Como justificar a queda de produção de Cam Newton?

26 de setembro de 2017
Tags: Carolina Panthers, Lucas Teixeira, notícias,

Cam Newton teve uma temporada avassaladora em 2015, sendo eleito o Jogador Ofensivo do Ano e também o MVP daquela temporada, em que ele comandou um ataque avassalador do Carolina Panthers, que venceu 15 jogos na temporada regular e só foi parado por Von Miller e sua trupe no Super Bowl 50. Mas desde então aquele nível de atuações praticamente não foi mais visto. Em 2016, o time venceu 9 jogos a menos, e Newton viu quase todas as suas estatísticas (exceto sacks e interceptações) despencarem. Já no começo deste ano, mesmo nas vitórias contra 49ers e Bills – que são adversários notadamente mais fracos – ele foi bastante irregular. E o caldo desandou de vez na derrota para o Saints, onde Cam lançou apenas 167 jardas e mais 3 interceptações em uma defesa que havia sido dissecada por Sam Bradford e Tom Brady nas semanas anteriores.

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Mas afinal, porque Newton não consegue repetir o Super Cam de 2015? Quanto disso é culpa dele e quanto se deve ao seu grupo de apoio? A verdade é que uma parte do colapso ofensivo do Panthers pode ser explicada por lesões. No jogo de domingo, contra o Saints, o time já não tinha o tight end Greg Olsen, e ainda perdeu Kelvin Benjamin, que machucou o joelho. O próprio Newton fez uma cirurgia no ombro antes do training camp, e no jogo contra o 49ers era visível sua falta de ritmo. Do ano passado para este, o time também perdeu Ted Ginn Jr., que partiu justamente para o Saints. Com menos alvos de confiança, o ataque aéreo fica naturalmente mais previsível, com o quarterback usando seguidamente os passes para running backs.

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A linha ofensiva também não é exatamente a melhor da NFL. As maiores críticas aqui recaem sobre Matt Kalil, que chegou na última Free Agency e recebeu um gordo contrato (5 anos e US$ 55 milhões), mas até aqui não foi bom o suficiente para justificar sua titularidade, tampouco os tamanhos valores recebidos. Reparem no GIF acima como o left tackle é presa muito fácil para o defensive end Cam Jordan, e o sack em Newton acaba encerrando precocemente uma promissora campanha que já estava na red zone do Saints. A forma com que as defesas adversárias encaram a linha ofensiva do Panthers também mudou muito desde o Super Bowl 50. Até lá, os coordenadores defensivos tinham receio de mandar blitzes, pois temiam que Newton os castigasse com suas corridas. Wade Phillips então percebeu que boa parte das corridas dele não eram improvisadas, mas sim desenhadas para tal. Se um linebacker responsável por marcar um RB ou TE do Panthers percebesse que este jogador iria ficar apenas bloqueando, ele deveria atacar o QB. Como vocês bem lembram, esta estratégia deu muito certo naquele Super Bowl. E a lição foi aprendida por outros coordenadores defensivos. Isso ajuda a explicar os 36 sacks sofridos em 2016 e os 10 em apenas 3 jogos de 2017 (que, mantendo este ritmo seriam absurdos 53 sacks sofridos no final do ano).

Só aqui já citamos questões de lesões, montagem do elenco e adaptação dos adversários. Todos são pontos em que jogadores, comissão técnica e front office deveriam ajustar e fazer um trabalho melhor. Até o azar influi quando o assunto é ter jogadores machucados. Mas isso não quer dizer que Newton não tenha seus problemas técnicos. Seu footwork e mecânica de lançamento não são os mais refinados que a NFL tem. Claro, ele já era assim quando foi MVP e obviamente ainda é capaz de realizar jogadas espetaculares, mas isso passa a jogar contra ele quando levamos em conta seus problemas físicos e demais fatores citados no texto. Por vezes ele parece focado exclusivamente em um alvo, o que facilita a leitura das defesas (vide GIF acima), além de erros puramente de precisão mesmo (ver GIF abaixo). O Panthers já deixou de anotar alguns pontos fáceis esse ano por causa disso.

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Seria o caso de mudar um pouco a forma como o ataque joga para facilitar a vida de Cam? Em tese, as chegadas de Christian McCaffrey e Curtis Samuel no último draft já indicam isso. Passes mais rápidos para ganhos constantes, ainda que eventualmente menores, sem expor a fraca linha ofensiva e, por consequência, o próprio Newton a pancadas que podem gerar novas lesões. Mas isso é um processo que não levará apenas uma temporada. Enquanto isso não acontece, se Ron Rivera não encontrar uma solução rápida, os playoffs podem rapidamente virar um sonho distante.


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Lucas Teixeira é o setorista da NFC OESTE. Analisa Seahawks, 49ers, Rams e Cardinals às terças e quintas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @lucas_drc