Carson Wentz evoluiu em 2017?

5 de outubro de 2017
Tags: carlos massari, eagles, matérias,

Essa é a estreia de uma nova coluna aqui na Liga dos 32. Todas as quintas-feiras, responderei de forma bastante dissecada uma pergunta sobre a atual temporada da NFL. Para ter sua questão analisada, é só mandar no Twitter para @massaricarlos – alguma certamente será escolhida!

Para começar, a pergunta selecionada foi a do Mateus Lima. Ele quer saber se Carson Wentz evoluiu em 2017 até aqui.

Olhando simplesmente pelas estatísticas, parece que sim. Seu rating subiu 11 pontos, de 79,3 para 90,5, o que confere a ele um salto de vigésimo quinto para décimo sexto colocado. A maior diferença é nas jardas por tentativa, que passou de 6,23 para 7,20, mas também se destaca a proporção entre touchdowns e interceptações – de 16:14 em 2016 para 6:2 em 2017.

Porém, existem alguns fatores que podem influenciar na mudança desses números. Um deles é a grande melhoria no supporting cast que o quarterback tem em Philadelphia – as adições de Alshon Jeffery e Torrey Smith conferem, respectivamente, um recebedor de posse, para sempre garantir first downs, e um alvo em profundidade que faltava na última temporada. Corpos de wide receivers mais completos sempre facilitam a vida dos signal callers.

Uma das grandes reclamações sobre Wentz em 2016 era sua tendência ao passe curto. Ele não fazia sua progressão de leituras de forma completa e, quando via seu recebedor primário coberto, normalmente ia imediatamente para o checkdown. Isso explica tanto a baixa média de jardas por tentativa, que como já citado, era de 6,23, como também a porcentagem de passes completados ser o único número melhor na temporada passada do que na atual, regredindo de 62,4% para 60,5%.

Quando se analisa o filme, percebe-se que essa tendência está bastante controlada. O ataque do Eagles em 2017 é construído em passes intermediários, com a grande maioria viajando de 5 a 10 jardas além da linha de scrimmage. São rotas rápidas para as mãos seguras de Jeffery, do tight end Zach Ertz e de Nelson Agholor, que vem em franca evolução na atual temporada.

Wentz masterizou esse tipo de passe e vem fazendo um ótimo trabalho nele. Evoluiu na progressão, sendo possível notar que ele costuma olhar para os dois lados do campo e avaliar a disponibilidade de mais de um recebedor na zona intermediária. A maior parte das jardas aéreas da equipe da Philadelphia vem daí, um estilo eficiente e que requer precisão do quarterback em passes de média distância. Nisso, não há do que se reclamar do segundo-anista.

Mas o fato de ser um segundo-anista significa que Wentz ainda comete muitos erros. O Philadelphia Eagles tem tido sorte que a maioria deles não foi punida. O quarterback lançou duas interceptações na temporada até aqui, ambas em passes curtos que foram desviados na linha de scrimmage e, portanto, não foram totalmente culpa dele. Só que ele é o quarto signal caller com a maior porcentagem de passes interceptáveis na NFL, com 6,4%. Ou seja, nove lançamentos poderiam ter acabado nas mãos dos adversários.

O calcanhar de aquiles de Wentz é o passe longo. Ao analisar todos os passes feitos pelo quarterback do Eagles em 2017 até aqui, fiquei surpreso com a sua falta de precisão quando a bola viaja mais de 25 jardas no ar. Normalmente, ele lança ou muito fraco, ou muito forte, dando todas as chances para a defesa fazer jogadas. Não à toa, o ganho mais longo do ano foi contra o Kansas City Chiefs, logo antes do intervalo, em um lance que o cornerback espalmou a bola para cima e ela caiu no colo de Ertz.

A primeira campanha do Eagles em 2017 é um microcosmo do que Wentz vem fazendo. Primeiro, ele vê Torrey Smith bater Josh Norman em profundidade e disparar para um provável touchdown, mas faz um underthrow que permite a recuperação do cornerback e quase uma interceptação:

Logo em seguida, ele faz uma jogada monumental, escapando do sack e se mantendo vivo por muito mais tempo que o imaginável e achando Nelson Agholor completamente livre para o touchdown que havia errado duas jogadas antes:

Carson Wentz em 2017 é um quarterback dicotômico, de quem você pode esperar precisão em passes intermediários, mas que se torna uma grande caixa de surpresas em outras situações. Pode produzir momentos dignos de highlights, como pode tomar decisões erradas ou errar recebedores abertos em profundidade.

No último domingo, diante do Los Angeles Chargers, mais um exemplo de como o bad Wentz e o good Wentz vivem lado a lado. Outra vez, são jogadas quase consecutivas. Primeiro, esse passe perfeito para Zach Ertz, exatamente como manda o manual:

Só que imediatamente após esse grande ganho, ele força um passe longo para um recebedor muito bem coberto e mais uma vez leva sorte de não ser interceptado:

A conclusão é que sim, Carson Wentz evoluiu em seu segundo ano, tanto pela maturidade comum a um jogador de segundo ano em relação a um calouro, como pelo melhor corpo de recebedores que tem à sua disposição. Apesar disso, ele comete erros de um quarterback inexperiente, que são normais para um segundo-anista e devem ir desaparecendo com o tempo. O Philadelphia Eagles não tem sido punido por eles porque está contando com a sorte, mas a estatística de dois passes interceptados em nove que poderiam ter sido turnover é impossível de se manter.

Eu particularmente acredito que Wentz será um dos melhores quarterbacks da NFL dentro de cinco anos, mas que hoje é um grande exagero colocá-lo no top 10 da liga. Falta mais maturidade, que continua vindo com o tempo, e, principalmente, aprimorar essa grande fraqueza em profundidade.

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Carlos Massari é o setorista da AFC LESTE. Analisa Patriots, Jets, Bills e Dolphins às quartas e sextas aqui no site. No projeto setoristas, falamos dos 32 times a cada duas semanas! Siga-o no Twitter para acompanhar mais da cobertura dessa divisão e debater sobre as matérias: @massaricarlos