As motivações e os impactos da troca por Sam Bradford

7 de setembro de 2016
Tags: Arthur Murta, Bradford, eagles, matérias, vikings,

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É sempre interessante analisar uma troca entre times que estão em diferentes estágios do seu trabalho, como foi o caso da troca envolvendo a ida de Sam Bradford para o Vikings enquanto o Eagles recebe a escolha do Vikings na primeira rodada de 2017 e a escolha de quarta rodada do Draft de 2018 pelo seu QB titular. Essa escolha de 2018 pode se transformar em uma escolha de segunda rodada caso Bradford jogue mais que 80% dos snaps e vença um Super Bowl.

Quando acontece uma troca dessa magnitude, as pessoas tendem a pular rapidamente em conclusões sobre quem “venceu” e quem “perdeu” a troca e se esquecem que há uma possibilidade em que os dois times “vençam” a troca. E no final das contas, os dois lados só acertaram porque acreditaram que estariam melhorando o seu time a curto prazo (Vikings) e a médio prazo (Eagles). Vamos então procurar entender o que se passou na cabeça dos dois times para que suas direções fechassem o acordo:

MOTIVAÇÕES DO VIKINGS:

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O time que ganhou a NFC Norte no ano passado tem uma base talentosíssima para tentar repetir a dose, mas apesar de terem muita juventude na defesa, sua maior estrela é Adrian Peterson, um dos maiores RBs da história que vai chegando aos seus últimos suspiros na NFL, o Vikings tem pressa! E a lesão que tirou Terry Bridgewater da temporada foi um choque tremendo para uma equipe como o Vikings faltando duas semanas para o início da temporada regular. Sabendo disso, o GM Rick Spielman convocou seus Scouts para junto do treinador Mike Zimmer e sua comissão técnica avaliarem quais as opções que estariam disponíveis e descobriram algo que vários times aprenderam duramente na última offseason: a oferta de QBs confiáveis é menor do que a quantidade de times precisando de um. Mas a ideia de ter Shaun Hill comandando a equipe e sem uma boa opção caso Hill falhasse era aterrorizante demais para ser ignorada.

Não gostaram das opções disponíveis no mercado de Free Agents, tentaram imaginar alguns possíveis cortes e não se empolgaram com as possibilidades, então começaram a interrogar os times com alguma profundidade de QBs se havia alguma possibilidade de trocarem por um de seus reservas. Todos os candidatos sabiam do desespero do Vikings e com isso não cobrariam um preço barato em uma troca. Segundo o próprio GM Spielman disse: “os times perceberam que tinha cheiro de sangue na água”, e quiseram se aproveitar disso. Sabendo que o preço seria caro, o time se focou em analisar vídeos e mais vídeos de QBs ao redor da liga e chegaram ao nome de Sam Bradford. O desafio seria conseguir tirar o titular do Eagles faltando 8 dias para o primeiro jogo da equipe.

O Eagles assim como os outros times contactados, pediu um preço alto para liberar o seu QB, mesmo ele tendo apenas dois anos de contrato pela frente, mas Sam Bradford tinha bons amigos advogando por ele em Minnesota, entre eles o técnico de Tight Ends: Pat Shurmur. Este estava no Rams quando Sam Bradford foi selecionado com a primeira escolha do Draft de 2009 e recebeu o maior contrato de calouro da história da NFL, um ano antes das novas diretrizes contratuais terem sido fixadas.  Os dois voltaram a trabalhar no Eagles em 2015 e agora pelo Vikings voltam a se encontrar em uma terceira equipe diferente.

Há um outro fator que fez o time do Vikings considerar seriamente Bradford, ao rever os jogos dele no ano passado, puderam perceber um QB realmente eficiente em passes longos, especialmente na reta final da temporada. Algo que gerava até mesmo uma incompatibilidade entre Teddy Bridgewater e o esquema Air Coryell, que o Coordenador Ofensivo Norv Turner trouxe dos tempos que era reserva de Dan Fouts no Chargers. A falta de um alvo #1 dominante prejudicava Bridgewater, mas a falta de força no seu braço também não é a ideal para o sistema ofensivo funcionar. Isso não quer dizer que o time vai abandonar a corrida e começar a soltar bombas e mais bombas em profundidade pro calouro Laquon Treadwell, pro Stefon Diggs e para o TE Kyle Rudolph, não se enganem.
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Mas Bradford possivelmente dará maiores possibilidades de Treadwell se desenvolver do que o próprio Bridgewater daria. O time vai continuar funcionando em torno da sua defesa que terminou no Top 5 da temporada passada e colocando a bola na mão de sua principal arma: Adrian Peterson. Curiosidade aqui é que o último ano de AP em Oklahoma foi o primeiro de Sam Bradford na mesma universidade, poderão se reencontrar agora depois de uma década completa.

Sam Bradford teve uma carreira extremamente frustrante, especialmente se considerarmos as grandes expectativas sobre ele, mas verdade seja dita que ele nunca esteve em um time com um jogo corrido tão bom para tirar o peso de suas costas. No Rams eles esteve cercado por armas limitadíssimas e tinha a responsabilidade de carregar o ataque praticamente sozinho, já no Eagles ele chegou no meio do último ano de Chip Kelly e esteve presente no caos que foi o final da passagem do polêmico treinador/GM.

Mas e as chances de dar errado, sem contar as altas escolhas gastas? Sim, elas existem e as preocupações são muitas: Bradford tem um histórico de lesões que desagrada qualquer plano de saúde, sem contar o fato de nunca ter levado um time para a pós-temporada e ter uma média de TDs por Interceptações muito ruim. Também tem razão quem diz que ele terá muito pouco tempo para aprender o sistema ofensivo (o quarto esquema ofensivo que ele aprenderá em menos de 2 anos). Mas qual seria a solução para o Vikings? Confiar em Shaun Hill, que não começa jogando uma partida oficial desde 2014, para levar o time até o Super Bowl? Por mais caro que tenha sido, o Vikings é um time melhor com Bradford do que era só com o Hill e o preço pago é o preço de quem tem muita pressa e poucas opções.

 

MOTIVAÇÕES DO EAGLES:

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Há quem diga que a história de Bradford em Philadelphia era a crônica de uma morte anunciada. Após o time renovar com o jogador por dois anos e um alto salário e contratar Chase Daniel para ser seu reserva, o time ainda foi atrás da 2ª escolha geral pertencente ao Browns e a usaram para selecionar o QB Carson Wentz, promessa de futuro na franquia. Bradford ficou muito insatisfeito com a decisão agressiva da franquia nas vésperas do Draft e pediu para ser trocado para um time que o enxergasse como uma solução definitiva e não uma ponte para um novo talento. Na época o Eagles botou panos quentes na situação, disseram que Wentz seria o terceiro reserva enquanto evoluía e que Bradford era o dono da posição. Situação aparentemente resolvida.

Apesar de contar com Bradford para ser o titular e investir todo o Training Camp trabalhando com o jogador, é verdade que o Eagles tinha feito investimentos altamente custosos na posição: seja no peso da folha salarial com Bradford e Daniel; seja no caminhão de escolhas oferecidas para o Browns na troca em que subiram no último Draft e selecionaram Wentz. No total a franquia entregou para o Browns as escolhas de terceira e quarta rodada em 2016, a de primeira rodada em 2017 e a de segunda rodada em 2018.

Ao enviar seu QB titular para o Vikings, o time de Philadelphia não só se livrou de um alto peso na folha salarial, mas também volta a ter uma escolha na primeira rodada do próximo Draft e podem até mesmo recuperar uma escolha de segunda rodada em 2018. Mesmo considerando que a escolha que o Eagles deu para o Browns no ano que vem tem altíssima probabilidade de ser bem melhor que a escolha que eles receberam do Vikings, ainda assim é um alento para um time que fez uma movimentação ousadíssima.

Caso o time do Eagles tivesse com uma base montada e boas chances para esse ano, esse movimento teria sido muito contraditório, mas não é o caso. Doug Pederson estará no seu primeiro ano no comando da franquia e aliado a todo desbande proveniente da era Chip Kelly, são fatores que tornam uma reconstrução algo esperado pelos torcedores. Wentz terá a chance de aprender a ser um QB da NFL enquanto adquire experiência de verdade em campo. Seria inocência da minha parte que a falta de expectativas em Wentz não irá existir porque o time não está brigando por nada. Ele será muito pressionado sim sempre que estiver em campo, são os ônus e os bônus de ser uma escolha tão alta no Draft. Ele será cornetado a cada interceptação e a avaliação do trabalho do GM Howie Roseman em Philadelphia também vai estar atado ao seu sucesso ou fracasso.

Mas é melhor que o Wentz aprenda a lidar com essa pressão agora do que no ano que vem, quando o time já deverá estar em um estágio mais avançado do trabalho de Roseman e Pederson. Se a troca não serviu para inverter a balança de perdas e ganhos de escolhas do Eagles, pelo menos eles conseguiram recuperar parte do investimento altíssimo em Wentz. Caberá ao calouro mostrar que ele vale cada uma das escolhas gastas.

E quanto a Chase Daniel? Bom, esse continuará como o reserva do time, mas para um titular diferente. Não sei se o Eagles dizia que ele seria o segundo QB do time para justificar o alto investimento antes da decisão de trocar pelo Wentz, ou então o Daniel realmente mostrou que não estava pronto para a missão, enquanto o calouro mostrou sinais de progresso.

O tempo dirá se algum time venceu essa troca ou então se os dois venceram. Mas se tiveram duas pessoas que já são vencedoras nessa história são os dois QBs envolvidos: Bradford vai fazer parte do melhor time desde que chegou à NFL e Wentz vai ter sua chance de brilhar logo cedo. E que venha a temporada para nos matar essas e muitas outras curiosidades.

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Arthur Murta conheceu a NFL em 2005 e, desde que pisou no Ralph Wilson Stadium, nunca mais foi o mesmo. Além de uma matéria semanal, também é responsável pela coluna Dicas de Fantasy e co-apresenta o Podcast Liga dos 32. Arthur gosta de fantasy football mais do que gosta de sorvete. Twitter: @murtaarthur