32 por 32 – Análise Tática do Cowboys, o melhor time da NFC

10 de novembro de 2016
Tags: 32 por 32, tiago araruna,

32 por 32 - L32
A coluna 32 por 32 entra no ar toda quinta e faz “observações gerais” sobre a semana que passou, onde nosso colunista expõe aquilo que mais lhe chamou a atenção na rodada. Em seguida, o “Olho Tático” traz vários vídeos de jogadas interessantes para serem analisadas e, concluindo, ainda tem o “No Huddle”, sem conferência com os companheiros de equipe, para as curiosidades e rapidinhas. Quer deixar uma opinião ou esclarecer uma dúvida? A caixa de comentários está disponível no final do post. Obs: Os dois links “Leia Mais” abaixo podem ser essenciais para que você compreenda bem todo o texto.

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observações gerais
Nas observações gerais, nosso colunista traz opiniões a respeito de alguns dos temas mais interessantes dessa semana na NFL.

Vikings em crise pode ajudar a salvar Green Bay

Salvar talvez seja um termo muito forte, mas a realidade é que com o Detroit Lions conquistando 4 vitórias nos últimos cinco jogos e o Packers cada vez mais apático, complicaria demais as chances de Green Bay chegar aos playoffs se o Vikings estivesse jogando o que jogou no início da temporada. A NFC Norte está longe de dar a impressão que pode mandar 3 times aos playoffs, então se formos considerar apenas um, hoje estaria mais para o Lions que está em segundo com o mesmo número de vitórias que o Vikings, mas uma derrota a mais. Detroit está de bye essa semana.

O problema é que quando um time ruim como é hoje o Packers precisa ficar olhando demais para os adversários de divisão (dois na frente deles) é porque a situação é bem mais complexa. Não importa o quanto o Vikings eventualmente entre em crise ou o Lions comece a oscilar, pois com o nível de futebol americano apresentado por Green Bay até aqui esse não é um time de playoffs. Simples assim. E além de estar com um desempenho abaixo da média de seus principais jogadores, Aaron Rodgers declarou que notou uma desmotivação nas laterais do campo de jogo no duelo contra o Colts. Um time mal treinado e desmotivado não pode ter quaisquer pretensões em uma liga tão equilibrada quanto a NFL. Perder de Indianapolis – uma equipe que estava em crise com torcedores fazendo campanha pela demissão do técnico – em casa é bem complicado e sinal de que o alerta vermelho já foi acionado.

Colts é um time montanha russa

Por falar no Colts, o time é uma montanha russa com bem mais baixos que altos, é verdade. A torcida iniciou uma campanha #PagaNO no Twitter pedindo a demissão do péssimo treinador da equipe e quando parecia que ia emendar mais uma derrota seguida, Indianapolis consegue jogar bem e vencer o Packers em pleno Lambeau Field. Se você leu acima o tema “Vikings em crise pode ajudar a salvar Green Bay” já viu que esse Packers não é lá grande coisa, porém nem todo mundo acompanha boa parte dos times da NFL e o recado que isso passa ao torcedor menos ligado do Colts é que o time venceu um adversário que tem sido forte em anos recentes em um estádio tradicionalmente difícil de conseguir arrancar o resultado positivo.

E isso pode ser extremamente perigoso. O Colts é um time fraco com inúmeras deficiências, mas que mesmo assim consegue dar um jeito de brigar dentro da abatida AFC Sul muito graças ao seu ótimo QB Andrew Luck. O problema é que chegar aos playoffs só traria coisas ruins porque é um grupo frágil que não tem capacidade de chegar a um Super Bowl em fevereiro de 2017, por exemplo, e seria mero figurante em janeiro, além de piorar sua posição no Draft – precisando demais reconstruir vários setores – e o maior pesadelo dos torcedores se tornaria realidade: Pagano seguindo como técnico principal e provavelmente veriam mais uma temporada jogada fora, dessa vez a de 2017.

Giants renasce?

Uma vez eu escrevi aqui que o Giants era um time meio esquizofrênico. O mais legal é que ao invés de ser xingado, os torcedores acharam graça e concordaram. É o típico time que quando você acha que vai, não vai, e quando você acha que não vai, vai. Apontei o NYG como favorito para vencer a divisão e eles falharam miseravelmente. Há que se dar todo o crédito ao Cowboys que tem sido surpreendentemente bom e foi a análise tática dessa semana mais abaixo.

Ben McAdoo, técnico principal, é um problema louco também em Nova Iorque. O sistema ofensivo dele ajudou Eli Manning a errar menos em 2014 e 2015, evitar entregar a bola e melhorar sua porcentagem de passes completos, sem forçar exageradamente nos passes mais difíceis e verticais. Gosto do playbook ofensivo do Giants, é bastante criativo principalmente na combinação de rotas dos seus recebedores, em que pese pecar na pouca variação de formações do ataque e em situações de corrida. Mesmo com todo esse lado positivo, as chamadas das jogadas lance a lance (famoso “play calling”) são, no mínimo, questionáveis. A maior prova é que Odell Beckham Jr., um dos mais incríveis recebedores da NFL, tem míseros dois jogos com mais de 100 jardas. Quando uma coisa assim acontece, é preciso parar e rever tudo.

O New York Giants é um time bem menos consistente que o Cowboys, rival de divisão, que conta com bom desempenho nos dois lados da bola, ataque e defesa. Porém, ainda acredita nas chances de playoffs como wild card, especialmente após a essencial vitória contra o Eagles, outro rival de divisão. Para isso, é muito importante que o ataque volte a encaixar e é válido questionar se McAdoo deveria continuar chamando as jogadas ou delegar essa tarefa ao seu coordenador ofensivo para ficar mais como um gerenciador, coisa que a maioria dos técnicos fazem.

olho tático

No “Olho Tático”, trazemos uma análise tática de alguns jogos da rodada com a ajuda de vídeos curtos. Para essa semana, estudamos o melhor time da NFC no momento, o Dallas Cowboys. Todos os vídeos aqui utilizados são captados pela câmera all 22, que pega todos os jogadores em uma visão aérea. Você tem acesso a isso aqui.

Repita os vídeos quantas vezes for necessário para observar todos os detalhes.

Antes de qualquer coisa, devemos esclarecer que o título da coluna refere-se ao momento e à campanha do time. Hoje, o Cowboys, além de ser a equipe mais sólida da conferência, é a franquia com o maior número de vitórias na NFC, então foi esse o critério para chamá-la de melhor, pois mesmo sabendo da força do Atlanta Falcons, Dallas é o time a ser parado atualmente. Vamos proceder a uma análise para entender o sucesso inesperado dos comandados de Jason Garrett.

Sabemos que o atual técnico do Cowboys já trabalhou com Nick Saban, um dos mais fantásticos treinadores da história do College Football. Isso se deu no início da carreira de Garrett como técnico e o que vemos hoje é um estilo ofensivo que nos remete à Universidade de Alabama no que se refere a ter uma linha ofensiva dominante e um jogo corrido eficiente como base do ataque. Verdade seja dita, por mais que Dak Prescott seja muito falado até pela importância da sua posição, esse é o time da linha ofensiva e Ezekiel Elliott, as duas forças motoras de um ataque muito interessante. E se fosse para apontar a grande marca atual do Cowboys, isso nos levaria àquele time de 2014 porque continua sendo a linha ofensiva. Um grupo que tem tudo para se consagrar um dos melhores da história agora com a presença de um RB calouro de talento.

Um ataque que não é focado no quarterback até para não depender da saúde de Romo permite que um calouro de quem nem se esperava muito no início de carreira na NFL, entre e jogue em bom nível. O foco é o jogo corrido e a parede de ouro que é a linha ofensiva de Dallas, claramente a filosofia e a forma que Jason Garrett enxerga o seu time e o quer ver jogando. E nada mais justo que seja assim, pois o Cowboys investiu quatro primeiras escolhas no Draft em três titulares da OL e no RB Ezekiel Elliott.

E olha que nem foi o mesmo grupo à frente de Prescott e Elliott em todos os jogos. Tyron Smith perdeu dois deles devido a uma lesão nas costas, La’el Collins está fora da temporada após cirurgia no pé e foi substituído por Ronald Leary. Ainda assim, ela parece a mesma parede de ouro de sempre. O Cowboys correu para pelo menos 160 jardas nos últimos seis jogos – Elliott lidera a NFL com 891 jardas terrestres – e o grupo cedeu apenas 11 sacks em toda a temporada.

No vídeo acima, podemos assistir a mais um lance de domínio absoluto da OL de Dallas. Sistema de bloqueios é o Zone Blocking perfeitamente executado pelo grupo, onde o bloqueio se dá com a linha correndo lateralmente, tentando conseguir um ângulo melhor para abrir os espaços. O right guard e o left guard fazem o bloqueio inicial e já vão para o segundo nível rapidamente para neutralizar os linebackers em uma bela demonstração de como esse sistema deve funcionar na prática. Elliott precisou apenas ir para o lugar certo e só foi encostado próximo à end zone. TD Cowboys.

Mais um vídeo dedicado a mostrar em um ângulo de câmera muito mais favorável para ver o trabalho da OL que o da câmera da TV, como você pode perceber. Lembrando que essa é a linha ofensiva que consagrou DeMarco Murray e conseguiu o feito de transformar Darren McFadden em um RB que passou das mil jardas na última temporada, com média de 4.6 jardas por carregada.

Contra a melhor defesa contra o jogo corrido da NFL em 2016 (Packers), a parede de ouro trabalhou de maneira brilhante mais uma vez, permitindo que o Cowboys corresse para mais de 190 jardas no duelo. Temos alguns pontos que merecem ser observados nesse verdadeiro domínio da OL em cima do front seven de Green Bay. Note que o TE Jason Witten (#82) está à direita da linha ofensiva, mas após o snap ele vai para o outro lado como um autêntico “lead blocker” para que Elliott seguisse em sua direção e aproveitasse o espaço que ele iria abrir. O setor se movimenta inteiro para a direita, arrastando a linha defensiva do Packers, mas Witten vai para a esquerda juntamente com o running back que é onde ele vai ter o corredor livre para disparar em velocidade.

Outro detalhe é o bloqueio essencial feito pelo left tackle Tyron Smith (#77) no ILB Blake Martinez (#50). Isso porque, como o vídeo mostra bem, Martinez estava indo fechar justamente o espaço por onde Ezekiel Elliott correria no lance. Smith não só bloqueia e neutraliza o ILB, mas o leva para um longo passeio para o outro lado da jogada. Sensacional. O trabalho da linha ofensiva talvez seja o que há de mais fantástico nesse time e quem vê os jogos sem prestar nenhuma atenção nas trincheiras acaba perdendo muito do grupo que ajuda diretamente na construção das vitórias da equipe.

O ponto mais importante de uma análise tática além da própria análise em si, é a escolha dos vídeos que servem como exemplos daquilo que vai ser falado. É preciso selecionar vídeos de jogadas que se repetem, ou seja, de um padrão e não de lances isolados. Assim, é possível analisar uma filosofia e não uma mera jogada fora do contexto. Tudo isso para dizer que separamos dois vídeos para falar de Ezekiel Elliott, em um ele mostra um dos atributos que tem feito de sua temporada algo fantástico e em outro ele faz o básico, sendo auxiliado pela melhor OL do futebol americano.

Com 4.8 jardas por tentativa de corrida, o Cowboys é o quinto melhor time nessa estatística. Em jardas totais por terra, a equipe só fica atrás do Bills que possui um QB que corre frequentemente com a bola. Já falamos demais da linha ofensiva de Dallas, do quanto eles são bons e etc, porém isso coloca uma pressão grande no RB porque o primeiro objetivo de Elliott quando recebe a bola nas mãos do QB para correr é não deixar jardas no campo, ou seja, se um espaço foi aberto – e no caso do Cowboys isso acontece com frequência – ele precisa atacar o Gap sem pestanejar.

O “Zone Blocking” muito utilizado pela franquia de Jerry Jones resulta em muitas corridas conhecidas como “Outside Zone Runs” com a linha ofensiva se movimentando lateralmente. É muito difícil para qualquer defesa parar uma corrida nesse tipo de chamada quando ela é bem executada porque a OL está se movimentando para o lado rapidamente e cada defensor precisa acompanhar o ritmo fechando o Gap (espaço entre os atletas da linha) que ele é responsável, sem se descuidar e perder o equilíbrio quando um bloqueador vier para cima. O objetivo da defesa é conseguir fechar todos os espaços mesmo com o movimento lateral da linha, forçando o RB a mudar seu rumo e cortar para o outro lado, perdendo velocidade. Mesmo que o RB corte, que é algo normalmente não desejado nessas jogadas (o ideal é que a linha em movimento abra um corredor), a defesa terá que ter algum defensor no lado oposto ao fluxo da linha ofensiva.

No vídeo acima, a defesa do Eagles faz muito bem tudo o que é necessário para destruir essa chamada terrestre. Veja como exatamente aos 2 segundos não há qualquer buraco para Elliott atacar e ele precisa cortar para o outro lado, teoricamente reduzindo a velocidade e fazendo algo que não era o que o Cowboys queria no lance. Mas diante da muralha fechada à sua frente, ele tomou a melhor decisão, cortou sem perder a velocidade e mesmo com um defensor cobrindo o lado contrário ao fluxo da OL adversária, Elliott consegue um ótimo avanço e ainda quebra um tackle. Esse lance mostra bem o que tem sido a temporada do calouro. Parece um RB experiente na leitura, nos cortes e nas decisões rápidas.

Se na jogada anterior, Elliott mostrou várias habilidades interessantes que o credenciam como um forte candidato a se tornar uma estrela da NFL no futuro próximo, aqui ele faz o básico: seguiu o desenho da jogada, não desperdiçou o espaço aberto pelos jogadores da linha ofensiva e ganhou o máximo de jardas possíveis com isso.

Estamos diante de uma “Sweep”, jogada que tem muitas variações, mas que basicamente usa um ou mais bloqueadores da linha ofensiva – normalmente o guard – ou um Fullback para sair na frente do RB que corre para a lateral e conta com a ajuda deles para ganhar jardas extras. Nesse lance, os dois guards saem como “lead blockers” e Elliott apenas os segue, vindo a receber contato apenas após correr 15 jardas além da linha de scrimmage.

Dak Prescott é um calouro de que ninguém esperava muita coisa tão cedo, mas ele tem sido extremamente efetivo por ter a capacidade de fazer bons passes intermediários quando o momento pede e por proteger bem a bola. O Cowboys não precisa de um Matt Ryan ou Drew Brees, mas sim de alguém que faça o simples sem prejudicar as campanhas com “turnovers”. No vídeo, uma de suas qualidades que é o passe intermediário, mostrando boa presença no pocket e lançando em movimento. São 8.11 jardas por tentativa de passe, a quarta melhor média da NFL. Já fizemos uma análise completa sobre o calouro na última semana, clique aqui para conferir.

Com a temporada 2016 se aproximando, era esperado que o Cowboys tivesse um bom ataque comandado pelo QB Tony Romo e que conta com uma ótima linha ofensiva, Dez Bryant, Jason Witten etc. Apesar dos obstáculos que surgiram com Romo e até mesmo com Dez Bryant, a OL e os dois calouros (QB e RB) deram conta do recado. Projetando o ano do Dallas Cowboys, outra coisa esperada era um desempenho abaixo da média ou mediano por parte de uma defesa que não havia convencido ninguém.

Rod Marinelli, elogiado coordenador defensivo do time, ainda teve que lidar com a suspensão de três titulares antes da temporada começar: Rolando McClain, Randy Gregory e DeMarcus Lawrence. Desses, só o último está jogando e os demais nem são mais esperados para atuar ainda esse ano, a menos que Gregory jogue no final de dezembro na melhor das hipóteses.

Se o ataque do time é digno de elogios e tem uma média de 27.9 pontos por partida, a defesa cede apenas 17.5 pontos por jogo e essa diferença entre pontos marcados e cedidos tem um peso muito grande na campanha que o Cowboys vem fazendo até então. São ainda 10 “turnovers” forçados em 8 jogos, nada monstruoso, mas números muito mais sólidos do que qualquer analista esperaria dessa defesa no início da temporada sofrendo ainda com desfalques relevantes.

Para se ter uma ideia, o Cowboys ainda não permitiu nessa temporada que nenhum RB corresse para 100 jardas ou mais ou que um recebedor conquistasse pelo menos 100 jardas aéreas. Além disso, não chegou a ceder 24 pontos em nenhum dos primeiros 8 jogos, algo que não acontecia desde 1994.

No vídeo, vemos um exemplo claro da capacidade da defesa de Dallas parando o jogo terrestre. São apenas 86.9 jardas cedidas por partida, o que confere à equipe a sexta melhor marca na NFL. O Packers tenta correr com sua linha se movimentando lateralmente e com a ajuda do FB Aaron Ripkowski (#22). Veja que o Center sai para bloquear no segundo nível, mas Ripkowski é insuficiente para deter o LB Sean Lee (#50) que fecha o Gap B muito bem e faz um ótimo tackle em Eddie Lacy.

Um fumble ou uma interceptação podem e normalmente mudam o rumo de uma partida. Mas de nada adiantaria forçar muitos “turnovers” com a defesa e sofrer ainda mais por incompetência do ataque do time. Isso não é o que acontece com o Cowboys. Os comandados de Jason Garrett forçaram 10 “turnovers” em 8 jogos, enquanto que o ataque sofreu apenas 6, o que resulta em um diferencial de +4, sétimo melhor diferencial da NFL nesse quesito.

Interceptações são apenas uma pequena parte do que tem representado a evolução da secundária de Dallas no sucesso do time nessa temporada. Com 256.5 jardas aérias cedidas por jogo (13º melhor número na NFL) e somente 10.1 jardas aéreas cedidas por tentativa de passe (2ª melhor marca), a cobertura que a secundária do Cowboys vem fazendo merece elogios. O jogador que melhor simboliza isso é o CB Morris Claiborne, que foi uma escolha de primeira rodada no Draft, passou anos decepcionando se levarmos em consideração as expectativas que recaiam sobre ele, mas finalmente parece ter encontrado seu jogo entre os profissionais e é um top 10 cornerback de acordo com o Pro Football Focus.

No vídeo, o Cowboys está em “single high safety”, Cover-1 com apenas um safety recuado e todos os seus CBs em marcação homem a homem. Uma demonstração de confiança na cobertura que eles são capazes de fazer. O passe de Blaine Gabbert é péssimo e facilita a interceptação de Morris Claiborne, mas o mais importante é ver como ele acompanha bem toda a rota e entender que isso tem sido algo frequente de ver nos jogos do Cowboys.

O pass rush do Cowboys era uma das maiores preocupações do time, tendo em vista que seus “defensive ends” tinham 16 sacks somados na carreira antes do início da temporada. Porém, em 8 semanas a equipe soma 18 sacks que equivalem a um sack a cada 5,4% das jogadas de passe dos adversários (16ª melhor marca da liga). Não é um pass rush assustador que vai conseguir pressionar o quarterback adversário constantemente, mas só de não ser um dos piores da NFL e estar no meio do ranking já diz muito sobre o que Marinelli tem conseguido fazer trabalhando com os nomes que tem à disposição.

Se conseguir pressionar o QB apenas com os 4 jogadores de linha – sem mandar “blitz” – seria difícil, a capacidade do coordenador defensivo do time de tirar o melhor de cada um tem permitido um desempenho aceitável que, com o que a defesa tem feito em outras áreas, acaba sendo mais que suficiente para que em uma análise geral o setor defensivo seja satisfatório como um todo até aqui. O bom desenvolvimento de jovens como David Irving (não draftado vindo do practice squad do Chiefs) e Maliek Collins, escolha de terceira rodada do time no Draft 2016 tem tido um papel essencial no desempenho do pass rush melhor que o esperado e no combate ao jogo terrestre.

No vídeo, Tyrone Crawford (#98) consegue o sack atacando o Gap B entre o right tackle e o right guard. Um bloqueador o empurrou para o lado do outro esperando ajuda e Crawford passou fácil para conseguir sacar o quarterback sem a necessidade de blitz. Apenas com o “front four”. Observe que Maliek Collins (#96) está em 3-tech e, portanto, tem mais obrigação no pass rush que Cedric Thornton (#92) que está em 1-tech. E Collins consegue penetrar a OL ajudando a impedir que o QB escapasse para o outro lado. Não entende nada de techniques? Veja a explicação no quinto vídeo dessa coluna.

Não é possível analisar o sucesso do Cowboys taticamente, sem falar um pouco de Jason Garrett, seu técnico principal. Ele foi capaz de preparar um time que tinha desfalques em posições importantes a ponto de liderar a divisão com propriedade, sem depender tanto do jogo de seu quarterback e seguindo a filosofia de estabelecer e dominar por terra com o apoio de uma linha ofensiva muito acima da média. Ademais, está muito mais agressivo durante os jogos, arriscando quartas descidas que antes levariam a punt ou field goal.

Se Dak Prescott se tornar o QB seguro que ele está prometendo ser, Jason Garrett tem em mãos um time forte hoje e muito possivelmente pelos próximos anos com vários jovens talentosos em posições de habilidade. Isso dá ainda mais tranquilidade ao treinador e ao torcedor do Cowboys que podem acreditar em bons momentos à frente.

no huddle

  • O Saints conseguiu 248 jardas terrestres contra o 49ers no último domingo. San Francisco é o segundo time na era do Super Bowl a ceder mais que 240 jardas corridas em 3 jogos seguidos (Chiefs de 1975 é o outro).
  • Anquan Boldin é o quarto jogador na história a ter pelo menos 5 TDs em uma temporada por quatro times diferentes.
  • Ezekiel Elliott se tornou apenas o terceiro jogador a conseguir 875 ou mais jardas terrestres e 7 TDs nos 8 primeiros jogos da carreira. Eric Dickerson e Adrian Peterson são os outros dois.
  • Latavius Murray foi o primeiro jogador a conseguir 3 TDs terrestres contra a defesa do Broncos desde Ryan Matthews pelo Eagles em 2010.
  • Mike Wallace é o primeiro da história a ter um TD recebido de 95 jardas ou mais por dois times diferentes, Ravens e Steelers.
  • Rex Ryan, técnico do Bills, tem 31 derrotas e nenhuma vitória no currículo quando seu time cede 30 ou mais pontos.
  • Drew Brees reina absoluto na NFL com o recorde de 55 jogos de 300 jardas aéreas ou mais e pelo menos 3 TDs.
  • Frank Gore se juntou a Walter Payton, Emmitt Smith, Curtis Martin e LaDainian Tomlinson como os únicos a ter 12.500 jardas terrestres ou mais e 400 recepções.
  • Landon Collins é o único jogador nessa temporada a ser o líder do time em tackles, interceptações e sacks.

A coluna 32 por 32 entra no ar toda quinta aqui no site. Anote na agenda e não deixe de conferir para curtir a NFL através dos seus detalhes táticos, observações e curiosidades!

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Tiago Araruna acompanha a NFL desde 2006 e é o idealizador do projeto Liga dos 32. Como Editor-Chefe do Portal, está à frente da coluna semanal 32 por 32, toda quinta no ar. Co-apresentador do Podcast Liga dos 32 que vai ao ar às quartas . No twitter: @tiagoararuna