Como a lesão de Deshaun Watson afeta o Houston Texans

3 de novembro de 2017
Tags: paulo cesar, texans, watson,

Na tarde de Quinta-Feira, o mundo da NFL sofreu um choque com uma abrupta notícia que veio de Houston, a casa do Texans. O Quarterback calouro Deshaun Watson sofreu uma lesão durante os treinamentos sem qualquer contato com outro jogador, e como na maioria dos casos neste tipo de situação, o pior aconteceu: uma lesão no ligamento anterior do joelho e a necessidade de uma cirurgia que extirpará um dos, senão o melhor começo de carreira para um QB da NFL. Watson, 12ª escolha geral do Draft deste ano após carreira espetacular em Clemsom, culminando em duas finais universitárias e um título no jogo épico contra Alabama começou sua carreira na NFL com 19 passes para TD (empatado com a maior marca da NFL) e apenas oito interceptações, com mais dois TDs terrestres. Mais importante que isso, a entrada dele como titular foi uma injeção de ânimo e vida dentro da franquia que há tempos precisa de outra face além de JJ Watt, também fora por conta de lesão.

Era notório que Watson não aparentava jogar como um calouro comum em transição para o estilo de jogo da NFL. Companheiros de time e técnicos elogiam diariamente a habilidade dele em ler defesas e se antecipar ao que acontecerá dentro do campo, além claro da mobilidade para atuar dentro e fora do pocket, o que é um desafio mesmo para os QBs mais veteranos dentro da liga. “Sou muito grato ao fato que trabalhei perto de alguns dos melhores QBs da história. E esse cara (Watson) é extremamente preciso. Tem um braço forte, uma boa visão e grande instintos. A capacidade dele de antecipar não é algo que podemos desenvolver, mas é algo que ele trouxe de toda a vida,” declarou o HC Bill O’Brien na última semana.

Mas olhando para a segunda metade da temporada regular, qual o cenário para a equipe que defende o bicampeonato da AFC Sul conquistado nas duas últimas campanhas? Com certeza o cenário não é dos mais positivos, afinal o time já não conta também com JJ Watt e W. Mercilus, ambos líderes da defesa que não atuam mais em 2017.

Em meio ao comentário catastrófico do dono da equipe Bob McNair, que numa frase impensada declarou (sobre os protestos durante o hino nacional) que “os prisioneiros não podem comandar a prisão” e a onda de análises pejorativas dos próprios jogadores e da mídia em geral, o Texans ainda trocou o LT Duane Brown, há praticamente dez anos no time para o Seattle Seahawks, ficando criteriosamente com pouquíssimos jogadores capazes influenciar todos e de liderar e unir o vestiário da equipe, algo que é tão crucial para o bom desempenho de um elenco (pergunte à Ben McAdoo por exemplo). Mesmo sendo apenas um calouro, era inegável a influência positiva de Watson após tomar a liga para si em pouquíssimo tempo e ter atuações espetaculares contra algumas das melhores defesas da NFL.

Na última rodada, a derrota sofrida no tiroteio contra o Seattle Seahawks não diminuiu o brilho do calouro, mas pelo contrário, apenas o fez ganhar novamente os holofotes pelo país: foram 402 jardas aéreas  e quatro passes para TD combinados com 67 jardas terrestres contra a defesa número 1 da NFL em pontos cedidos por jogo. A derrota (quarta em sete jogos) afastou um pouco mais o time da liderança da AFC Sul que no momento é dividida entre Jacksonville Jaguars e Tennessee Titans (ambos com 4-3) e com a evolução diária de Watson, o cenário do tricampeonato de divisão e de uma caminhada consistente nos playoffs da AFC não era utópico para a torcida e mídia.

Agora, entretanto, um recorde positivo da equipe nos nove jogos que restam será um desafio para Bill O’Brien e sua comissão técnica. Após inserir Watson como titular, a média de pontos da equipe por jogo foi de praticamente 35, o que significa que o Texans tinha o melhor ataque da NFL nesta categoria e reacendeu o brilhante WR DeAndre Hopkins, um tanto quanto obscuro com tantas trocas de QBs em sua carreira.

Se há algo para tentar acalmar a torcida, é que Houston está acostumado com este tipo de situação no passado recente. Quando Watson foi inserido como titular, significou a nona mudança de Quarterbacks desde o começo da temporada de 2014 (quando O’Brien deixou a universidade de Penn State e assumiu o time), o que empatado com o Cleveland Browns é a maior marca da NFL no período. Quando qualquer outro time empata algum tipo de estatísticas envolvendo QBs com a franquia de Ohio não é um bom sinal, e o Texans está nesta incômoda situação envolvendo seus lançadores.

O’Brien assinou com o veterano QB Matt McGloin após a lesão de Watson, que por sua vez atuou com o técnico a nível universitário e tem experiência no esquema de jogo da equipe. No próximo domingo contra o Indianapolis Colts é esperado que Tom Savage comece a partida contra o cambaleante rival de divisão como titular, mas após lançar para apenas 62 jardas e sofrer seis sacks e dois fumbles em trinta minutos como titular em 2017, o cenário que McGloin assuma a titularidade em algum ponto desta metade final de temporada está no horizonte, o que deixar o Texans na liderança isolada no quesito troca de QBs desde 2014 (a menos claro, que o Browns nos surpreenda novamente).

Watson, aliás, teve a mesma lesão no ligamento anterior durante sua carreira no College Football. Ainda não há informações sobre quando o calouro fará a cirurgia de reconstrução, mas olhando para o cenário da temporada de 2018, restam praticamente dez meses até a abertura da temporada e pouco menos que nove para o Training Camp, então o relógio já começa a correr para ele se recuperar a tempo de iniciar a próxima campanha. É difícil colocar qualquer prognóstico de recuperação desta lesão tão grave em um calendário, mas ele tem todas as condições de se recuperar a tempo para 2018.

Os confrontos entre Marcus Mariota, Andrew Luck e Deshaun Watson, três QBs relativamente jovens e com muito talento tinham tudo para reviver a cambaleante AFC Sul, tida como uma das piores conferências da NFL nos últimos anos. Contudo, as lesões envolvendo o trio parecem não permitir que isto aconteça, e com dois dos três já fora da temporada (e o terceiro perdendo partidas por conta de lesão) parece que esperaremos mais um ano para isto acontecer. Enquanto isso, o Jacksonville Jaguars tem em Blake Bortles o QB titular mais experiente dentro da divisão, e este é o mundo da NFL que tanto gostamos.

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Paulo César é o setorista da NFC LESTE. Analisa Giants, Cowboys, Redskins e Eagles às terças e quintas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @PcesarPJunior