-13) o que no momento lhes renderia a segunda escolha geral do Draft de 2018 com apenas uma rodada a mais a ser jogada, é hora de olharmos para o futuro de um dos times mais tradicionais de toda a NFL ao mesmo tempo que tentamos engolir tudo que aconteceu com o time em 2017. Como se não bastassem as derrotas (e foram muitas), problemas como suspensões de diversos jogadores principalmente na secundária, demissão do HC Ben McAdoo, retirada do QB Eli Manning da titularidade (mesmo que por apenas uma partida) e uma quantidade incomparável de lesões que assombraram a equipe, a demissão do GM Jerry Reese foi uma das manchetes que tomaram conta do mundo da NFL de uma maneira negativa do lavo azul de Nova Iorque.

Prova da estabilidade que domina o Giants e torna o cargo de GM um dos mais cobiçados entre todas as 32 equipes, é o fato que Dave Gettleman, o escolhido para a função, será apenas o quarto gerente geral do Giants desde 1979, ou seja, é esperada uma longevidade do diretor no mais alto cargo dentro da hierarquia de comando da franquia. Antes dele, George Young, Ernie Accorsi e Jerry Reese foram responsáveis pelas tomadas de decisão dos praticamente últimos 40 anos de um time que se acostumou a vencer e estar nas grandes partidas, este último, demitido recentemente, estava há onze anos no cargo.

Para o time que está a procura do técnico principal, a primeira tarefa é contratar a pessoa responsável por liderar esta busca, o General Manager. O Giants deu o primeiro passo com a contratação de uma figura bem conhecida dentro do time, trata-se de Gettleman, que retorna ao Giants após alguns anos desempenhando a mesma função no Carolina Panthers. Vamos conhecer um pouco mais sobre ele.

Quem é Dave Gettleman?

Com a oportunidade de entrevistar grandes candidatos em todos os quatro cantos do país, que trariam uma injeção de novas perspectivas e modos de pensar para dentro da franquia, o time escolheu alguém que conhece os bastidores como poucos. Ele é uma face totalmente acostumada e identifica com o New York Giants. Integrou o staff da equipe pela primeira vez em 1998 como braço-direito de Tim Rooney e diretor de pessoal. Acumulou diversas funções dentro da direção nos anos posteriores passando pelo departamento de olheiros e análise de jogadores, até que em 2013 assumiu o cargo de GM do Carolina Panthers, onde encontrou sucesso instantâneo. Entre 2013-16 na Carolina do Norte, orquestrou a montagem do time que venceu três títulos consecutivos da NFC Sul e recebeu o prêmio de executivo do ano em 2015, quando o time liderado por ele conseguiu 15 vitórias na temporada regular, conquistou a NFC e só parou frente ao Denver Broncos no Super Bowl 50. No geral, foram 40 vitórias, 23 derrotas e um empate em seus tempos comandando o Panthers, um recorde respeitável se analisada a situação que o Panthers se encontrava naquela altura.

Ele não apenas construiu um belo time como também tomou decisões importantes, bancando a permanência do técnico Ron Rivera, altamente criticado nas temporadas anteriores, o que se mostrou uma decisão sabiamente acertada após estes anos. Gettleman tem um currículo e tanto: Os times que integrou e ajudou a montar somam incríveis sete participações em Super Bowls e três títulos ao longo dos anos, a última sendo o citado Panthers em 2015.

Características dele como GM

Muitas pessoas que cobrem o dia-a-dia da NFL ressaltam que Gettleman não é exatamente a pessoa de convivência diária mais fácil dentro de uma desgastante temporada regular. Extremamente fechado e reservado, era raro vê-lo em aparições públicas e mesmo durante os treinamentos de suas equipes, sua presença na beira do campo também era sempre uma raridade. Contudo, seu talento para assinar e recrutar jogadores é inegável. No Giants, teve participações cruciais nas contratações do WR Plaxico Burress, C Shaun O’Hara e LB Antonio Pierce, os dois primeiros sendo peças cruciais na improvável conquista do Super Bowl 42 contra o então invicto New England Patriots. Burress, para quem não se lembra, anotou o derradeiro TD da virada no minuto final naquela campanha monumental comandada pelo QB Eli Manning.

Já no Panthers, realmente comandando uma franquia, pode-se dizer que ele fez um ótimo trabalho. Herdou o time com pouco mais que U$16 milhões no teto salarial e uma grande quantidade de “dead money”, nome dado à porção do teto alocada para pagamento de jogadores que sequer estão no elenco e mesmo assim foi capaz de renovar os contratos dos melhores jogadores do time, como o QB Cam Newton, TE Greg Olsen e LBs Luke Kuechly e Thomas Davis, tudo durante sua administração. Contudo, as críticas sobre seu tempo em Charlotte foram ao tratamento dado a duas figuras lendárias dentro da curta história do time: o WR Steve Smith Sr. e o RB DeAngelo Williams. Ambos foram dispensados em uma das primeiras ações de Gettleman como GM, o que gerou certa indignação entre a torcida. Além disso, todos devem se lembrar do episódio envolvendo o CB Josh Norman, que teve a franchise-tag aplicada e depois retirada horas antes do término do prazo máximo das negociações, tornando-se um free agent irrestrito e indo para o Washington Redskins, sem que o Panthers ganhasse nada em troca.

Contudo, foi abruptamente dispensado pelo dono da equipe em Julho deste ano após diversos problemas internos com alguns jogadores mais importantes do time, muito em conta pelo desempenho ruim na temporada de 2016, quando o time que então defendia o título da NFC venceu apenas seis jogos, com um desempenho lamentável da linha ofensiva (negligenciada pelo então GM) e secundária que, sem Josh Norman, atuou grande parte da temporada com dois calouros – James Bradberry e Daryl Worley que recrutados na segunda e terceira rodadas, respectivamente, foram jogados aos leões.

Atuação no Draft

O trabalho dele no recrutamento anual universitário também é digno de destaque. Contudo, podemos ver uma mudança de filosofia com relação ao antigo GM do Giants, que prezada a montagem do time através das posições de habilidade, enquanto Gettleman parece prezar pelo maior investimento nas trincheiras, onde realmente tudo acontece. Mesmo tendo recrutado apenas dois jogadores que foram ao Pro Bowl de 2013 para cá (DT Kawann Short em 2013 e OG Trai Turner em 2014), o trabalho para encontrar titulares vindos do Draft é .

Desde o citado ano, o time coleciona escolhas de jogadores de defesa dentro das primeiras rodadas do Draft. A exceção foi o WR Kelvin Benjamin, recrutado na 1ª rodada do Draft de 2014 e que recentemente foi trocado para o Buffalo Bills. A excluir Benjamin, o único jogador de ataque recrutado nas duas rodadas iniciais do Draft foi o também WR Devin Funchess em 2015, ou seja, podemos esperar um investimento pesado na defesa via Draft, mesmo o elenco defensivo do Giants sendo realmente muito bom no papel e removido de apenas uma temporada em que comprovadamente carregou o time a onze vitórias na temporada regular.

Trabalho a ser feito

  • Encontrar um HC

A partir da próxima Segunda-Feira, os times que não estão nos playoffs poderão ter seus técnicos e coordenadores entrevistados para cargos superiores dentro de outra comissão técnica. Alguns nomes já são ligados ao cargo de técnico principal do Giants: John DeFilippo, técnico de QBs do Philadelphia Eagles, Steve Wilkins, coordenador defensivo do Carolina Panthers, Jim Schwartz, coordendor defensivo do Philadelphia Eagles e Josh McDaniels, coordenador ofensivo do New England Patriots são ventilados. O dono da equipe ainda garantiu que o coordenador defensivo e técnico interino Steve Spagnuolo será ao menos entrevistado para o cargo, então é deve de Gettleman ouvir seu coordenador após o término da temporada.

  • Encontrar um Quarterback do futuro

Além do charme de comandar uma das franquias mais tradicionais, Gettleman herdará a 2ª ou 3ª escolha geral do próximo Draft e com isso a possibilidade de escolher o próximo Quarterback da franquia. Saltam aos olhos os QBs Sam Darnold, Josh Allen e Josh Rosen, que provavelmente serão escolhidos na parte inicial do Draft e representarão uma injeção de juventude na posição mais importante de uma equipe. Cabe ao técnico juntar um grupo notável de jogadores ao redor da jovem estrela para que este evolua e se adapte da melhor maneira possível

  • O que fazer com Eli Manning e Odell Beckham Jr?

Os dois grandes nomes do elenco estão em lados opostos de suas carreiras. Eli Manning terá em breve 38 anos de idade e mesmo que tenha mais dois anos de contrato com a equipe, seu desempenho já não é mais o mesmo e com isso tem-se que talvez ele não retorne para a equipe na próxima temporada. Por outro lado, Odell Beckham Jr é uma estrela em ascensão e já é um dos melhores atletas da NFL mesmo com pouquíssima idade, o que com certeza lhe rendará uma lucrativa extensão contratual do Giants ou de alguma outra equipe necessitada, afinal OBJ ainda atua sobre seu contrato de calouro e vem tendo um dos melhores inícios de carreira da história da NFL para um WR.

Seja o que o futuro reserva para o Giants, tudo começa com esta contratação do GM para comandar a reconstrução da franquia. Gettleman herda um elenco talentoso e com um bom núcleo jovem para as próximas temporadas, ao mesmo tempo que há jogadores experientes para guiarem o time nesta nova fase. Com um pouco de sorte, um dos times mais tradicionais da NFL voltará a competir por algo grande em breve, mas para isso, precisa acertar em cheio a escolha no recrutamento anual universitário.


Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Leave A Reply