quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

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O Super Bowl LII está chegando e, no aspecto tático, não se fala em outra coisa senão na Run/Pass Option do Philadelphia Eagles. Aqui veremos como Nick Foles e cia usam esse conceito e como o New England Patriots pode se defender de maneira eficiente contra ele. Para mais detalhes da RPO (Run/Pass Option), leia esse texto da nossa série tática.

Resumindo, esse conceito coloca a linha ofensiva para bloquear como se fosse uma jogada terrestre, ou seja, indo para frente e não recuando como costuma fazer na proteção para um passe. Só com esse movimento da OL, a defesa já se confunde quanto ao que virá no lance. Além disso, os recebedores correm suas rotas normalmente. A linha bloqueia para a corrida e os recebedores se preparam e correm para receber um passe. Afinal, é corrida ou passe? A resposta é os dois. Pode ser qualquer coisa e isso só vai ser definido pelo quarterback durante a jogada. Ele vai ler o defensor chave e decidir se entrega a bola para a corrida ou se faz o passe.

O defensor chave costuma ser um linebacker ou safety, comumente um jogador com dupla responsabilidade: ajudar contra a corrida ou defender o passe, dependendo da chamada. Se o defensor chave recua, acontece uma corrida, mas se ele avança para combater o jogo terrestre, o quarterback faz o passe. É bem difícil se defender contra a RPO porque ela foi criada para estar sempre certa e a defesa sempre errada a cada snap.

Primeiro, seguem abaixo alguns exemplos de como o Philadelphia Eagles tem utilizado a RPO.

Observe a linha bloqueando para frente, nesse caso lateralmente também em uma Outside Zone Blocking. O defensor chave destacado em amarelo segue o fluxo para tentar conter uma possível corrida, o que deixa um recebedor completamente livre no espaço aberto para Nick Foles. Nesse tipo de jogada, Foles observa não só o linebacker que destacamos no vídeo, mas também se há marcação homem a homem no recebedor em “motion”, o que prejudicaria a jogada.

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Doug Pederson, técnico do Eagles, declarou: “nunca estive exposto a RPO na minha carreira como jogador ou treinador. Foi algo que estudamos e a cada ano passamos a incorporar no nosso ataque”. Nick Foles, quarterback do time, se mostrou um fã do conceito: “você nunca sabe quando vamos usar porque tudo parece igual a qualquer outra jogada”. É justamente aí que reside o maior perigo para o Patriots. Não basta pensar em uma forma de parar uma chamada RPO, mas também identificar a jogada rapidamente.

Mesma coisa no vídeo acima. A OL bloqueia para a corrida – indo para frente – e os recebedores correm suas rotas normalmente. Assim, o QB escolhe o que fazer no chamado “mesh point” que é quando ele decide se entrega para o RB ou se puxa a bola e faz o passe. A leitura foi em cima do Safety Harrison Smith, um dos melhores da NFL em sua posição. Ele, destacado no vídeo, acredita ser uma corrida e avança somente para abrir espaço e permitir um lançamento fácil por parte do quarterback do Eagles.

Uma fator limitador da maioria das RPOs e que pode ajudar o Patriots é o fato de que no Philadelphia Eagles – bem como na maioria dos times – a leitura fica limitada à metade do campo. Analisando todos os passes de Nick Foles, em 100% deles a bola foi lançada no lado em que estava alinhado o running back. Ou seja, RB do lado esquerdo, passe para o lado esquerdo. RB do lado direito, passe para o lado direito.

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Isso é normal porque o defensor chave será, na grande maioria dos casos, um LB ou safety alinhado no lado que o RB está posicionado. Alguns times do College já incorporaram conceitos mais avançados de RPO para permitir um passe para qualquer lado através de uma dupla leitura. Não é o que o Eagles quer com Foles. Philly vai manter essa leitura básica para não complicar para o seu QB reserva.

COMO O PATRIOTS PODE SE DEFENDER DA RUN/PASS OPTION

Homem a homem

O método mais simples e objetivo para combater a RPO é utilizar a marcação homem a homem o jogo inteiro. Não só por parte dos defensive backs, mas também dos linebackers ao serem designados para cobrir um tight end no slot, por exemplo. Com todos os defensores – CBs ou LB/Safety que estejam no segundo nível da defesa – em marcação homem a homem, quando Nick Foles fizer a leitura do defensor chave, a única opção será entregar para a corrida porque o referido atleta recuará sempre na cobertura.

No entanto, apesar de ser a solução óbvia, ela não é o meio mais eficaz porque nenhum time consegue jogar um jogo inteiro no homem a homem sem se cansar ou se tornar muito óbvio para o oponente. E o Patriots não é uma equipe que busca soluções fáceis. Certamente Bill Belichick não é assim.

– Rotação de Safety no método comum e no método Nick Saban

Como mostra a imagem acima, assim que acontece o snap, o safety do lado que está alinhado o running back avança com tudo para o box e oferece ao linebacker daquele lado – que é a leitura do QB – a possibilidade de combater o jogo corrido ou ao menos de fortalecer o pass rush em uma blitz. Basicamente, o safety sobe para cobrir quem o LB em destaque na figura cobriria. Isso faz com que o linebacker não fique indeciso sobre se tratar de um passe ou uma corrida porque ele não tem mais nenhuma responsabilidade contra o passe. Há um safety ali agora. Inclusive, esse safety vai cobrir um recebedor, mas se a jogada for por terra, será mais um homem próximo da bola.

 

Nick Saban – técnico de Alabama e amigo pessoal de longa data de Bill Belichick – já enfrentou vários times que usam RPO no College e ninguém duvida que ele pode – em off – ajudar seu amigo Bill a limitar o ataque do Eagles. Saban tem vários remédios contra a RPO, sendo a rotação do safety o mais utilizado. Porém, ele faz isso com um pequeno ajuste em relação ao método mais comum.

Alabama costuma colocar um safety no box logo após o snap e inverter os papéis. O safety tem responsabilidade de parar a corrida ou pass rush, dependendo do que o ataque fizer, enquanto o linebacker fica na marcação do recebedor. Ambos com apenas uma função para que não sejam “lidos” pelo QB e fiquem sem reação. Foles não terá a opção “defensor chave avançou, passe a bola e se recuar entregue para a corrida”. Justamente porque ficou para o safety uma dessas funções. Nessa rotação, nem o linebacker nem o safety precisa tentar adivinhar se é passe ou corrida, pois independentemente do que seja, o safety avança para cima da OL e o linebacker recua com o recebedor.

– Blitz de Defensive Back no Mesh Point

Foi explicado no início que a RPO do Eagles – e da maioria dos times – lê apenas um jogador e é um defensor que está do mesmo lado do running back. Sendo assim, o ataque está voltado exclusivamente para um lado co campo.

Caso o Patriots queira ou precise ser agressivo, uma blitz de defensive back – seja o nickel CB ou um safety por ali – pode ser fatal. A linha ofensiva estará ocupada com os pass rushers habituais de New England, então provavelmente o defensive back na blitz teria caminho livre no lado cego de Nick Foles e sem nenhum RB à esquerda do QB para tentar conter o sack e, talvez, o fumble. Se Belichick optar por essa chamada, ela pode mudar os rumos do jogo.

 

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7 Comentários

  1. Douglas Vinicius on

    Queria conseguir fazer leituras do tipo vendo o jogo
    Quando dá mastigado nessas analises taticas parece até “fácil” fazer essa leitura pré snap de casa, o que não é verdade.

  2. Durante o jogo precisa ter o olho bem “treinado” para pegar em tempo real! Com o tempo você acostuma.

  3. Douglas Vinicius on

    Comprei um caderno para ir fazendo anotações em cima das séries táticas, isso me ajudará bastante também

  4. Douglas Vinicius on

    Além de me ajudar a aprofundar melhor no esporte, preciso melhorar minhas leituras pré snap no Madden, une o útil o com o agradável hahaha

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