Colts e sua incompetência em manter vantagens no placar

13 de novembro de 2017
Tags: colts, paulo cesar,

Em meio à toda a polêmica que se instalou dentro do Indianapolis Colts desde que seu principal jogador, o QB Andrew Luck, operou o ombro direito em janeiro deste ano e ainda não conseguiu retornar aos campos para defender a equipe de Indiana (surgindo até boatos de uma possível aposentadoria), muitas pessoas se esqueceram que há uma temporada regular para a franquia em curso, e mesmo que o recorde de 3-7 denote que ele tem passado longe de repetir qualquer sucesso obtido no começo desta década mas principalmente durante toda a década passada, uma análise mais assertiva sobre os resultados das partidas pode nos revelar algumas verdades obscuras.

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O Indianapolis Colts tem sido capaz de regularmente construir uma vantagem durante o primeiro tempo das partidas, mas o time simplesmente implode no período final de jogo e isto custou ao menos cinco vitórias ao recorde da equipe, ou seja, o que é 3-7 poderia naturalmente se transformar em 8-2 ou ao menos em 7-3 nesta altura mesmo sem o Quarterback da franquia atuando. O post de hoje é dedicado à relembrarmos estas cinco partidas em que o time manteve a competitividade durante boa parte do jogo, mas por algum motivo não foi capaz de manter 60 minutos de um nível de atuação aceitável.

Semana 2 – Arizona Cardinals 16 x 13 Colts (prorrogação)

A equipe construiu uma vantagem de sete pontos no intervalo da partida e dez em certo momento do terceiro quarto, mas após isso não pontuaram uma vez sequer e viram sua defesa permitir um TD de 45 jardas do WR JJ Nelson para empatar a situação. O Cardinals teve a chance de vencer a partida ao final do tempo regulamentar, mas o veterano K Phil Dawson errou uma tentativa de FG com o cronômetro zerado e a partida foi para os 15 minutos extras. Lá, o QB Jacoby Brissett foi interceptado em seu próprio campo de defesa, o que só facilitou para que a equipe do HC Bruce Arians fosse até Indiana e saísse de lá com a vitória com a redenção de Dawson.

Resumo: uma vantagem de 13 x 03 no terceiro período se transformou numa derrota de 16 x 13 em casa.

Semana 4 – Colts 18 x 46 Seattle Seahawks

No nobre palco do Sunday Night Football, o Colts foi até Seattle enfrentar o Seahawks e o que já naturalmente seria uma partida muito difícil se tornou “vencível” até certa parte para a franquia, com o time atuando numa grande forma em boa parte da partida principalmente pela defesa, que foi capaz até de anotar um safety contra o ataque comandado pelo QB Russell Wilson. A chave na última sentença é a palavra “parte”, já que novamente o time não foi capaz de manter a competitividade dentro de todo o jogo. Com o jogo empatado em 18 no terceiro quarto, o LB Bobby Wagner retornou um fumble de Brissett até a end zone, o que pareceu ter aberto as porteiras para a equipe de casa: o então desconhecido RB JD McKissic anotou dois TDs longos na segunda parte do jogo, o que só extirpou qualquer remota chance de alguma zebra neste jogo.

Resumo: 21 pontos em sequencia em certo momento do terceiro quarto que afastaram qualquer chance de vitória

Semana 6 – Colts 22 x 36 Tennessee Titans 

O útil TE Jack Doyle foi o único a anotar um TD no primeiro tempo da partida deste confronto divisional que aconteceu no Monday Night Football em Nashville. Parecia que naquele ponto todos os fantasmas do começo de temporada tinham sido exorcizados e que a equipe finalmente seria capaz de manter uma vantagem construída na primeira etapa…só parecia. O Titans voltou com tudo no segundo tempo e anotou 17 pontos no terceiro quarto, incluindo dois TDs muito longos de recepção e corrida que só mostraram o quão desnivelado é o desempenho do time em tão pouca diferença de tempo entre as partidas. O resultado disto já é esperado.

Resumo: uma vantagem de 19 x 09 se transformou numa derrota por 14 pontos na frente do país todo

Semana 8: Colts 23 x 24 Cincinnati Bengals 

Apesar de estarem em divisões diferentes, a proximidade entre Indiana e Ohio permitiu que as equipes criassem uma boa rivalidade entre elas, e novamente a temporada regular reservou um confronto entre eles. O calouro RB Marlon Mack anotou um TD relativamente longo em uma recepção no começo do quarto período que resultou na liderança de 23 a 17 contra o time comandado por Andy Dalton. Mas o cambaleante Bengals foi capaz de sair com a vitória com uma pick-six conseguida pelo DE Carlos Dunlap, que interceptou Brissett e foi até a end zone. A equipe simplesmente não conseguiu nem gastar relógio para manter a vitória e ainda teve a chance da campanha para guiar o K Adam Vinatieri para uma condição aceitável de FG, mas uma tentativa falha de conversão de quarta descida foi mais um punhal nas costas dos pobres torcedores da equipe, que viram outra vantagem se esmigalhar no derradeiro período.

Resumo: o time chegou liderando por seis pontos no último quarto, mas uma pick-six selou a vitória do Bengals

Semana 10: Pittsburgh Steelers 20 x 17 Colts

Por fim, a última implosão do Colts em 2017 (até agora), isto porque foi a última partida da equipe por enquanto. O time recebeu o Steelers em seus domínios e novamente foi soberano nas etapas iniciais do embate. A secundária foi capaz de interceptar Roethlisberger e a defesa no geral reduziu os ótimos Le’veon Bell e Antonio Brown a um nível irreconhecível de produção para a prolífica dupla. No ataque, os WRs Chester Rogers e Donte Moncrief anotaram longos Touchdowns aéreos que por si só deram a vantagem de 17 a 09 após o intervalo, e foi isso. Em um roteiro cinematográfico, o ataque do Colts foi anêmico no resto da partida e não anotou um ponto sequer e o resultado deve estar fresco em sua memória (como está na minha): o K Chris Boswell anotou o FG na vitória com cronômetro zerado e por mais uma vez a equipe saiu derrota em seus domínios.

Resumo: um inoperante ataque no quarto período não segurou uma vantagem de oito pontos

Há várias teorias possíveis para tantas implosões em momentos cruciais da equipe: má preparação física, azar, falta do estabelecimento de um jogo corrido sólido para gastar relógio, etc. Porém a teoria mais aceita é que simplesmente o time não consegue reverter os ajustes feitos pelos oponentes durante o intervalo, ou seja, enquanto o técnico adversário analisa e remonta o esquema em poucos minutos para voltar ao segundo tempo e conquistar a vitória, o Colts parece se manter fiel aquilo que claramente não funciona mais dentro do embate, o que diminui gradativamente as chances de sucesso do time dentro do jogo.

A comissão técnica do HC Chuck Pagano tem grande parcela de culpa no recorde patético da equipe, pois mesmo nas escassas vitórias da equipe contra 49ers (!), Browns (!!) e Texans (sem Deshaun Watson) as três equipes foram capazes de se aproximar no placar nos últimos minutos e por pouco (talvez pelo próprio demérito) também não foram capazes de derrotar a equipe que dá vida à este post. Afinal, quem não se lembra que o Texans liderado por Tom Savage chegou praticamente na linha de gol nos segundos finais e que um strip-sack do LB Jabaal Sheard garantiu a vitória?

O Colts seguirá seu caminho na próxima semana quando receberá o Tennessee Titans em seus domínios no Domingo. A equipe de Nashville, por sua vez, briga com o Jacksonville Jaguars pela liderança da divisão e virá com um claro objetivo na mente: a vitória. Bom, cá entre nós, é possível que o Titans não precise atuar bem por 60 minutos para vencerem este Colts de 2017, concorda?

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Paulo César é o setorista da NFC LESTE. Analisa Giants, Cowboys, Redskins e Eagles às terças e quintas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @PcesarPJunior