sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

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Um dos melhores jogadores de toda a NFL entre o final da década passada e o meio desta foi colocado na lista dos machucados recentemente, encerrando a sua participação na temporada de 2017. Falo de Adrian Peterson, lendário RB que fez história por dez temporadas no Minnesota Vikings, mas que este ano atuou por New Orleans Saints antes de ser trocado para o Arizona Cardinals após apenas quatro jogos temporada regular adentro. Peterson, recrutado no Draft de 2007 após uma gloriosa carreira universitária atuando por Oklahoma fez jus a todas expectativas criadas para um atleta escolhido com a 7ª escolha geral e foi a alma e coração do ataque do Minnesota Vikings por diversas temporadas.

Todos se lembram do apelido “All Day” dado ao veterano, pela capacidade dele de correr e correr com força durante qualquer estágio da partida, e foi esta característica que o guiou durante toda a carreira. Embora praticamente nunca tenha tido um QB de elite quando atuava pelo Vikings – um veteraníssimo Brett Favre quase o guiou até o Super Bowl na temporada de 2009, Peterson era presença garantida no Pro Bowl e postulante a prêmios como jogador ofensivo e MVP da temporada em cada uma de suas temporadas, combinando velocidade, agilidade e força para vencer qualquer defesa da NFL mesmo sem um jogo aéreo potente para deixar os adversários honestos na marcação. Em outras palavras, AP dominava as defesas com estas sabendo que Peterson era o ponto central do ataque, e isto só é digno de grandes atletas da história da NFL.

Lesões, idade e a própria natureza da NFL levaram ao divórcio entre Peterson e Vikings após o fim da temporada passada, e pela primeira vez em sua carreira, ele estava desempregado e a procura de um novo lar. O veterano preferiu assinar com o New Orleans Saints, o que na época parecia o novo casamento perfeito: linha ofensiva melhorada, bons recebedores e um tal de Drew Brees como QB. Se não era esperado que ele corresse para 2000 jardas como em 2012,  um desempenho sólido era um teto totalmente palpável para o corredor de 32 anos, idade historicamente crítica para um atleta da posição nesta liga, contudo, definitivamente não foi a temporada mais produtiva da carreira.

Após quatro jogos e algumas discussões durante os jogos com o HC Sean Payton sobre sua utilização dentro das partidas, ele foi trocado para o Cardinals por uma escolha condicional de sexta rodada de Draft. Em seu primeiro jogo pelo time do deserto, ele correu para 134 jardas e dois TDs na vitória contra o Buccaneers e todos acharam que veríamos o velho Peterson novamente ao longo de 2017; duas semanas depois, foram incríveis 37 tentativas para 159 na vitória contra o 49ers, sendo peça fundamental na breve sequencia de vitórias de Arizona. Após isso, entretanto, foram apenas 134 jardas totais nas três partidas seguintes e uma situação que marcaria o início de sua decadência final na temporada: uma lesão no pescoço sofrida na semana 12 contra o Jacksonville Jaguars o fez perder diversos treinos e jogos, mas nada que saía para o público coloca em risco a campanha dele este ano. Agora o problema no pescoço extirpa de vez sua participação na temporada de 2017 com três jogos a se fazer e colocam uma dúvida no ar: a carreira de um dos RBs mais prolíficos e dominantes da história chegou ao final?

Em dez jogos nesta temporada com Saints e Cardinals, Peterson compilou 529 jardas aéreas e dois TDs. Aos 32 anos de idade e duas temporadas consecutivas que ele não foi capaz de terminá-las devido a lesões no calcanhar e pescoço, há de se considerar qual a motivação do atleta para retornar em 2018 e mais, qual time que decidirá contar com os serviços do veterano. São três opções viáveis para o jogador:

Aposentadoria: Ele não precisa provar mais nada a ninguém. Se Peterson decidir poupar seu corpo de mais uma desgastante temporada tenho certeza que a grande maioria das pessoas concordaria com isso. Mesmo perdendo boa parte da temporada de 2014 devido a um escândalo de abuso a menor que foi ligado e algumas outras lesões na parte final da carreira que custaram um precioso tempo ao atleta, ele é uma escolha segura para ser imortalizado no Hall da Fama do esporte, mesmo que talvez não no primeiro ano de elegibilidade. As 529 jardas terrestres conquistadas em 2017 representarão o menor número de sua carreira em temporada que tenha atuado dez ou mais partidas, e pode ser um sinal de declínio do corpo daquele que já foi citado como o melhor jogador de ataque da NFL a excluir os badalados Quarterbacks.

Retorno ao Cardinals em 2018: Peterson ainda tem mais um ano de contrato com o Cardinals e segundo o site OverTheCap (especializado nos contratos de jogadores) há um bônus de U$750 mil se ele estiver no elenco da equipe em 16 de Março, o terceiro dia do “ano-novo” da NFL, além de um bônus de pouco mais de U$78 mil para cada partida que for ativado dentro do elenco. Como falado, a situação contratual é bem maleável nesta altura, contudo, em 2018 o Cardinals contará com a volta do RB David Johnson, que perderá simplesmente 15 dos 16 jogos desta temporada com uma lesão no pulso. Sabemos que AP não é exatamente a pessoa mais simpática do mundo (visto seus problemas públicos no Saints), então a situação em que ele claramente não seria a peça principal do ataque em 2018 é algo que com certeza contará muito caso ele opte por esta possibilidade.

Rescisão (ou troca) e assinatura com outro time: Trocado por uma escolha de sexta rodada ao longo da última campanha, tem-se que ele ainda tem um valor para trocas de escolhas na parte final do Draft, ou mesmo aquelas situações hipotéticas que o Cardinals mandaria o atleta + uma escolha de 5ª por uma de 4ª rodada, por exemplo. Ele mostrou flashes que ainda pode render na situação correta, visto jogos contra Bucs e 49ers este ano, o que atrairá a atenção de outros times que precisam de uma presença veterana no backfield. Para o Cardinals, não custará absolutamente nada do teto salarial (ou dead money) para dispensá-lo, ou seja, seria uma decisão baseada absolutamente nas condições físicas e psicológicas do jogador olhando para 2018, seu último ano de contrato com a equipe.

A situação dele será amplamente debatida ao final da temporada e ao longo da intertemporada, com a real possibilidade de não vermos um dos jogadores mais icônicos da última década e motivo de fazer diversas pessoas começarem a acompanhar a NFL (inclusive este que vos fala). Se ele ainda tiver a chama acesa de conquista do anel de campeão, poderemos vê-lo em alguma outra equipe que disputaria uma vaga no Super Bowl na próxima temporada e que precise de presença forte no backfield (Patriots, Panthers) e aí sim termos mais um ato (talvez o derradeiro) da busca de Peterson pela consagração máxima do esporte.


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