quarta-feira, 7 de Março de 2018

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A afirmação título deste texto pode ter várias interpretações, mas, neste caso, estamos falando da incrível dificuldade que existe para um jogador chegar à NFL. Entretanto, de forma completamente oposta, existe uma grande “facilidade” para, em pouquíssimo tempo, o mesmo atleta estar fora da liga. Hoje vamos conversar sobre este cenário que leva um jogador do posto de destaque do campeonato, para o desemprego em alguns meses. Podemos afirmar que chegar à NFL é dificílimo, porém, se estabelecer na liga, é para pouquíssimos.

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O texto destacado acima, fala sobre Frank Gore e como os feitos deste jogador são realmente impressionantes. Entretanto, para cada Frank Gore, James Harrison, Peyton Manning ou Tom Brady, existem milhares de atletas que não completam nem o primeiro ano de seus contratos na NFL. Segundo levantamento da NFL Player Association (NFLPA), a duração média de carreira de um jogador na liga é de apenas 3,3 anos. Sendo que em algumas posições, esta média é ainda menor; os RBs tem uma média de 2,57, WRs 2,81 e CBs 2,84. Seja pelas lesões, problemas extracampo, ou mesmo pela concorrência gigantesca, o fato é que ser um jogador da NFL é uma das profissões com a menor estabilidade do mundo. E, apesar do título deste texto, não estamos defendendo que isso é injusto, é apenas uma constatação de como as coisas mudam rápido dentro da liga.

O mesmo estudo citado acima ainda destaca que, diferente do que a maioria das pessoas imagina, outras posições como QBs (4,44 anos) e Kickers (4,87 anos), não tem uma carreira média relevantemente mais extensa do que a dos outros jogadores. Outro dado interessante é que os atletas que concluem seus estudos Universitários antes de se declararem para o draft tem uma carreira, em média, até 50% maior em relação aos que tentam entrar na liga antes de conseguir o diploma. Esta diferença ocorre, dentre outros motivos, porque mais tempo na Universidade indica, consequentemente, mais experiência e maturidade antes de tentar a liga profissional. Vale destacar que estes estudos tratam de um universo enorme de jogadores que saem do College todo ano e apenas uma porcentagem mínima destes consegue chegar à NFL.

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A NFL funciona desta forma e nós torcedores estamos de certa forma acostumados com isso. O amigo leitor, que acompanha seu time de coração mais de perto, tente lembrar quais foram as escolhas de sua equipe nos últimos dois drafts. Provavelmente, a maioria irá lembrar-se de poucos nomes, pois boa parte deles nem está mais no time e alguns – principalmente os escolhidos em rodadas inferiores – já estão fora da NFL. Estamos chegando a mais um draft e, como sempre acontece, vários jovens talentosos terão a oportunidade de estar em uma equipe da Liga, mesmo que apenas durante o Training Camp. Todavia, a verdade é que boa parte destes jovens, que já passaram por vários “filtros” de qualidade, principalmente, no High School e College, nunca jogarão uma partida oficial na NFL.

No entanto, algo ainda mais impressionante são os jogadores que já tiveram sucesso entre os profissionais e, em pouquíssimo tempo, passam de fundamentais, para descartáveis. Um exemplo interessante disto é o de Bryan Stork. O ex-Center da Universidade de Florida State foi recrutado pelo Patriots na 4ª rodada do draft de 2014. Titular já em seu 1º ano, Stork foi campeão do Super Bowl XLIX e, aos 26 anos, se aposentou após uma troca frustrado para o Redskins quando já havia perdido espaço na equipe para outro calouro, David Andrews. No caso de Stork, algumas lesões e outros problemas apressaram esta aposentadoria precoce, porém é fato que um atleta campeão do Super Bowl em 2015, estava desempregado/aposentado apenas dois anos depois.

Podemos falar ainda de Chris Borland, um caso diferente, porém que também exemplifica como, de uma maneira ou de outra, é difícil permanecer na NFL. O LB, draftado pelo 49ers na 3ª rodada no mesmo recrutamento de 2014, decidiu se aposentar da liga após um ótimo ano de calouro com receio das consequências que concussões poderiam trazer para o seu futuro. A decisão de Chris (absolutamente respeitável), nos trás outro lado desta discussão que são os riscos de permanecer muito tempo em um esporte tão intenso. Além de todas as dificuldades possíveis para se chegar à NFL, o jogador ainda está sujeito a lesões que podem ter consequências futuras, ou seja, é um trabalho muitas vezes insalubre.

Além dos dois casos citados, poderíamos mencionar outros como os QBs Tim Tebow e Robert Griffin III que foram escolhidos na 1ª rodada de seus drafts, tiveram sucesso na liga, mas, por fatores diversos, não conseguiram continuar entre os profissionais. São por todos estes motivos que o título deste texto diz que a NFL é cruel. É muito difícil estar em um nível técnico e físico para se candidatar a uma vaga (draft), é muito difícil ser escolhido, é muito complicado permanecer entre os 53 jogadores de uma franquia, a chance de construir uma carreira duradoura é mínima e, além de tudo isso, ainda existe um risco considerável de lesões de diferentes gravidades.

Obviamente excluindo a questão de saúde, pois a mesma está acima de qualquer coisa, é interessante perceber que toda esta dificuldade que os atletas superam para chegar e, principalmente, para se estabelecer na liga, acaba nos ajudando a gostar ainda mais do esporte. Após entendermos o quanto é difícil fazer sucesso na NFL, admiramos ainda mais quem o consegue, e, por consequência, nos envolvemos mais no jogo. Independentemente de preferências pessoais por qualquer jogador, é impossível não respeitar os atletas que, neste cenário adverso, conseguem permanecer nesta disputadíssima liga por várias temporadas.


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