segunda-feira, 29 de Janeiro de 2018

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A temporada de 2017 da NFL foi reduzida a apenas um confronto: New England Patriots x Philadelphia Eagles, que se enfrentarão no Super Bowl LII. Ambas as franquias reeditarão no próximo domingo o confronto do Super Bowl XXXIX, em que o time de Massachussetts saiu vencedor graças a uma campanha da vitória conduzida pelo QB Tom Brady e marcou o início de uma dinastia para a franquia de Foxborough, sendo um período de glórias para aquela que é uma das franquias mais vencedoras deste século. Mas, em 2017, o caminho que levou o time até a disputa do troféu Vince Lombardi foi por horas complicado, tenso, em que diversas situações vieram para testar a resiliência de Brady e seus companheiros, apenas para que no final tivessem 13 vitórias em 16 jogos, o que lhes rendeu não apenas o já comum título da AFC Leste, como a melhor campanha da AFC e a certeza que o caminho até o Super Bowl passaria pelo Gillette Stadium nesta temporada.

Confira o caminho que guiou os comandados de Bill Belichick até o Super Bowl 52, que pode marcar a sexta conquista do time nesta era e a certeza maior de que esta atual geração estará marcada na rica história da NFL.

  • Começo complicado

Logo na abertura da temporada, o Kansas City Chiefs foi até Foxborough e “carimbou” a faixa de campeão inaugurada naquela noite. Vimos o surgimento do novato sensação Kareen Hunt, que torceu a defesa do Patriots com suas corridas e recepções, em que os atuais campeões simplesmente não tiveram resposta para o plano de jogo elaborado pelo HC Andy Reid. O resultado foi a tranquila vitória por 42 x 27 dos visitantes, uma surpresa que levantou sobrancelhas de todos que acompanham com afinco a NFL, mas o grande momento vivido pelo Chiefs naquele jogo talvez tenha sido a demonstração do quão ruim seria o desempenho da unidade defensiva do Patriots na primeira parte da temporada.

Foram simplesmente 32 pontos cedidos de média a cada partida no primeiro mês da temporada. Após uma vitória contundente contra o New Orleans Saints e uma virada incrível contra o Houston Texans  então comandado por Deshaun Watson (em que cederam 20 e 33 pontos respectivamente), a segunda derrota veio logo na semana 4 contra o Carolina Panthers e pelo placar de 33 x 30 jogando em casa, algo incomum ao longo deste século de tanto sucesso. Se não fosse a virada sensacional contra o Texans, o time teria fechado o primeiro mês da temporada com o improvável recorde de 1-3, levando a crer que estariam com uma espécie de “ressaca” após a virada monumental no Super Bowl LI.

  • A recuperação

Contudo, já vimos este filme antes. Em 2014 o mesmo Chiefs (desta vez jogando em Kansas) amassou o Patriots por 41 x 14 em pleno Monday Night Fooball com direito a uma atuação horrorosa de Tom Brady, no qual os mais críticos até disseram que o tempo dele havia passado, sendo hora dele transferir a titularidade para o emergente QB Jimmy Garoppolo, e o resultado você deve se lembrar: uma virada espetacular de desempenho que os guiou até o Super Bowl XLIX e a eminente vitória incrível contra o Seattle Seahawks, num dos desfechos mais espetaculares que se tem memória.

Em um verdadeiro déjà vu, foi exatamente o que vimos este ano, mas a melhora foi na defesa. Os 32 pontos de média cedidos em Setembro simplesmente baixaram para 11.9 nos meses de Outubro e Novembro, mesmo perdendo jogadores importantes da unidade como o CB Stephon Gilmore e o LB Dont’a Hightower (este último fora de combate desde a semana 6). Neste período, foram oito vitórias consecutivas que os colocaram na liderança confortável da divisão (Bucs, Jets, Falcons, Chargers, Broncos, Raiders, Dolphins e Bills) e encaminharam a classificação para os playoffs da equipe, que se colocava com 10 vitórias e apenas duas derrotas, empatado com o Pittsburgh Steelers na liderança da AFC mas com a desvantagem nos critérios de desempate.

  • A hora da verdade na temporada

Não sei vocês, mas parece que anualmente há uma partida em que o Pats “faz de tudo” para perder pra um adversário da AFC Leste, e neste ano aconteceu na semana 14 contra o Miami Dolphins. A defesa voltou a apresentar um desempenho lamentável e cedeu mais de 360 jardas no confronto, que terminou com a vitória de 27 x 20 para o time do QB Jay Cutler, além da incerteza se este desempenho se alastraria para o final da temporada regular e o eminente playoff que aguardava a equipe.

Na semana 15, uma verdadeira final antecipada da AFC foi jogada entre Pittsburgh Steelers e New England Patriots na Pensilvânia. O duelo não deixou a desejar com relação a todas as expectativas criadas e foi carregado de emoção até o final, afinal, está fresco em nossa memória a recepção monumental do WR JuJu Smith – Schuster que cruzou o campo no minuto final e levou a bola até a linha de dez jardas do campo do Patriots, o posterior passe para TD direcionado ao TE Jesse James que foi anulado e a interceptação lançada por Roethlisberger que selou a vitória para os visitantes que assumiram a liderança isolada do chaveamento geral da AFC. Esta vitória crucial pode ser definida com uma boa dose de sorte, mas como em tudo na vida, a sorte acompanha os campeões e um time tão favorito como o Patriots pode se dar ao direito de carregar um pouco disto ao longo de sua caminhada. As vitórias finais contra Bills e Jets foram apenas um cumprimento de tabela nas duas semanas finais, com a certeza que outra bela temporada estava cumprida e que os playoffs aguardavam.

  • Pós-temporada

Com o direito conquistado de folgar na rodada de Wild Card, o time enfrentou o Tennessee Titans no Divisional e não foi ameaçado: foram no total oito sacks obtidos dentro do confronto (a maior marca da história da franquia em playoff) além de que limitaram o RB Derrick Henry a apenas 28 jardas em doze tentativas. A tranquila vitória por 35 x 14 levou o time até o AFC Championship Game contra o Jacksonville Jaguars e apesar de estarem em certa altura com um déficit de 14 x 03, Brady foi magistral no quarto período para conquistar a vitória por 24 x 20 e assim a classificação a seu oitavo Super Bowl, um número estrondoso.

A temporada de 2017 foi bem ao “padrão Patriots” que estamos acostumados a ver nos últimos anos. Uma defesa que cede bastante jardas, é verdade, mas que no final das contas consegue muitos roubos de bola e com isso cede poucos pontos aos adversários. A linha defensiva, outrora grande preocupação com as saídas de jogadores importantes e falta de profundidade na posição, conseguiu um desempenho decente mesmo sem o DE Derek Rivers, principal escolha do time no Draft que perdeu toda a temporada de calouro. Jogadores como Trey Flowers e Deatrich Wise foram os responsáveis por pressionar o QB adversário ao longo da campanha e a dupla correspondeu bem, com 6.5 e 5 sacks respectivamente.

O grupo de LBs, que sofreu grande parte da temporada sem o seu principal jogador (Dont’a Hightower) se apoiou em jogadores como Elandon Roberts e Kyle Van Noy, atletas nada muito especiais mas que de certa forma desempenharam de forma razoável suas respectivas funções no esquema defensivo. A secundária por sua vez, foi o setor da defesa que menos sofreu com os desfalques, mas por horas teve que conviver com um mal desempenho de seus principais Cornerbacks: Malcolm Butler e Stephon Gilmore foram jogadores bem instáveis ao longo da campanha e demoraram para acertar seu melhor desempenho, reservando para a parte final, o que de certa forma é bem válido.

Já no ataque, as coisas andaram bem como sempre para quem conta com o QB Tom Brady. Foram 398 jardas totais por partida de média, o que rendeu a melhor colocação entre todas as franquias e cresceu os olhos dos outros GMs para o cérebro por trás deste ataque, o coordenador ofensivo Josh McDaniels que assumirá o cargo principal do Indianapolis Colts na segunda-feira.

A súbita ausência do WR Julian Edelman, que rompeu os ligamentos do joelho na pré-temporada foi suprida com a chegada do WR Brandin Cooks, que passou das 1000 jardas de recepção em seu primeiro ano com o Patriots e foi peça fundamental para esticar o campo. O RB Dion Lewis se mostrou um jogador confiável para comandar as ações no jogo terrestre, sendo o principal corredor da equipe e ameaça de grandes ganhos territoriais pelo ar também.

Para o Super Bowl 52, o confronto chave parece ser a linha defensiva do Patriots contra a linha defensiva do Eagles. Este segundo, é rico não apenas em talento mas também em elenco, afinal, são seis jogadores de impacto para se revezarem ao longo da partida para chegarem inteiros no último período. Cam Flemming e LaAdrian Waddle, que alternaram a titularidade na posição de RT desde que Marcus Cannon foi para a lista dos machucados parecem ser os atletas mais pressionados para proteger o QB Tom Brady, que teve outra temporada mágica liderando a NFL em jardas e se colocando como um dos favoritos ao prêmio de MVP da temporada regular.

Este foi o ano do New England Patriots, em que o “Belichick way”, ou a maneira de ser do HC pode ser novamente vista por todos que acompanham o cenário da NFL. O time foi capaz de contornar as variadas lesões que assombraram desde a pré-temporada para não apenas ter o melhor recorde da conferência, mas vencer seus dois jogos de playoff para garantir vaga na grande festa do esporte no próximo Domingo. Vamos ver se Brady conseguirá seu sexto título, o que lhe colocará isoladamente na liderança histórica no quesito ou se Nick Foles e o Eagles conseguirá adicionar o primeiro troféu à sua galeria. Confesso que estou ansioso pelo jogo, e vocês?


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