sexta-feira, 5 de Janeiro de 2018

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Há alguns dias, a ESPN americana fazia um grande suspense sobre uma matéria que seria publicada e traria informações de bastidores sobre a relação entre o trio de ferro do New England Patriots – Belichick, Kraft e Brady. Algumas revelações foram feitas com base em fontes anônimas (até aí algo comum no jornalismo).

Começando pelo que todo mundo já sabia e que foi um motivo de desentendimento divulgado por repórteres diferentes – o personal trainer particular de Brady começou a desagradar Belichick. O técnico do Patriots deu liberdade a ele dentro do centro de treinamento da equipe e, com o passar dos anos, jogadores e mais jogadores do elenco passaram a seguir recomendações do tal personal mesmo quando elas iam de encontro às do staff de New England. Nem foi o primeiro nem o último caso em que Brady e Belichick discordaram um do outro na forma de pensar e agir.

O ponto mais importante da matéria aborda uma suposta ordem do dono Robert Kraft para que Bill Belichick trocasse Jimmy Garoppolo. Não é possível minimizar isso aqui. Interferência total em uma decisão importantíssima que sempre coube a Belichick fazer e não só ele nunca aceitou esse tipo de coisa como desde o primeiro dia que chegou na franquia isso nunca havia acontecido. Se é que aconteceu, pois estamos analisando a matéria da ESPN e tomando as afirmações como devidamente apuradas. Tom Brady não foi colocado como vilão nessa troca. Se ele teve alguma participação ao ponto de pedir ao dono da franquia que fizesse ela acontecer, não foi algo relatado na matéria. A ESPN afirma que Brady ficou muito feliz quando Jimmy Garoppolo foi pra o 49ers e só. Como uma pessoa muito competitiva e que vê a carreira próxima do fim, não é algo condenável imaginar que ele tenha gostado da saída do seu reserva, já que Jimmy G era sim uma ameaça crescente a Brady por sua qualidade. Jimmy queria jogar e a cada ano que passa, Tom não está mais novo, então a transição estava se desenhando e em algum momento ia acontecer.

Se ia acontecer na temporada seguinte a Brady ser um candidato forte a MVP é de se duvidar, mas que era uma coisa que Belichick já vinha pensando, isso é claro. Sempre foi um treinador/GM que antecipa seus movimentos. Claramente pela qualidade que Garoppolo demonstrou no Patriots e 49ers, New England teria uma transição com uma boa probabilidade de sucesso, dando à franquia um jovem QB com muitos anos pela frente na liderança de, talvez, uma nova era de sucesso. Colocando isso de lado, Kraft tem o direito como dono de exigir o que supostamente exigiu. A questão gira em torno de Belichick e se ele aceitaria isso. Mas mesmo que tal fato tenha ocorrido, pode ser superado graças a boa relação de longos anos e muito sucesso entre eles.

Em nota oficial, o New England Patriots se manifestou sobre o caso afirmando que “nos últimos 18 anos, os três tiveram uma relação de trabalho muito boa e produtiva”. A declaração oficial chamou a matéria da ESPN – e outras no mesmo sentido – de “mera especulação sem substância, exagerada e que não condiz com a verdade”. A verdade, no entanto, é que ocorreram atritos entre os três pilares do time e isso é inegável. Porém, esse tipo de coisa aconteceu todo ano nos últimos 18 anos. É normal que aconteça. A diferença é que a ESPN traz em sua matéria uma descrição de um fato de maior gravidade que o caso do personal trainer de Brady: interferência direta do dono em uma troca de um jogador vital para o futuro da franquia. O tempo vai dizer se isso realmente aconteceu ou não e até que ponto quebrou a confiança entre eles.

O Patriots hoje tem mais combustível e união que nunca para brigar por mais um Super Bowl. Em casos desse tipo (spygate, deflategate) em que a mídia expôs algo que na visão da equipe era uma tentativa de tumultuar o ambiente, o time respondeu com títulos. Sobre o trio Kraft, Belichick e Brady, saberemos se continuam juntos ou não ao final da temporada.

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