32 por 32 – Análise da surpresa Kansas City Chiefs

8 de dezembro de 2016
Tags: 32 por 32, chiefs, tiago araruna,

32 por 32 - L32
A coluna 32 por 32 entra no ar toda quinta e faz “observações gerais” sobre a semana que passou, onde nosso colunista expõe aquilo que mais lhe chamou a atenção na rodada. Em seguida, o “Olho Tático” traz vários vídeos de jogadas interessantes para serem analisadas e, concluindo, ainda tem o “No Huddle”, sem conferência com os companheiros de equipe, para as curiosidades e rapidinhas. Quer deixar uma opinião ou esclarecer uma dúvida? A caixa de comentários está disponível no final do post. Obs: Os dois links “Leia Mais” abaixo podem ser essenciais para que você compreenda bem todo o texto.

Leia Mais: Índice com todos os posts táticos

Leia Mais: Dicionário de termos do futebol americano

observações gerais
Nas observações gerais, nosso colunista traz opiniões a respeito de alguns dos temas mais interessantes dessa semana na NFL.

Earl Thomas se aposentando?

O Seahawks venceu, mas ninguém se importava com isso. Não quando Earl Thomas, o melhor safety da NFL e que tem tudo para ser um dos melhores da história, quebrou a perna durante o jogo. No Twitter, o jogador falou em aposentadoria pouco depois de fazer um Raio X ainda no estádio. Isso levou os torcedores da franquia de Seattle e admiradores do bom futebol americano ao desespero, mas em mim provocou apenas uma reação: encantamento.

Earl Thomas provou naquele tweet o quanto é passional sobre aquilo que faz e que sente demais perder um jogo que seja. Isso pode parecer óbvio porque se aplica a maioria esmagadora dos jogadores, porém nenhum deles jamais falou em se aposentar logo após receber o diagnóstico cravando que ficaria fora da temporada e é aí que medimos o nível de paixão que Thomas tem pelo esporte da bola oval expressado com tamanha frustração na sua conta na melhor rede social do mundo.

Ele não vai se aposentar. Não faria isso com ele mesmo, nem com Kam Chancellor que foi o “responsável” por quebrar a sua perna. Não sairia assim da NFL e colocaria esse peso todo nas costas do companheiro, mesmo que indiretamente. A NFL precisa de caras como Earl Thomas. Todos nós precisamos. Que ele volte dando uma aula de como jogar essa posição em 2017.

Procura-se um MVP para a NFL 2016

Se eu fosse votar no MVP desse ano hoje, meu voto seria em branco. Vejam só os candidatos: Derek Carr, Drew Brees, Ezekiel Elliott, Dak Prescott e Tom Brady. Quantos desses te convencem? Não digo como bons jogadores, mas sim como o mais valioso, o mais incrível da NFL esse ano. É complicado.

Trago aqui os números de Peyton Manning em 2013 e Aaron Rodgers em 2011 quando foram eleitos o MVP daquelas respectivas temporadas:

Manning (2013) – 68.3% dos passes completos, 5.477 jardas aéreas, 55 TDs, 10 INTs e 8.3 jardas por tentativa de passe.

Rodgers (2011) – 68.3% dos passes completos, 4.643 jardas aéreas, 45 TDs, 6 INTs e 9.2 jardas por tentativa de passe.

Vamos agora comparar com o que Dak Prescott e Derek Carr estão fazendo na atual temporada, projetando com base nas atuais médias quais seriam seus números finais. Falaremos de Drew Brees, Tom Brady e Ezekiel Elliott na sequência. Seguem as estatísticas:

Derek Carr terminaria a temporada com cerca de 65.5% de passes completos, 4.300 jardas, 32 TDs, 6 INTs e 7.9 jardas por tentativa de passe.

Já Dak Prescott deverá ter algo em torno de 67.9% de passes completos, 3.974 jardas, 23 TDs, 3 INTs e 8.3 jardas por tentativa de passe.

Como podemos ver, considerar Dak Prescott como um candidato ao prêmio de MVP individualmente falando – que é o cerne do prêmio em si – é até uma ofensa aos grandes nomes que já foram coroados na história da NFL. Uma brincadeira de mau gosto, pois Prescott não é nem o MVP do ataque do Cowboys. Derek Carr tem números mais consistentes e hoje seria o QB favorito, mas deixa a desejar no quesito touchdowns. Na história recente, Cam Newton foi o QB eleito MVP com menos TDs, mas ainda assim foram 35 pelo ar, fora os que ele produziu por terra. Ou seja, está aquém do padrão estabelecido pelos MVPs dessa década.

Sobre Drew Brees, o Saints prejudica a sua “candidatura”. O prêmio é individual, mas a campanha do time influencia demais e isso é bastante claro a cada ano – J.J. Watt que o diga. Já Tom Brady perdeu os 4 primeiros jogos. Esses últimos dirão muito sobre suas chances de levar mais um prêmio de MVP para casa.

Isso nos deixa com Ezekiel Elliott que deve chegar a 1.680 jardas terrestres ao final da temporada caso mantenha o ritmo, 16 TDs e 4.9 jardas por tentativa de corrida. Isso é espetacular, incrível, digno de nota, mas não é nível MVP para um running back. Para tirar o prêmio das mãos de algum QB, o jogador precisa fazer algo nunca visto antes ou bem próximo disso e se compararmos com o RB Adrian Peterson, MVP em 2012, não é o caso. Foram 2.097 jardas terrestres, 12 TDs e inacreditáveis 6 jardas por tentativa de corrida. Exceto pelos TDs, as outras estatísticas não chegam nem perto. Para um calouro é algo excepcional, mas para um RB ser MVP não são números convincentes o suficiente.

Diante da ausência de um grande nome dominando a tudo e a todos, voto em branco nesse momento dadas as justificativas acima. Com todo o respeito, a NFL precisa de um MVP brilhante.

olho tático

No “Olho Tático”, trazemos uma análise tática de alguns jogos da rodada com a ajuda de vídeos curtos. Para essa semana, estudamos a surpresa da temporada que tem nome e sobrenome: Kansas City Chiefs. Todos os vídeos aqui utilizados são captados pela câmera all 22, que pega todos os jogadores em uma visão aérea. Você tem acesso a isso aqui.

Repita os vídeos quantas vezes for necessário para observar todos os detalhes.

Antes de ir direto ao ponto, entendam o termo surpresa aqui como um time que está indo melhor do que o esperado e não necessariamente dizendo respeito a uma equipe que deveria ir mal e mas que está bem na competição. O Chiefs surpreende não por estar bem, mas sim por ter uma campanha melhor que o que se imaginava. 

O Kansas City Chiefs é hoje o melhor time menos falado da NFL. Está ali prestes a ultrapassar o badalado Raiders caso vença novamente a equipe de Oakland no Thursday Night Football dessa semana, e o detalhe é que os comandados de Andy Reid têm a vantagem em caso de empate ao final da temporada pela campanha dentro da divisão. Cairo Santos e cia venceram fortes adversários como os elogiados ataques de Falcons e Raiders, e a potente defesa do Denver Broncos, provando que podem se adaptar para superar qualquer tipo de oponente.

Mesmo assim, o Chiefs é um patinho feio. Não é um time que vai marcar muitos pontos, conseguir muitas jardas, seu QB não vai completar 5 passes de mais de 20 jardas em um jogo, por terra também não é o maior espetáculo da NFL e por aí vai. Se o ataque não empolga, pelos resultados que o grupo tem conseguido a defesa é espetacular, certo? Na realidade, são abaixo da média contra a corrida e contra o passe. 

Parece difícil acreditar que a temporada esteja sendo tão boa para o Chiefs, mas existem algumas explicações. Uma delas é aquilo que as estatísticas não conseguem traduzir no papel, os famosos intangíveis. Com vitórias em sete dos últimos oito jogos, em 2016 são seis vitórias em jogos que estiveram pelo menos um touchdown atrás no placar, o que faz da franquia a que mais virou para vencer na NFL. Algo improvável para um time que não possui um ataque explosivo e que não foi feito para correr atrás e virar jogos. Outra arma tem sido os turnovers forçados que falaremos mais adiante. Vale mencionar que Andy Reid disse que não tem nenhuma lesão para reportar à imprensa essa semana, algo que favorece demais os planos do treinador, principalmente nessa reta final de temporada regular. OBS: Allen Bailey e Jaye Howard não entram na conta por já estarem fora da temporada.

No vídeo acima, podemos ver que o Chiefs está em marcação homem a homem e Cover-2 Robber, onde os dois safeties ficam mais recuados sendo que um deles funciona como “Robber”, que não estará preocupado necessariamente em acompanhar uma rota longa na sua região, mas sim em ler os olhos do quarterback e correr na direção em que ele estiver mirando para desviar o passe ou conseguir a interceptação. Note como o safety Eric Berry atravessa a rota do recebedor até mesmo passando na frente do defensor que o marcava, rompendo a linha de passe e retornando a INT para touchdown. O “Robber” é sempre um perigo de “big play” para a defesa e poucos defensores tem o faro da end zone adversária como Berry.

A defesa do Chiefs tem muitos nomes talentosos na linha de frente, no corpo de linebackers e na secundária. Começando lá atrás, Eric Berry e Marcus Peters são dois dos bons nomes em suas posições, sendo o safety um dos melhores da NFL e o CB aquele que mais tem interceptações desde que entrou na liga no ano passado com 13. Na linha defensiva, possuem caras como Dontari Poe e o calouro Chris Jones que tem mostrado serviço logo de cara. Dentre os linebackers, o ILB Derrick Johnson foi a quatro dos últimos cinco Pro Bowls e tem tudo para ir para Orlando – nova casa do jogo das estrelas – nessa temporada também. Como OLBs, Dee Ford (10 sacks) e Tamba Hali (3.5 sacks) ganham o reforço de Justin Houston que explodiu em sacks em 2014 e já voltou com tudo esse ano, somando 4 sacks em 2 jogos. Ele pode ser a peça que faltava para que o pass rush dê aquele clique e, com o talento presente na secundária, a equipe pode ter um salto de produção justamente quando os jogos mais importantes estão por vir.

No vídeo, temos um sack de Justin Houston, mas com uma colaboração coletiva de grande valor. São apenas 3 defensores que se alinham para ir atrás de Matt Ryan, com dois deles em 3-tech e Houston posicionado em um alinhamento 9-tech, bem mais aberto em relação aonde está o right tackle. Dontari Poe (#92), que está no meio dos outros dois pass rushers no lance, ajuda a fazer com que Matt Ryan vá para a direita saindo do pocket. Porém, Chris Jones (#95) sai da ponta direita da linha defensiva – ele estava alinhado em frente ao left guard – para fazer com que o QB do Falcons volte novamente para o pocket, levando-o direto aos braços de Justin Houston que em momento algum desistiu da jogada. Esse é um belo exemplo de sack que todos os três rushers têm crédito.

Se a defesa não se destaca contra a corrida nem contra o passe de maneira a se diferenciar dos demais times, ela é ótima forçando turnovers e isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Até agora o Chiefs tem uma margem de 14 turnovers forçados a mais do que os sofridos, o que lhes confere o melhor diferencial de turnovers dentro da NFL e contribui para que sejam o oitavo time com menos pontos cedidos por jogo (19.5).

Desde 2006, times que vencem a batalha dos turnovers nos playoffs, vencem a grande maioria dos duelos, sendo 71 vitórias e 20 derrotas. O grande problema é que forçar turnover não é uma habilidade garantida como o fato de ter um bom jogo aéreo, por exemplo. É muito mais frequente que uma equipe que tenha essa qualidade pelo ar consiga boas jogadas por meio de passes do que times que forçam muitos turnovers consigam manter essa média em vários jogos seguidos. Basta um jogo de playoffs sem forçar turnover – ou forçando algum turnover inútil em termos de impedir pontos ou pontuar – para que um time que dependa muito deles tenha grandes problemas para vencer. E é o caso do Chiefs. Andy Reid e seus jogadores surpreendem, mas precisam de mais consistência que o diferencial de turnovers para ir longe em janeiro e eles sabem disso. A volta de Justin Houston deve dar mais destaque à defesa e Alex Smith vem de um jogo em que soube esticar o campo verticalmente quando precisou.

Pegando todos os jogos dos playoffs desde 2006, aconteceram 106 jogos onde um time tinha um diferencial de turnovers na temporada regular superior ao do seu oponente no mata-mata. Aquelas equipes que foram bem forçando turnovers de setembro a dezembro, conseguiram mais turnovers que seus adversários em apenas 43 dos 106 duelos nos playoffs nesses 10 anos. Turnover é ótimo, mas nunca se sabe qual vai ser o jogo em que o outro time vai se sair melhor e, se esse for o único trunfo, tudo pode ir por água abaixo. 49,5% de todos os pontos do Kansas City Chiefs vieram da defesa ou special teams.

No vídeo, o Chiefs está todo em cobertura por zona na parte final do jogo contra o Panthers e consegue matar de vez a partida com mais um turnover forçado. Dessa vez, um fumble do WR Kelvin Benjamin forçado por uma defesa que tem feito isso muito bem em toda a temporada. A equipe é a que mais força turnovers, fumbles e a segunda em interceptações, já tendo enfrentado ataques como do Saints, Raiders e Falcons.

Eu não conheço uma pessoa que se diga fã de Alex Smith. Não é um quarterback que empolga nem o torcedor do Kansas City Chiefs, que dirá um telespectador sem conexões com o time? São 11 TDs em 11 jogos na temporada e uma média óbvia e lamentável de 1 TD por partida. Todavia, é preciso entender o tipo de jogo que Andy Reid quer do seu ataque para compreender que ter sofrido apenas 24 interceptações em 4 anos é algo até mais relevante que a média baixa de TDs.

No vídeo, vemos o tight end Travis Kelce correndo uma rota que mistura a “slant” com uma “quick out”, permitindo-lhe conquistar jardas após a recepção e, consequentemente, o first down chave nos momentos finais do jogo (ponto para Alex Smith). Uma rota mais curta que explora o campo horizontalmente e confia em jardas após receber a bola por parte de um recebedor com tal talento. Descrição típica da west coast offense que é empregada pelo Chiefs. A chamada deu certo, mas correu um risco desnecessário quando o recebedor aberto na ponta esquerda do ataque ficou parado como opção para o “screen pass” e isso fez com que o cornerback que o marcava ficasse livre para dobrar a marcação em cima de Kelce após ele receber a bola. Deveria ser uma rota longa desse WR para tirar o CB daquela região. O Atlanta Falcons usou marcação homem a homem com um único safety lá atrás (single high safety) em Cover-1.

O grupo de apoio a Alex Smith não é grande coisa, mas tem algum potencial. Ele conta com um dos melhores tight ends da NFL em Travis Kelce – talvez o melhor nas semanas recentes com Gronk machucado -, WR Jeremy Maclin voltando, WR Tyreek Hill e o RB Spencer Ware. Hill é um calouro draftado na quinta rodada que vem surpreendendo como o líder do grupo com 428 jardas recebidas, mesmo atuando em menos de 40% dos snaps. Há ainda uma chance de Jamaal Charles voltar a tempo dos playoffs.

Novamente uma recepção de Travis Kelce, agora em profundidade mostrando toda sua capacidade de ser um TE versátil. Na rota, ele mistura a “flat” com a “go” ao fingir que está indo em direção à lateral, mas partindo na vertical logo em seguida. Uma outra opção boa era o recebedor do meio no lado direito, posicionado no slot e que correu uma rota “in”, mas vendeu muito bem a possibilidade de uma rota “go” ou “corner”, fazendo o cornerback recuar de frente para ele até virar de costas, momento em que ele cortou para dentro e quebrou o quadril do CB que teve de se virar novamente e cedeu separação. Novamente o Falcons no homem a homem, em cover-1 e sem mandar blitz.

A West Coast Offense ensina a esticar a defesa horizontalmente, sem deixar de tentar as bombas verticais quando a ocasião permitir. Veja como Alex Smith tem uma opção no “screen” na linha de scrimmage, uma opção 5 jardas a frente da linha de scrimmage, outra a 10, novo recebedor a 15 jardas da linha e Kelce em profundidade. Isso provoca “stress” principalmente nas áreas em zona pelo meio do campo, onde os linebackers costumam se atrapalhar.

O Chiefs faz uso também do Outside Zone Blocking, onde a linha ofensiva bloqueia por zona e andando lateralmente para que o running back ache o melhor espaço e o ataque assim que o corredor abrir. Spencer Ware substituiu Jamaal Charles, tendo acumulado mais de 734 jardas terrestres e contribuído para que o ataque de Kansas City não ficasse unidimensional, o que seria um desastre diante da filosofia adotada por Andy Reid.

Esse é o Kansas City Chiefs, um time que não brilha por terra nem pelo ar e que defensivamente também não impressionou até aqui (com a volta de Justin Houston isso pode mudar), mas que tem dado um jeito de vencer seus jogos contra adversários fortes. Não ganha bonito, mas ganha. Até aqui a explicação mais lógica tem sido os turnovers que não são garantia de nada nos playoffs – podem deixar de acontecer a qualquer momento – mas embalaram um time que hoje é muito confiante em relação ao que pode alcançar.

no huddle

  • Cairo Santos se juntou a Pete Stoyanovich (dezembro de 1997) como os únicos kickers do Chiefs a conseguir ganhar um prêmio de jogador do mês.
  • Eric Berry marcou o primeiro retorno de interceptação em tentativa de conversão de 2 pontos para TD na história.
  • O Patriots venceu 10 jogos ou mais em 14 temporadas seguidas e hoje só fica atrás do San Francisco 49ers, que conseguiu o feito em 16 temporadas, de 1983 a 1998.
  • Dwayne Allen, tight end do Colts, anotou 3 TDs no primeiro tempo do último Monday Night Football. Ele é o primeiro a fazer isso desde Jerry Rice pelo 49ers em 1995 vs Vikings.
  • Aaron Rodgers venceu 14 jogos seguidos em casa no mês de dezembro. Essa sequência só fica atrás da de Tom Brady, que conseguiu sair vencedor em 19 jogos no estádio do Patriots nesse mesmo mês. De 2002 a 2012.

A coluna 32 por 32 entra no ar toda quinta aqui no site. Anote na agenda e não deixe de conferir para curtir a NFL através dos seus detalhes táticos, observações e curiosidades!

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook.

Postagens Relacionadas









Tiago Araruna acompanha a NFL desde 2006 e é o idealizador do projeto Liga dos 32. Como Editor-Chefe do Portal, está à frente da coluna semanal 32 por 32, toda quinta no ar. Co-apresentador do Podcast Liga dos 32 que vai ao ar às quartas . No twitter: @tiagoararuna