Como Ezekiel Elliott se compara aos melhores RBs calouros da história?

14 de novembro de 2016
Tags: Arthur Murta, cowboys, matérias,

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Running back é uma das posições mais fáceis de se aprender na NFL, ao contrário de QBs e CBs, por exemplo, é bem comum ver um RB contribuindo bastante desde o seu primeiro jogo na NFL. Foi assim com alguns dos grandes nomes na história e está sendo assim com Ezekiel Elliott, que tem tudo para se firmar no alto escalão dos maiores RBs que já jogaram na NFL.

Hoje veremos como a temporada de Zeke pode se comparar a algumas das melhores temporadas de RBs calouros na história. Para simplificar o recorte temporal, vou analisar somente os jogadores que entraram para a Liga depois da unificação da NFL, o que exclui nomes como Jim Brown, o único calouro MVP, e Gale Sayers, que detém o recorde de TDs totais por calouros até hoje (22), mesmo jogando em uma temporada de 14 partidas.

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Vamos então ao que interessa, começando pelo menino Zeke: ele lidera a NFL com 1005 jardas e anotou 9 TDs correndo em 9 partidas disputadas. Além disso recebeu 18 passes para 250 jardas, adicionando outro TD. Isso dá uma média de 111,7 jardas terrestres e 139,4 jardas totais por jogo. Para melhor comparação fiz uma projeção de como seriam os números de Elliott ao longo de 16 jogos, caso ele mantenha o ritmo atual.

correndo

Na figura acima podemos ter um panorama do desempenho correndo de alguns dos RBs que abalaram a NFL saindo da universidade. Alguns deles não passaram de fogo de palha: Mike Anderson por exemplo ganhou uma chance com a lesão de Terrell Davis e voou como calouro em Denver, mas nos ano seguintes perdeu espaço e só teve mais uma temporada com mais de 1000 jardas e 10 TDs em 2005. Após correr para 1487 jardas e 15 TDs como calouro, só conseguiu mais 2580 jardas e 22 TDs nos outros 6 anos em que atuou.

George Rogers sofreu com uma lesão em seu segundo ano e talvez nunca mais tenha sido o mesmo por causa disso. Nas suas 6 temporadas após a de calouro, ele passou das 1000 jardas outras 3 vezes, mas seu único ano notório foi 1986, quando correu para 1203 jardas e 18 TDs. Nada perto das 1600 jardas de calouro.

Alfred Morris e Doug Martin podem estar seguindo os caminhos de Anderson e Rogers, respectivamente. O número de jardas corridas de Morris caiu em todos os anos, e hoje ele é reserva do homem do momento em Dallas. Se ele ainda terá uma chance para liderar um ataque, não sabemos. Martin por sua vez se assemelha a Rogers pelos altos e baixos na carreira. Ele teve duas temporadas em que correu para mais de 1400 jardas e outras duas em que não chegou a 500 atrapalhado por lesões. Na temporada atual ele só apareceu em 3 jogos e o copo está definitivamente meio vazio no momento.

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Se formos classificar esses jogadores pela quantidade de jardas corridas, Ezekiel Elliott está nitidamente na briga para bater o recorde de Eric Dickerson, estabelecido em 1983. Mas alguns fatores precisam ser destacados em uma comparação direta aqui: o primeiro fator é que Dickerson foi mais utilizado que Elliott, o RB do Rams corria uma média de 24,4 vezes por jogo, enquanto Elliott vem correndo 22. Pode parecer pouco, mas no fim de uma temporada isso representa 40 corridas a mais. O segundo fator, que pesa em favor de Dickerson, é que ele jogava praticamente sem jogo aéreo, já que seu QB Vince Ferragamo completou apenas 274 de 464 passes para 3276 jardas, somando 22 TDs e 23 (!) interceptações naquele ano.

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Peterson como calouro dividiu a titularidade com Chester Taylor (que conseguiu suas 844 jardas e 7 TDs naquele ano), caso contrário AP poderia ter tido um ano ainda mais especial, mas seu bom aproveitamento mesmo com menos oportunidades se mostra com as 5,6 jardas que conseguiu por tentativa.

Portis por sua vez demorou até a semana 5 para roubar de vez a vaga do, já citado, Mike Anderson. Com a aposentadoria de Terrell Davis parecia que Anderson teria oportunidade de repetir seus números como calouro, mas aí aconteceu Clinton Portis no segundo round do Draft de 2002. Portis passou de 3000 jardas em dois anos em Denver até que foi trocado para o Redskins pelo CB Champ Bailey em uma das maiores movimentações da história. No total teve 6 temporadas correndo para mais de 1200 jardas na carreira e 4 em que correu para 10 TDs ou mais.

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Ao analisar o impacto desses RBs no jogo aéreo, percebemos como Eric Dickerson ajudou a revolucionar a posição, suas 51 recepções foram tão impressionantes quanto as suas 1808 jardas corridas. Earl Campbell por sua vez quase não era acionado nessa área do jogo. Pode-se dizer que Alfred Morris é um RB à moda antiga? Ele recebeu um total de 49 passes nesses 5 anos de carreira e ainda não fez nenhum TD.

O último jogo contra o Steelers ajudou a alavancar a média de jardas recebidas de Zeke, graças a um TD de 83 jardas que ele conseguiu no final do primeiro quarto. Mas será que ele conseguirá outros desse ao longo do ano, ou será que seus jogos serão como os outros 6 que ele não passou de 20 jardas aéreas? Difícil prever, ele tem a capacidade de explodir um TD longo em qualquer momento do jogo.

No momento Elliott tem a segunda melhor marca de jardas por recepções, atrás apenas de Adrian Peterson.

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Por fim, uma tabela com o total de jardas ofensivas (terrestres + aéreas) desses RBs. Percebemos que Ezekiel Elliott está no passo de bater o total de jardas de Dickerson, e na pior das hipóteses está se colocando em um patamar só alcançado nas temporadas de Dickerson e Edgerrin James. Superar o total de 20 TDs de Dickerson pode ser uma tarefa um pouco mais complicada, mas nada que outros jogos com múltiplos TDs não resolvam.

Campbell é o único que ficou abaixo da marca de 100 jardas ofensivas por jogo. E imaginar que a sua temporada foi algo muito especial na época. Ele inclusive foi escolhido o MVP daquela temporada pela Pro Football Writers of America, mas o prêmio de MVP dado pela Associated Press, que é o prêmio considerado “oficial”, foi para o QB Terry Bradhsaw.

Dissecando essa tabela um pouco mais:

totais

James e Martin são os que mais subiram graças a participação no jogo aéreo. Levando em consideração que todos esses jogadores tiveram volume de jogo diferente (somente Dickerson e James encostaram na bola mais de 400 vezes em seus anos de calouro), resolvi então tentar medir a eficiência desses jogadores baseado na quantidade de  jardas alcançadas pela quantidade de vezes que eles encostaram na bola (corridas + recepções). Há um contraste significativo do total de jardas ofensivas:

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Peterson conseguiu 6,3 jardas para cada vez que pegou na bola e foi o único dessa lista que encostou menos que 300 vezes (257). Seus números poderiam ter sido muito mais expressivos caso não houvesse o Chester Taylor no meio do caminho. Clinton Portis foi o segundo que conseguiu bater a marca das 6 jardas por toque, com 6,1. Elliott está empatado com o lendário Barry Sanders na marca das 5,8 jardas por toque.

Dickerson por sua vez cai para a sétima posição nesse quesito, empata com James com uma marca de 5 jardas por toque na bola e Rogers cai para o fim da lista com 4,6 jardas por toque.

Campbell foi o único que teve uma média de jardas por recepção (4) menor que a sua média de jardas por corrida (4,8). Mas a quantidade de recepções não foi significativa para alterar sua quantidade de jardas por toque, que também ficou em 4,8.

Aonde isso coloca Elliott?

Ezekiel Elliott é tudo o que foi anunciado quando veio de Ohio State e muito mais. Um RB completo que não só corre, mas já se mostrou muito produtivo recebendo passes e extremamente eficiente no bloqueio. Um fator encorajador para os torcedores de Dallas é que a maioria dos nomes dessa lista vieram a fazer temporadas melhores que a do seu ano de calouro nos anos seguintes. Pelo menos os grandes nomes dessa lista fizeram, e é entre esses que esperamos encontrar Zeke quando ele encerrar sua carreira.

O ponto negativo para Elliott é que a sua tabela fica muito mais complicada daqui para frente. Após enfrentar – e se aproveitar – de algumas das defesas mais fracas da NFL parando RBs: 49ers, Browns, Steelers e Bengals. Agora a missão fica mais complicada com jogos contra: Ravens, Vikings, Giants e Eagles.

O ponto positivo é que ele tem espaço para ser mais utilizado em cada jogo. Zeke pode muito bem ser o 8º RB a entrar no “Clube das 2000 jardas corridas”, mas dificilmente conseguirá isso como calouro. Dos 7 RBs a conseguir o feito, o que teve a menor média de jardas por corrida foi Terrell Davis em 1998 (5,1). O aproveitamento por corridas é o mesmo de Zeke, a diferença é que Davis correu 392 vezes naquele ano, enquanto Elliott terá corrido 352 seguindo a média atual.

É muito cedo para falar em MVP?

Não é muito cedo! Elliott sem dúvida fez por onde para entrar na discussão. Mas acho que precisaremos ver um salto de produção – sim é possível – para que isso aconteça. Há um favorecimento histórico aos QBs nessa premiação, e Matt Ryan e Drew Brees estão brigando seriamente para quebrar o recorde de jardas passadas de Peyton Manning. Isso sem contar Tom Brady, que até o jogo contra Seattle vinha em um ritmo insano.

Entre seus companheiros de posição, seu maior rival é David Johnson. O RB de Arizona tem os mesmos 10 TDs de Zeke, mas o supera em jardas recebidas com 453 em 40 recepções. No total Zeke ainda lidera com 1255 jardas ofensivas, contra 1213 do rival.

Tudo pode mudar até o fim da temporada, Elliott pode estagnar, assim como outros nomes podem crescer na competição, mas uma coisa é certa: Elliott não veio para a NFL a passeio, o menino tem fome de bola. Que Dallas o alimente!


Vamos então aos destaques da rodada:

Você pode assistir esses lances e todas as partidas da NFL clicando nesse link.

Jogada ofensiva da semana:

Depois de fazer chover em Pittsburgh, a jogada ofensiva da semana não poderia ter outro dono. 1 ponto de desvantagem, 23 segundos no placar e apenas um tempo para pedir. Correr pelo meio poderia ser arriscado, se não desse certo poderia matar o tempo no relógio e forçar Dallas a um FG longo. Mas por que temer quando se tem Tyron Smith para abrir aquele corredor para Zeke? Uma bela jogada e tão clutch quanto elas podem chegar aqui.

Jogada defensiva da semana:

Em um jogo tenebroso de Alex Smith, só a defesa e o Cairão da massa para salvar o Chiefs mesmo. Nosso chutador tupiniquim anotou 4 bicudas para 12 pontos e o único TD do Chiefs no jogo veio dessa jogada sensacional de Eric Berry. Ótima leitura interceptando um passe para Olsen e na sequência um espetáculo à parte. Chamou o ataque do Panthers para dançar e impulsionou uma vitória extremamente improvável, quando o Chiefs perdia por 17 x 6 no último quarto de jogo.

Momento buttfumble:

Acho que encontramos a jogada mais esquisita do ano. Bortles parecia querer jogar a bola fora, mas quando a maré está ruim, até as coisas mais simples ficam complicadas. A bola bateu no pé de T.J. Yeldon e subiu para ser recuperada no ar pelo time do Texas. A jogada foi dada como um fumble, já que Bortles tinha passado para trás e podemos dizer que é o fumble mais esquisito desde o fatídico buttfumble de Mark Sanchez.


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Arthur Murta conheceu a NFL em 2005 e, desde que pisou no Ralph Wilson Stadium, nunca mais foi o mesmo. Além de uma matéria semanal, também é responsável pela coluna Dicas de Fantasy e co-apresenta o Podcast Liga dos 32. Arthur gosta de fantasy football mais do que gosta de sorvete. Twitter: @murtaarthur