quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

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“O Cleveland Browns é uma das grandes decepções da temporada”. Esta frase, repetida quase que incessantemente nos últimos 16 anos, quando a equipe voltou a atuar em Ohio, é uma das mais conhecidas e usadas pelos fãs do futebol americano. A franquia, que nos anos 60 ganhou o título da antiga NFL sob o comando do lendário RB Jim Brown e chegou a três finais da AFC no fim dos anos 80, liderada pelo QB Bernie Kosar, não tem mais o que comemorar há muito tempo. A mudança do time original para Baltimore em 1995 não mudou o fanatismo da “Dawg Pound”, como é conhecida a torcida do Browns, mas parece ter mudado a sorte da franquia, que desde então chegou aos playoffs em apenas uma oportunidade.

Com campanhas medíocres e recordes sem expressão, Cleveland se tornou o time que nenhum jogador sonha em atuar e criou ao redor de toda a organização o que eu chamo de “Cultura do Fracasso”.  A lista interminável de decisões ruins e decepções dentro e fora de campo, tornaram o ambiente quase que insustentável dentro do FistEnergy Stadium, onde um Field Goal bloqueado e retornado para TD, como o da semana 12 contra o rival Ravens no MNF, se tornou uma rotina familiar para torcedores e dirigentes.

O que se ouve atualmente nos bastidores da NFL quando algo de errado acontece com o time é o mantra “Isso é a coisa mais Cleveland Browns que poderia ter acontecido”. Infelizmente, a frase acaba fazendo sentido se analisarmos o histórico recente da equipe, que soma apenas uma temporada positiva desde 2003 – 10-6 na temporada 2007 – e nem assim conseguiu ir para os Playoffs naquele ano. A receita para os recorrentes fracassos é quase sempre a mesma: Seleções ruins no Draft, má administração do dinheiro, Contratações Ruins na Free Agency e problemas dentro e fora de campo durante o campeonato, impossibilitando qualquer tipo de sequência positiva para a franquia. Além disso, a sorte nunca esteve ao lado de Cleveland nos últimos 16 anos, o que também ajuda a entender como o pessimismo se tornou o sentimento mais comum em Ohio.

O Histórico Ruim com QBs

brownsqbjerseyNão existe outra fórmula para vencer e ter sucesso na NFL sem um QB talentoso comandando o ataque do seu time. É muito mais fácil construir uma equipe vencedora ao redor do “Franchise QB” e até a torcida se torna mais paciente quando identifica que o responsável pelo setor ofensivo finalmente foi escolhido. É inegável que Cleveland não tenha buscado no Draft uma resposta para a posição; Tim Couch (1999), Luke McCown (2004), Charlie Frye (2005), Brady Quinn (2007), Colt McCoy (2010), Brandon Weeden (2012), Johnny Manziel (2014). Todos estes nomes, selecionados em sua maioria em posições mais altas, não conseguiram produzir uma carreira de sucesso em Cleveland (Ou em qualquer outro time). A culpa não é só dos Quarterbacks, que tiveram que passar por mudanças na comissão técnica e nunca atuaram ao redor de uma equipe bem estruturada; A falta de sequência e paciência da franquia com os seus jovens jogadores, evidencia os inúmeros problemas de planejamento nas últimas temporadas.

As Trocas na comissão técnica e na diretoria

Bill Belichick, o lendário treinador do New England Patriots, foi o último Head Coach a passar 5 temporadas em Cleveland comandando o Browns, antes ainda da mudança para Baltimore, entre 1991 e 1995. Ao todo, 8 técnicos passaram pela franquia desde então e não conseguiram modificar a filosofia de derrotas e decepções em Ohio. As insistentes mudanças impossibilitam a implementação de um estilo de jogo e acabam forçando a saída de jogadores que não caem no gosto do novo comandante. Cleveland acabou se tornando refém do seu próprio desespero e já não consegue separar o resultado dentro de campo, com a evolução dentro e fora dele.

As atuais situações do Técnico Mike Pettine e do GM Ray Farmer são mais do que suficientes para tirá-los da franquia no próximo ano, mas parece ser mais difícil reconstruir do zero novamente do que insistir com um grupo que pelo menos já vem montando um trabalho há um certo período. Não dá para bancar a dupla em 2016, mas o Browns precisa entender que o tempo está se esgotando e uma nova série de fracassos pode jogar ainda mais a torcida contra o time. Em Cleveland, nem mesmo Sonny Weaver JR, personagem fictício interpretado por Kevin Costner no filme “Draft Day” e responsável pela franquia na trama, teria tempo e confiança por parte da torcida para fazer as suas mágicas.

Escolhas ruins e decisões precipitadas

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Outro fator notável durante a “Cultura do fracasso” instalada em Cleveland é a incapacidade do time em tomar as decisões certas. Sua principal arma ofensiva dos últimos anos, o problemático e atualmente suspenso WR Josh Gordon, nunca teve um recebedor mais jovem ou talentoso ao seu lado para dividir Snaps e assumir a sua função quando os problemas extra-campo voltassem a acontecer. Ao invés disso, Cleveland apostou em QBs de valor duvidoso nas posições mais altas do recrutamento ou em alguns jogadores considerados Busts, como o RB Trent Richardson, o CB Justin Gilbert e o LB Barkevious Mingo. A Free Agency é outro problema para a franquia; O caso mais recente foi a contratação do Veterano Dwayne Bowe, que chegou ganhando um salário de titular e só recebeu a bola em uma das 12 partidas do time no ano.

Em 2015, a equipe já soma 6 trocas na posição de QB e deixará Johnny Manziel atuar nos últimos 4 jogos da temporada para finalmente decidir o que fazer com o camisa 2 no futuro. O cenário caótico, cheio de indecisões e polêmicas fora de campo, transformaram o Browns no principal candidato a primeira escolha do Draft em 2016, posição em que Cleveland precisará ser mais cauteloso e cirúrgico do que nunca.

Existe esperança para o Futuro?

Não há dúvidas que sim. A estrutura da NFL permite que as equipes se reconstruam, mesmo que o processo dure mais tempo do que o esperado. O que precisa ser implantando em Cleveland é uma política de paciência, em que dirigentes, jogadores e técnicos possam criar a situação perfeita para finalmente construírem algo promissor em Ohio. O próximo Draft será decisivo para o Browns, que precisa urgentemente de um QB mais preparado para o nível profissional e não uma aposta, como aconteceu com Manziel. Este será o primeiro de vários passos que a franquia terá que caminhar para voltar a, no mínimo, ser respeitada dentro da liga e se livrar de uma vez por todas da cultura do fracasso instalada desde 1999.

Você acredita no Futuro do Browns ou acha que a equipe continuará fracassando por vários anos? Dê a sua opinião e comente Abaixo. Até a próxima!!

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