quarta-feira, 14 de março de 2018

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Algo indiscutível é que, se alguém firma um contrato, ele deve cumprir este acordo. Seja uma pessoa física ou uma empresa, se algo foi acordado entre as partes, isto deve ser honrado. Até este ponto, não temos nenhuma objeção. Entretanto, o que o amigo leitor faria se, após o término de um acordo de trabalho, o seu antigo patrão lhe impusesse um novo vínculo com condições pré-determinadas e inegociáveis referentes a duração e remuneração? É basicamente assim que funciona a Franchise Tag. Hoje vamos falar um pouco mais deste artifício que não deveria existir na NFL.

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Para quem ainda não está familiarizado com o termo, a Franchise Tag foi criada após a instauração do Salary Cap como uma ferramenta para que as equipes tivessem mais tempo de negociação, e não perdessem seus principais jogadores para o mercado. Existem dois tipos principais de Tags: a Franchise Tag exclusiva, e a não-exclusiva. Para obter mais informações sobre os termos da Free Agency, o texto deste link, esclarece tudo detalhadamente. Falando basicamente, na tag exclusiva, o jogador recebe um contrato de um ano com valor igual a média dos cinco maiores salários de sua posição ou 120% do seu salário do ano anterior – a opção que for mais vantajosa ao atleta. Esta foi a Tag utilizada, dentre outros, em Le’Veon Bell, RB do Steelers. Na Tag não-exclusiva, os valores são os mesmos, porém o jogador pode receber propostas de outras equipes. Entretanto, o time que colocou a Tag no atleta tem o direito de igualar a oferta e, caso não o faça, recebe escolhas de draft como compensação.

Como observado acima, a Tag não-exclusiva é bem mais democrática. O grande problema, a inspiração para este texto, é realmente a Tag exclusiva que é utilizada todos os anos nos melhores jogadores. Nas últimas duas temporadas, o QB Kirk Cousins jogou sob a tag e, ao que parece, o mesmo também acontecerá com o RB Le’Veon Bell.

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Como pode ser observado na leitura do texto destacado acima, a carreira de um jogador na NFL é consideravelmente curta. Levando em consideração ainda que os jogadores em que são colocadas as tags são atletas de destaque, impedir que eles aproveitem o momento para negociar melhores acordos é completamente injusto. Veja bem, não estamos falando do atleta que faz greve com o contrato em andamento, ou ainda do jogador que força a saída antes do final de seu vinculo, sobre estes, as duas primeiras frases deste texto deixam claro que defendemos que se cumpra o o que foi firmado. No caso da tag, estamos falando de um jogador que cumpriu os anos de seu contrato e, simplesmente, não pode buscar um novo emprego. Para os que não conhecem esta parte das regras da liga, caso a tag exclusiva seja colocada no jogador, ele tem duas opções: assinar e jogar com as condições pré-estabelecidas, ou ficar um ano parado sem receber qualquer valor.

Olhando do ponto de vista do jogador é completamente arbitrário. E, mesmo considerando que o valor da Tag é realmente alto, porque um jogador como Le’Veon Bell, que é o melhor de sua posição, tem que aceitar receber como a média dos 5 melhores salários? Ou o caso de Kirk Cousins, que mesmo não sendo o melhor de sua posição, receberá, muito provavelmente, um contrato bem superior do Vikings e com a duração bem maior. Todas essas possibilidades são retiradas com a colocação da Franchise Tag. Imagine um cenário em que um jogador sofra uma lesão jogando com a tag, ele não teria garantia nenhuma em relação ao seu futuro. Obviamente, todos estão sujeitos a uma lesão em um esporte tão duro, no entanto, caso tivesse o direito de negociar seu contrato, o atleta teria um acordo mais seguro e lucrativo.

Algumas pessoas que defendem a Franchise Tag, alegam que é uma forma do time não perder o jogador sem nenhum tipo de compensação. Alguns argumentam que a tag serve para que os jogadores não saiam de suas equipes como ocorre no futebol brasileiro após a Lei Pelé. No entanto, esta comparação não faz muito sentido em relação a NFL. Antes de tudo, não parece ser interessante comparar esportes e culturas tão diferentes e, mesmo que se faça, neste caso, o exemplo não é válido. E a explicação é bem simples: no futebol brasileiro, o clube alega isto (sem entrar no mérito se esta alegação é correta), pois o mesmo investiu na formação do jogador desde a sua infância nas categorias de base. Na NFL, o jogador já ingressa nos times na idade adulta. Sua formação foi feita nas escolas e na Universidade em que esteve antes de se tornar profissional.

Outro argumento que não se sustenta, é que os jogadores que recebem a tag, em sua maioria, já são milionários e, desta forma, estariam reclamando sem motivo já que este novo “contrato” garantirá mais alguns milhões de dólares. Entretanto, não importa quanto seja o seu salário, ou quantos dígitos tenha o saldo em sua conta bancária, se um acordo foi assinado e cumprido até o fim, não tem sentido este contrato ser estendido sem que o “empregado” tenha direito de discutir as cláusulas. A Franchise Tag vai além do esporte, ela impõe a permanência em uma condição e em um ambiente de trabalho que, talvez, o atleta não tenha mais o desejo de continuar. Quantas pessoas possuem ótimos empregos, mas, mesmo assim, desejam uma mudança? Esta questão vai muito além do dinheiro.

Imagine um cenário oposto: o jogador chega ao final de seu contrato e decide que quer continuar no time por mais uma temporada. O atleta, então, colocaria “a sua Franchise Tag” no time e eles teriam que estender o vínculo por mais um ano ou ficariam proibidos de contratar outro da mesma posição. Obviamente que isto é absurdo, todavia é exatamente como funciona do time para o atleta.

O grande pass rusher do Broncos, Von Miller, declarou há dois anos que a tag é injusta, pois restringe o direito do jogador de descobrir o seu real valor no mercado. Além dos outros pontos discutidos neste texto, a ideia principal é exatamente esta. Quando criada, a Franchise Tag poderia ser aceitável, visto que, os times estavam se adaptando a realidade do Salary Cap. No entanto, tanto tempo depois, ela é apenas um instrumento que impede o jogador de ser remunerado de forma justa. Por tudo isto, a Franchise Tag, principalmente a exclusiva, precisa acabar.

Qual a opinião de vocês sobre a Franchise Tag? Concordam com o texto? Acham a Franchise Tag justa? Comentem!


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6 Comentários

  1. A primeira frase desse texto, ” Algo indiscutível é que, se alguém firma um contrato, ele deve cumprir este acordo. “, mostra porque a FT não é injusta.
    O texto fala sobre o contrato com os times mas não fala das regras da NFL que pode ser muito bem entendida como um contrato. O jogador que recebe a Tag não foi obrigado a nada, ele aceitou essa regra quando entrou na NFL.

  2. Vou na linha do Fillipe também… a FT é justa, pois é algo que foi acordado entre jogadores e NFL quando da ocasião do último acordo.
    Dito isso, eu acho que ela é prejudicial aos jogadores e excessivamente favorável às franquias. Assim, acredito que os jogadores devam lutar na próxima negociação para que ela seja extinta, ou que ao menos venha a um custo mais alto para as franquias, tanto em termos financeiros diretos quanto em outros recursos (tal como um custo adicional e incremental no salary cap dos anos seguintes de modo a tornar muito difícil aplicar o FT mais do que uma vez em um mesmo jogador).

  3. Fala Fillipe, blz?
    Então, eu concordo com isso. Por isso que não defendo que o jogador não cumpra, não defendi a rebelião, defendo que a Franchise Tag acabe. Enquanto este artifício existe, ele é utilizado. Apenas acho injusto a existência dele pelos argumentos que coloquei. Obrigado pelo comentário. Abraço

  4. Fala Igor, como você está meu amigo?
    Eu concordo com o seu ponto de que ela existe, pois é fruto de um acordo entre NFL e os jogadores. Isso a torna um artifício legal, disso eu não discordo. No entanto, nem toda regra é justa. O que defendo é exatamente que ela deixe de ser uma regra, pois a considero prejudicial ao jogador. De toda forma, entendo e respeito a sua opinião. Abraço irmão!

  5. Matheus Queiroz on

    Já tinha visto você comentando, por cima sobre isso, no grupo dos assinantes, mas aqui ficou bem defendido seu ponto de vista. Acho que por ser assim a tanto tempo, eu pelo menos, já via como algo natural e algo que é assim só porque é assim e pronto. Nunca tinha parado pra olhar por essa ótica. Mas até que faz bastante sentido. Pra mim a extinção da tag exclusiva faz sentido por não dar qualquer opção ao jogador que a recebe. Já a Tag não exclusiva já acho bastante justa e exigiria mais cuidado de cada franquia no controle do CAP caso não quisesse abrir mão de determinado jogador

  6. Fala Matheus! Tentei dar uma geral no que penso sobre isto. A não-exclusiva é bem mais aceitável mesmo. Abraço

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