Como o Dolphins pode vencer o Patriots em 2017?

14 de julho de 2017
Tags: carlos massari, dolphins, Notícias do Dia,

Nas últimas quatorze vezes que enfrentou o New England Patriots, o Miami Dolphins venceu apenas três, sendo que a última delas foi na semana 17 de 2015, em uma partida que era praticamente irrelevante para os dois times. Para piorar a situação, nas onze derrotas do período, muitas foram de lavada.

O torcedor do Dolphins está completamente engasgado com o rival, e o tema sugerido no Twitter para a coluna de hoje foi sobre como conseguir reverter essa situação na temporada que está por começar. Acredito que terminar na frente do Patriots na classificação geral é uma missão quase impossível para os outros três participantes da AFC Leste, mas arrancar uma vitória em um domingo qualquer é sempre possível na NFL.

Não será nada fácil, mas pensando nas duas equipes, é possível imaginar o que os golfinhos de Miami precisam fazer se quiserem ter o gosto doce da vitória sobre os patriotas. Alguns pontos são fundamentais:

1. Estabelecer Jay Ajayi

Um fato do futebol americano é que, se você quer derrotar times que possuem ataques muito potentes, você precisa controlar o relógio. E a melhor forma de fazer isso é mantendo um jogo terrestre funcional e que ganha pequenas porções de campo a cada carregada.

Em 2016, o Dolphins não passou nem perto de ter sucesso no quesito. Na segunda semana, a franquia da Flórida entrou cedo demais em um buraco muito profundo, obrigando Ryan Tannehill a fazer lançamento atrás de lançamento. Jay Ajayi teve ridículas cinco tentativas de correr com a bola, menos até mesmo que o próprio quarterback. Foram só 70 jardas pelo chão. Já no encerramento da temporada, houve uma melhora, mas ainda longe do ideal: dezesseis tentativas para 59 jardas do principal running back, além de mais sete de outros atletas.

A defesa pelo chão do Patriots foi muito eficiente em 2016, com apenas 3,9 jardas cedidas por tentativa. Mas, por outro lado, Ajayi se consolidou como um running back de altíssima qualidade, o segundo melhor da temporada pelo ProFootball Focus. É um atleta de muita velocidade e que teve suas melhores corridas do último ano indo por fora dos tackles. Será fundamental que nomes como Julius Thomas auxiliem de forma positiva para que isso se repita, além, claro, de Laremy Tunsil e Ja’Wuan James.

2. Aplicar pressão interna em Tom Brady

Os offensive tackles do New England Patriots, Nate Solder e Marcus Cannon, são bastante sólidos. É difícil aplicar pressão em Tom Brady pelos cantos, mas pelo meio da defesa há um matchup de certa forma favorável ao Dolphins. David Andrews, center, é abaixo da média. Joe Thuney, guard, foi uma das únicas temeridades do elenco em 2016. E do outro lado existe ninguém menos que Ndamukong Suh.

É um fato que Suh sempre recebe marcação dupla ou até tripla em snaps de pass rush, mas isso abre caminho para que esquemas criativos possam funcionar, com atletas também de qualidade tendo espaço para encontrar Brady. Pode ser que Jordan Phillips evolua e seja capaz de tirar um pouco a atenção de cima de Suh, ou que calouros como Vincent Taylor ou Devin Godchaux sejam a solução.

Para funcionar contra Brady, a pressão precisa vir dos pass rushers naturais, sem que blitzes comprometam a marcação na secundária – ele é mortal quando a mesma está desfalcada. Se for possível derrubar ou apenas atrapalhar o marido da Gisele no momento dos lançamentos, o Dolphins terá uma chance bem melhor de vencer. E pelo menos no papel, a chance parece razoável.

3. Evitar os turnovers

Outro ponto fundamental para vencer uma equipe superior é não entregar a bola de graça a ela. Somados os dois confrontos de 2016, o Miami Dolphins cometeu nada menos que seis turnovers.

Na segunda semana, foram duas interceptações de Ryan Tannehill, um fumble perdido por Jay Ajayi e um por Jarvis Landry. Dois desses turnovers aconteceram antes mesmo da equipe tirar seu zero do placar. Já no confronto da semana dezessete, Matt Morre foi interceptado uma vez e Damian Williams sofreu um fumble.

Turnovers facilitam muito o trabalho de um time como o Patriots, que além de já ter muita qualidade, passam a poder trabalhar com campo curto. O plano de controlar o relógio também vai para o espaço quando se entrega a bola de forma precoce.

Para vencer o Patriots, será necessário que a equipe de Miami tenha um plano de jogo que diminua riscos, colocando Tannehill em situações favoráveis de passe após as muitas corridas de Ajayi. Se houver uma mentalidade agressiva, ela provavelmente favorecerá os atuais campeões.

4. Reshad Jones saudável

O Miami Dolphins tem em seu elenco um dos melhores safeties da NFL em Reshad Jones. Infelizmente, ele não esteve saudável por muito tempo durante a temporada passada, mas quarterbacks adversários tiveram um rating de apenas 42,6 quando lançando em sua direção.

Ter um atleta dessa dimensão ajuda uma secundária que foi judiada por Jimmy Garoppolo e Tom Brady nos dois confrontos do ano passado, com seis touchdowns e nenhuma interceptação. Quando enfrentar o Patriots, TJ McDonald já estará liberado de sua suspensão e poderá fazer uma dupla satisfatória com Jones. O único jeito de parar esse corpo de recebedores aparentemente tão mortal de New England será com o maior número possível de jogadores de qualidade na secundária. E, de preferência, com um craque.

No papel, é possível, apesar de não provável, que o Dolphins arranque uma vitória do rival em 2017. Precisará de muita disciplina, de um plano de jogo quase perfeito e de um daqueles domingos nos quais tudo funciona. Esses confrontos acontecem apenas na segunda metade da temporada, então saberemos muito mais sobre as equipes quando eles chegarem.

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Carlos Massari é o setorista da AFC LESTE. Analisa Patriots, Jets, Bills e Dolphins às quartas e sextas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @massaricarlos