Colin Kaepernick seria uma boa contratação para o Seattle Seahawks

18 de maio de 2017
Tags: Colin Kaepernick, Lucas Teixeira, notícias, seattle seahawks,

Ainda não há nada muito concreto sobre o assunto. Mas cresceu muito nos últimos dias a especulação sobre a possibilidade de Colin Kaepernick ser contratado pelo Seattle Seahawks. Tudo começou na última segunda-feira, quando Pete Carroll, em entrevista a um programa de rádio da ESPN em Seattle, foi indagado especificamente sobre a possibilidade de contratar Kaepernick ou Robert Griffin III para a reserva de Russell Wilson. A resposta foi vaga: “Estamos observando a todos. Nós realmente estamos”. O simples fato de ele não ter descartado a possibilidade foi suficiente para ouriçar a imprensa e a torcida. Por diversos motivos, Kap divide opiniões entre os fãs mundo afora. Seria uma eventual contratação do ex-49ers uma boa para Seattle? Desde já eu deixo minha opinião: sim, seria uma boa alternativa.

O atual reserva do Seattle Seahawks é o jovem Trevone Boykin, que fez em 2016 a sua primeira temporada na NFL. Boykin é um ótimo atleta, mas ainda é considerado muito cru tecnicamente (tanto que sequer foi draftado). Em uma eventual ausência de Russell Wilson – que jogou vários jogos lesionado na última temporada e é protegido por uma linha ofensiva de nível bem duvidoso (tema a ser abordado com detalhes em breve) – seria temerário por parte de Pete Carroll e Darrell Bevell colocar tudo nas costas do jovem QB, que, pra piorar as coisas, ainda foi preso duas vezes na atual inter temporada. É prudente, quase necessário, que Seattle busque uma outra opção no mercado.

Quando um time planeja a contratação de um quarterback reserva, geralmente pensa em um jogador que seja o mais parecido possível em campo com o titular, de modo a minimizar as alterações no playbook e facilitar a vida dos demais membros do ataque em caso de mudança. E quando você para pra observar quem se encaixaria nesse quesito para o Seahawks, dentro das opções disponíveis atualmente, despontam os nomes de Kaepernick e RGIII. Ambos, assim como Wilson, são jogadores móveis e que se notabilizaram na NFL enquanto a read option funcionava como plano A de alguns coordenadores ofensivos. Depois que as defesas aprenderam a lidar com essa novidade, ambos não conseguiram manter o mesmo nível de jogo, por não se comportarem tão bem quando é necessário atuar dentro do pocket.

Agora separando Kap e RGIII: quando você analisa o histórico recente de ambos em campo, Kaepernick sobra. Primeiro, porque Griffin tem muito mais problemas físicos. Após ter uma lenta recuperação da gravíssima lesão no joelho sofrida ainda nos playoffs de 2012, problema que também contribuiu para que ele perdesse espaço para Kirk Cousins em Washington, uma lesão no ombro fez com que o jogador perdesse 11 jogos em 2016, já pelo Cleveland Browns. Focando nas estatísticas do último ano, ambos tiveram a mesma porcentagem de acerto nos passes (59,2% – marcas medianas), mas Kap se sobressai aqui por ter cuidado bem da bola: foram apenas 4 interceptações em 11 jogos disputados, enquanto Griffin III lançou 3 em 5 jogos. Evitar turnovers é algo importante para todos os quarterbacks, evidentemente, mas isso é algo ainda mais valioso quando se lembra da função básica de qualquer QB reserva: evitar que o ataque desmorone quando o titular não pode jogar.

A maior ressalva que muitas pessoas tem com Kaepernick é por causa de seus atos fora do campo. Seus protestos durante a execução do hino dos Estados Unidos causou a ira de muitos torcedores e é um pensamento comum entre fãs da NFL que a distração causada pelo personagem que ele se tornou não compensaria o eventual retorno técnico que ele daria. O raciocínio em si é válido, mas eu não acho que ele se aplique aqui. Penso isso porque, primeiro, os protestos não impactaram negativamente no vestiário do San Francisco 49ers. Pelo contrário, Kap ganhou o Prêmio Len Eshmont, que é dado ao “49er que melhor exemplifica o jogo inspirador de Len Eshmont, um original membro do time de 1946 (ano de fundação da franquia)” em votação feita… pelo próprio elenco do 49ers! Além disso, Pete Carroll é notoriamente um ótimo gerenciador de pessoas, tendo acolhido muito bem no elenco diversas personalidades fortes, como Marshawn Lynch e Richard Sherman, por exemplo. Em todo caso, Kaepernick já anunciou que não continuará com os protestos em 2017, seja lá onde ele for jogar.

Concluindo, não vejo motivos para que Carroll e John Schneider não possam pelo menos conversar com Kap e saber de suas intenções para a próxima temporada. Se tudo desse errado, ele poderia ser dispensado ao fim da pré-temporada e vida que segue. Seria um negócio em que o Seattle Seahawks não tem nada a perder.


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Lucas Teixeira é o setorista da NFC OESTE. Analisa Seahawks, 49ers, Rams e Cardinals às terças e quintas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @lucas_drc