A temporada de 2017 dá uma boa lição de reconstrução aos times que estão em baixa

14 de novembro de 2017
Tags: Gabriel Plat, matérias,

O ano era 2015. Sob o comando de Sam Bradford e Mark Sanchez, o Philadelphia Eagles chegou ao recorde de 7-9, ficando de fora dos playoffs pelo segundo ano consecutivo. O ano marcava o fim da era Chip Kelly e a instauração de um caos em Philly. Em quase outro lado do país, o então St. Louis Rams havia gastado todas as escolhas que ganhou na troca envolvendo o QB Robert Griffin III e ainda assim não conseguiu montar um time forte. Com Nick Foles sendo titular por grande parte da temporada, o ano só não foi um completo desastre por conta da chegada de Todd Gurley, eleito o calouro ofensivo daquele ano. Ainda assim, o time terminou em terceiro na divisão com um recorde de 7-9 e se despedindo de St. Louis, partindo para Los Angeles. No mesmo ano, também vimos o New Orleans Saints montar um time extremamente frágil e desperdiçar mais um ano da carreira de Drew Brees.

Três dos piores times da NFL dois anos atrás. Três dos melhores times da NFL hoje.

Se você reparar bem, cada uma das equipes lidava com um problema diferente na época e conseguiram se reerguer de formas diferentes.

O Philadelphia Eagles nunca deixou de ser uma boa equipe, de fato. Apesar de alguns elementos chaves da equipe terem partido sob o comando de Chip Kelly, como o WR DeSean Jackson e o RB LeSean McCoy, o time ainda manteve um forte front seven e uma boa linha ofensiva. Apesar de Jordan Matthews e DeMarco Murray não terem substituido a altura os jogadores que deixaram o time, ainda houve um esforço do time para reparar a situação. Mas, de fato, o time realmente nunca chegou a dar certo com Chip Kelly.

Para sair do buraco que o time começava a entrar, o Eagles tratou logo de remontar a equipe e, ao mesmo tempo, mantê-la competitiva. Por mais que tenham dado muitas escolhas para selecionar o QB Carson Wentz, o time conseguiu ao menos recuperar a de primeira rodada de volta ao trocar Sam Bradford com o Minnesota Vikings. E como tudo na NFL é um processo, o impacto de Wentz e do novo técnico, Doug Pederson, não pode ser medido apenas na primeira temporada. Para isso foi necessária uma segunda offseason, com mais contratações pontuais para o time. Se em 2016 o time havia contratado o S Rodney McLeod para reforçar a secundária, em 2017 o time foi atrás do CB Ronald Darby em uma troca e do CB Sidney Jones no Draft para reforçar o pior setor da equipe na temporada anterior. Com Wentz sofrendo com drops de seus recebedores, o time foi atrás de wide receivers de nome como Alshon Jeffery e Torrey Smith para auxiliar o desenvolvimento do jovem quarterback. Com o time melhor estruturado a sua volta, a chegada do RB Jay Ajay no meio da temporada foi a cereja do bolo que faltava para o Eagles finalmente voltar a ser competitivo na NFL. Em dois anos, o Eagles passou de um time remendado com uma comissão técnica falha para uma equipe sólida, jovem e muito talentosa.

O caso do St. Louis/Los Angeles Rams é de certa forma parecida. Mas, ao contrário do Eagles, o Rams estava em uma má fase por muito, mas muito mais tempo. Desde 2003 o time não termina uma temporada com um recorde positivo e isso está prestes a acabar em 2017. Para chegar nesse ponto, no entanto, foi necessário bastante esforço.

Com Todd Gurley no backfield, o time percebeu que não poderia deixá-lo carregar o time nas costas durante toda a temporada como ele fez em 2015. Para isso, foi necessário investir todo o Draft de 2016 no ataque. Foram cinco jogadores de ataque selecionados em seis escolhas do time, incluindo Jared Goff, que custou um caminhão de escolhas para o Rams. Ainda assim, a temporada de 2016 da equipe foi um desastre. Por incrível que pareça, o pior setor da equipe foi justamente o que mais foi reforçado: o ataque. Para resolver de uma vez por todas, o Rams foi atrás de um técnico com mentalidade ofensiva para substituir o ultrapassado Jeff Fisher e acabou contratando Sean McVay, ex-coordenador ofensivo do Redskins. Somando isso e a chegada do lendário Wade Phillips para coordenador defensivo, o time mudou da água para o vinho. Bastou apenas reforços pontuais no ataque, como a chegada do LT Andrew Whitworth e dos wide receivers Robert Woods e Sammy Watkins, para o ataque sair do pior da liga em pontos marcados em 2016 para o atual melhor em 2017 nesse quesito. Atualmente, o time se encontra com um recorde de 7-2 e é um dos fortes candidatos para os playoffs.

Do último lado, temos o exemplo mais diferente dos três. O New Orleans Saints não é um time que precisava de um quarterback, já que possui Drew Brees. Seu problema se resumia a dois pontos: má gerência da folha salarial e a defesa de forma geral.

Ao pagar salários altos para jogadores não tão bons assim, como o CB Brandon Browner e o FS Jairus Byrd, o Saints começou a ter problemas sérios no salary cap. Para resolver isso, o time optava pela pior solução possível: reestruturar salários dos jogadores. Ao invés de simplesmente cortar os jogadores mais caros e menos produtivos, o Saints empurrava o problema com a barriga e deixava a situação dos anos seguintes ainda pior. Dessa forma, o time começava a ter um orçamento mais limitado e que prejudicava a equipe de forma geral. Com a maior parte do orçamento gasta de forma inútil, o time não era reforçado da maneira correto e entrava para a temporada de maneira fragilizada. Isso explica o porquê do time ter tido três campanhas de 7-9 consecutivas após o título da divisão em 2013.

Depois da bola de neve chegar a um tamanho insustentável, o time precisou fazer o que devia ter feito muito antes: cortar na carne. Enquanto os jogadores improdutivos iam saindo conforme o tempo, como Bolden e Byrd, o time precisou se desfazer de outros produtivos ao longo do caminho também, como o TE Jimmy Graham, o DE Junior Gallette e o WR Kenny Stills. Se aproveitando de contratações pontuais na free agency e de drafts certeiros, o Saints reformulou seu time e entregou a Drew Brees uma equipe competitiva novamente, para a surpresa de muitos. Hoje, o Saints é o líder e favorito a ganhar a NFC Sul.

O que podemos tirar disso é que não importa a situação do seu time nesse momento. Não importa se ele precisa de um quarterback, se o técnico é ruim ou se o time gerencia mal o salary cap. Na NFL, há espaço para um time medíocre vir a ser competitivo em pouco tempo, assim como o contrário. Enquanto equipes que eram fortes um ano atrás hoje já pensam no ano que vem como o New York Giants, equipes fracas de 2016 já estão tendo um 2017 incrível como o Jacksonville Jaguars. Se você torce para o San Francisco 49ers e está cansado das campanhas negativas do time, lembre-se que o time também era um dos piores da liga na metade dos anos 2000 e rapidamente se tornou uma potência, chegando inclusive a um Super Bowl. O que impede do time voltar a ser competitivo em um ou no máximo dois anos?

Tenha paciência. Nada na NFL é definitivo. Nem mesmo a dinastia do Patriots e a ruindade do Browns, por mais que hoje pareça difícil acreditar no contrário.


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Gabriel Plat acompanha a NFL desde 2009 e se tornou completamente obcecado pelo esporte. Editor da Liga dos 32 e também editor-chefe do portal Blue Star Brasil. Responsável por uma matéria semanal e revisão. Está no twitter como @gabrielplat.