Série Tática – A Defesa “4-4 Robber G”

13 de junho de 2016
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tatica

É uma formação defensiva que ficou muito conhecida através do time de Virginia Tech, montado por Frank Beamer (técnico) e Bud Foster (coordenador defensivo) nos anos 90. Se tornou, então, um pesadelo para todos os ataques que tivessem que enfrentá-la até que os coordenadores ofensivos buscaram e acharam respostas de como combater tal esquema. O que ninguém esperava era que os adeptos desta filosofia defensiva se adaptariam às evoluções táticas do futebol americano e manteriam a defesa “4-4 Robber G” em vigor tanto no College quanto no profissional.

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Consiste em 4 DLs, 4 linebackers (2 inside linebackers e 2 outside linebackers), 2 cornerbacks que irão cobrir a metade do campo cada e o free safety que fica completamente livre pelo meio para se transformar no 9º homem no box contra a corrida ou auxiliando em uma blitz extremamente agressiva. Todavia, se a jogada for pelo ar, o free safety fará o papel de “robber” na parte intermediária do campo, ou seja, ele fica livre da obrigação de marcar alguém espécifico, apenas lendo os olhos do QB para tentar seguir aonde a bola vai e interceptar o lançamento ou ao menos impedir a recepção.

Dessa forma, haviam 8 jogadores no box em praticamente todos os snaps. Isso quando o free safety não se adiantava e esses 8 viravam 9. O desenvolvimento lógico dessa tática era torná-los capaz de destruir o jogo terrestre do oponente, além de pressionar o quarterback constantemente por toda a partida.

4-4

Observe na imagem acima como, no esquema inicial, os cornerbacks eram responsáveis por cobrir em profundidade a metade do campo cada, de maneira que o free safety poderia agir como “robber” e até se adiantar para ser o nono homem no box em blitz ou para combater a corrida. Os outside linebackers eram chamados de “whip” e “rover”. Veja também que o ataque tem dois wide receivers apenas e que dois running backs compõem a formação, muito comum antigamente. Contra esse tipo de alinhamento ofensivo, a “4-4 robber G” inicial era quase perfeita. Mas os tempos mudam e a tática evolui.

Legendas:

E = Edge. No caso, defensive ends.

DT = defensive tackle

R = outside linebacker “rover”

W = outside linebacker “whip”

B = inside linebackers

FS = free safety

CB = cornerbacks

Uma fraqueza óbvia do esquema é a dificuldade em se proteger contra um bom jogo aéreo. Porém, à época do seu surgimento, os sistemas ofensivos simplesmente não tinham resposta para conseguir eficiência diante de tamanha pressão já de cara no box. Correr contra nove na linha de frente ou lançar diante dessa avalanche para poucos recebedores era uma tarefa ingrata.

Como todas as evoluções táticas no futebol americano são frutos de uma resposta a algo novo, surgiu a spread offense (entenda esse sistema ofensivo) para dar novamente vantagem ao ataque sobre esse tipo de defesa. A “4-4 robber G” tinha apenas 3 jogadores essencialmente de secundária, quais sejam dois CBs e um FS e isso, claramente, era uma desvantagem pelo ar que precisava ser explorada pelos adversários. Como a spread offense espalha seus jogadores em campo e usa com frequência formações com 3 ou 4 recebedores, o sistema defensivo criado por Beamer e Foster teria que sofrer ajustes ou estaria fadado a desaparecer.

Sendo assim, o esquema em análise sofreu alterações. O outside linebacker “rover” virou uma espécie de híbrido, tornando-se um safety/linebacker, já o outside linebacker “whip” ficou responsável por marcar o recebedor no slot em jogadas de passe. A cobertura também foi modificada e deixou de ser cover 2 (outras vezes cover 1 ou 3) e passou a ser cover 4 ou quarters, com dois CBs e os dois safeties cobrindo o lançamento em profundidade, cada um responsável por 1/4 do campo. Veja isso através da imagem a seguir:

4-4 moderna

Legenda:

R/S = rover/safety (híbrido)

Na “quarters”, a defesa pode usar os quatro atletas da secundária em zona mais recuados (os CBs, o FS e o R/S), dobrar a marcação sobre o principal WR do outro time (em vermelho, o R/S pode dobrar nele no exemplo utilizado) ou ficar no homem a homem em caso de quatro recebedores atacando a região mais atrás. Tudo depende de como o ataque se alinhar e desenvolver o lance. Contra a corrida, essa moderna versão da 4-4 seguiu forte, isso porque para a cobertura “quarters”, apenas removeram o “whip” para cobrir o slot (azul) e o “rover” virou um híbrido, mas quando a defesa lê uma corrida na jogada, mesmo contra uma spread offense, oito ou nove atletas partem em direção a quem está com a bola (veja os traços amarelos de atletas que chegam para ajudar).

Mesmo com os ajustes que foram detalhados aqui, ela deixou de ser o esquema base defensivo dos times da NCAA. No entanto, graças às modificações, é um sistema que segue sendo utilizado em snaps situacionais tanto por times da NFL quanto do College Football.

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Tiago Araruna acompanha a NFL desde 2006 e é o idealizador do projeto Liga dos 32. Como Editor-Chefe do Portal, está à frente da coluna semanal 32 por 32, toda quinta no ar. Co-apresentador do Podcast Liga dos 32 que vai ao ar às quartas . No twitter: @tiagoararuna