Afinal, o que se passa com o LA Rams?

29 de setembro de 2016
Tags: igor seidl, rams,

rams-intro

O começo do Rams em LA vem sendo irregular no desempenho e nos resultados, como é de costume com o time, mas com uma grande diferença em relação ao histórico recente da franquia: uma campanha 2-1, a primeira em 10 anos sob o comando de Jeff Fisher, e também a primeira vez em que o time fica acima 50% de vitórias desde a semana 6 de 2006. Não é à toa que se trata da franquia com o maior número de derrotas nos últimos 10 anos (sim, mais derrotas do que os Browns). A grande pergunta é: quem é o Rams desse ano? O time que perdeu de 28 a 0 do “poderoso” 49ers ou o que bateu o Seahawks permitindo ao time de Seattle apenas 3 pontos? O time incapaz de pontuar dos 2 primeiros jogos ou o que marcou 37 pontos na ultima partida contra o Bucs?

A resposta, como era de se esperar, é algo intermediário, o que no caso do Rams já pode ser até mesmo um avanço em relação às últimas temporadas. Com o potencial QB da franquia ainda sendo protegido no banco, o time tem muito o que se acertar para sonhar com dias melhores – especialmente no ataque que em nada lembra o poderoso time da virada do século.

Leia mais: The Greatest Show on Turf

Case Keenum teve uma atuação mediana no último jogo, daquele tipo que, se não fosse por um bizonho pick 6 soltado em passe pelo meio após encarar desavergonhadamente o seu recebedor, indicaria a capacidade para atuar de game manager. Sim, o termo de QB game manager é usado muitas vezes pejorativamente como indicação de que o QB em questão faz só o necessário para não estragar o restante, evitando turnovers e se apoiando no jogo corrido ou jogadas simplificadas para deixar a defesa garantir o resultado, mas no caso do Rams ter um game manager já seria uma melhoria. Case Keenum pode desempenhar esse papel como fez na última partida, especialmente se parar com erros bobos, mas uma questão relevante para a franquia é: se não há uma expectativa de sucesso imediato baseada apenas na combinação defesa e game manager, não seria mais vantajoso já colocar seu QB calouro à prova para dar a ele mais experiência?

A resposta dada pela organização até o momento é um sonoro não. Pode-se sempre recorrer ao exemplo de Aaron Rodgers e seu longo período no banco antes de assumir a franquia, mas é igualmente possível ver o caso imediato da escolha de número 2 no draft desse ano, Carson Wentz, que vem tendo uma atuação excepcional nesse começo de carreira (mesmo quando tudo na pré-temporada indicava que ele ainda não estaria pronto para jogar). A pressão para colocar logo a primeira escolha do draft em campo só deverá aumentar se Case Keenum não se estabilizar ao longo das próximas 2 ou 3 partidas.

Infelizmente os problemas do ataque do Rams não estão confinados à situação da posição mais importante do jogo. Consultando as estatísticas do site pro football reference até o momento, podemos verificar que o Rams tem o pior ataque no geral da liga, sendo o último no jogo aéreo e o 29 no jogo corrido. O time vem tentando achar forma de manter Tavon Austin envolvido no plano de jogo e Todd Gurley, apesar não estar sendo espetacular, vem sendo sólido como corredor, mas é basicamente isso. Sem outras opções de recebedores e sem uma grande linha ofensiva o time se desdobra para tentar manter alguma produção ofensiva. A aposta é em jogadas curtas de passe e algumas gracinhas para tentar extrair o máximo do limitado elenco e até agora os resultados não são dos melhores. O Rams é o 8º time com o maior número de campanhas ofensivas até agora na liga, muito em função da boa atuação da sua defesa, que devolve a bola para o ataque e pela baixo rendimento do próprio ataque, que não aproveita as oportunidades e coloca a defesa novamente em campo rapidamente. Na média são apenas 5 jogadas e 19,1 jardas por campanha, respectivamente o 27º e 32º lugar na liga.

Assim, respondendo a uma das perguntas iniciais, a expectativa é que o verdadeiro ataque do Rams seja o que marcou 9 pontos na soma das 2 primeiras partidas. Considerando a falta de grandes recebedores e a incerteza na posição de QB, a única saída visível para o Rams melhorar no ataque seria o desenvolvimento da sua linha ofensiva, já que o time investiu pesado no draft nela nos dois últimos anos, permitir um ataque corrido mais eficaz.

.

Uma defesa que joga menos do que seu nível de talento.

Talvez esse seja o maior problema da equipe se a visão empregada for a do custo/benefício. O ataque tem sim grandes problemas mas o fato é que fora a seleção do seu potencial QB do futuro esse ano e de algumas peças para a linha ofensiva nos últimos drafts o lado ofensivo da bola não recebeu a mesma atenção que o lado defensivo. O Rams vem investindo pesado no lado defensivo do jogo por muitos anos e possui grandes jogadores na defesa como o impressionante e absolutamente dominante Aaron Donald, que é discutivelmente o melhor jogado de linha defensiva da liga atualmente, e jogadores muito bons como o LB Alec Ogletree. Aliás, a linha defensiva do Rams que conta também com o DT Michael Brooks e o DE Robert Quinn é umda as melhores da liga, especialmente contra o passe onde é estatísticamente a 9ª melhor da liga. Infelizmente, a defesa contra o jogo corrido não vem no mesmo nível, sendo apenas a 19ª da liga. Dados os investimentos e o potencial existente na defesa do Rams, seria de se esperar um resultado geral melhor do que a atual 7ª posição, mas o problema é que a secundária vem deixando a desejar. Quando a pressão da sua ótima linha ofensiva chega aos QBs adversários a secundária até consegue dar conta do recado, mas é só não haver sack, hit ou pressure no QB e as coisas mudam radicalmente. Dessa maneira, o resultado como um todo da defesa do Rams fica nas mãos da sua linha defesniva e do confronto desta contra linha ofensiva adversária. Basta o pass rush não funcionar para a fraqueza da secundária ficar mais exposta.

Dessa maneira, me resposta a outra pergunta realizada inicialmente, ao que tudo indica o Rams conseguirá manter uma defesa física e dominante contra times com fraquezas na linha ofensiva ou QBs que seguram a bola por mais tempo, mas não se trata em absoluto de uma defesa completa – como por exemplo a do Vikings.

No final, o que se passa com o LA Rams é que essa é mais uma franquia em permanente modo de reconstrução. Possui alguns grandes jogadores e potencial, mas as peças não dão sinais de irão engrenar ainda nessa temporada.

Postagens Relacionadas









Igor Seidl conheceu a NFL com o SB XXVII, mas só voltou a assistir seriamente a partir de 2008. Desde então, busca aprender mais sobre o esporte. É editor da Liga dos 32, produz uma matéria semanal e faz revisões. No twitter: @igorseidl