quinta-feira, 24 de novembro de 2016

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32 por 32 - L32
A coluna 32 por 32 entra no ar toda quinta e faz “observações gerais” sobre a semana que passou, onde nosso colunista expõe aquilo que mais lhe chamou a atenção na rodada. Em seguida, o “Olho Tático” traz vários vídeos de jogadas interessantes para serem analisadas e, concluindo, ainda tem o “No Huddle”, sem conferência com os companheiros de equipe, para as curiosidades e rapidinhas. Quer deixar uma opinião ou esclarecer uma dúvida? A caixa de comentários está disponível no final do post. Obs: Os dois links “Leia Mais” abaixo podem ser essenciais para que você compreenda bem todo o texto.

Leia Mais: Índice com todos os posts táticos

Leia Mais: Dicionário de termos do futebol americano

observações gerais
Nas observações gerais, nosso colunista traz opiniões a respeito de alguns dos temas mais interessantes dessa semana na NFL.

O futuro de Tony Romo pode ser…

Quando Jerry Jones afirma que Dak Prescott segue como titular mesmo após Romo estar em totais condições de jogo e o veterano aparece em uma coletiva de imprensa lendo uma declaração muito bem ensaiada e escrita pelos assessores de imprensa do Dallas Cowboys, uma coisa ficou muito clara: dificilmente Tony Romo segue como jogador da equipe em 2017. Até porque não faz o menor sentido um quarterback que ainda pode ser muito produtivo quando saudável desperdiçar seus últimos anos como profissional assistindo os jogos nas laterais.

Qual seria então o destino de um dos bons quarterbacks dos últimos anos? Creio que poderia se dar muito bem no Denver Broncos ou no New York Jets. No caso do Broncos, é a melhor opção para Romo por ter uma defesa de alto nível, um jogo corrido bem estabelecido e bons alvos como Emmanuel Sanders e Demaryius Thomas. Como é um time que não depende tanto de um grande QB para vencer (que o diga Siemian), nem forçaria tanto o jogo do veterano. O lado negativo é que o Broncos planeja desenvolver o calouro Paxton Lynch e, claro, ficar mais um ou dois anos no banco talvez não seja o melhor para o jovem jogador.

A opção de jogar no New York Jets também é interessante. Não tanto quanto o Broncos porque Denver é mais forte coletivamente, mas ainda assim tem alguns ótimos talentos em uma boa defesa e também entregaria bons alvos a Romo como Eric Decker e Brandon Marshall. Para o Jets seria perfeito já que a franquia não tem um quarterback confiável, nem um projeto de futuro na posição em que se aposta tanto como o caso do Broncos com Lynch.

Com o declínio do jogo aéreo do Arizona Cardinals sob o comando de Carson Palmer e a competência da franquia quando aposta em veteranos, o nome de Tony Romo também foi ventilado por lá. Não acredito que se livrariam de Palmer por um ano abaixo das expectativas, mas futebol americano são negócios e, saudável, Romo é um salto de qualidade em relação ao atual nível apresentado pelo titular da posição no Cardinals. O grande porém em relação a esse possível destino do hoje reserva do Cowboys é que Bruce Arians, técnico do Arizona, faz uso de um sistema ofensivo muito vertical, com dropbacks longos e que demanda muito do físico e do braço do QB, além de deixar o “signal caller” mais exposto por precisar esperar mais tempo para as rotas se desenvolverem. Em último caso e no desespero, Romo ainda pode considerar ir para o Chicago Bears. Brincadeiras à parte, é o time menos talentoso que ele teria como opção nesse momento e que ainda deve perder Alshon Jeffery.

Existe um motivo para tantos extra points perdidos

Os kickers da NFL acertaram 44 de 45 Field Goals de 32 ou 33 jardas nessa temporada e erraram 48 extra points da mesma distância. É claro que foram muito mais tentativas de extra points que de FGs, mas mesmo proporcionalmente é uma coisa quase inexplicável.

A não ser que a gente apele para o lado psicológico, o emocional dos chutadores. Evidentemente que a pressão é muito maior no extra point porque é obrigação, historicamente sempre foi algo automático para os torcedores. Um erro de extra point quebra a alegria do touchdown recém marcado e pode mudar o momento do jogo. O índice de aproveitamento dos Field Goals de mesma distância derrubam o argumento de que o chute está mais difícil, pois apesar de mais longo ele não é distante o suficiente para gerar 48 erros em 11 semanas. A verdade é que alguns kickers tremem tanto na hora do extra point que já olham para a bola como se vissem o Roberto Justus: “você está demitido”. Blair Walsh que o diga.

Impressões de um jogo no México

Não foi a primeira vez da NFL no México, mas fazia tempo desde a última (2005), então os mexicanos estavam muito empolgados pela chance de ver um grande jogo. Não foi um espetáculo no campo, mas foi algo mais digno que vários duelos de horário nobre que vimos esse ano. A história foi escrita a partir do apito inicial que foi o ponto de partida do primeiro Monday Night Football da história a ser realizado fora dos Estados Unidos.

O que me chamou mais atenção, no entanto, foi o que aconteceu nas arquibancadas. Clima de libertadores. Laser no campo, gritos de “ôôôôôôôôô putoooo” a cada kickoff, enfim, coisas que talvez nem sejam legais de acordo com o politicamente correto – no caso do laser é uma coisa chata mesmo -, mas que deram uma nova vida ao ambiente em que um jogo da NFL acontecia. Um estádio lendário como o Azteca, longe de ser moderno, com aspecto daqueles estádios latinos antigos e imponentes mesmo. Várias fantasias foram mostradas pelas câmeras, o peculiar humor mexicano nos cartazes, tudo isso me levou a imaginar como seria a NFL no maracanã, que hoje foi modernizado e perdeu um pouco da sua áurea, mas continua sendo lendário e um grande palco de enormes eventos. Já imaginou aquele clima de “antiga geral” com pitadas de zuera típica brasileira em um jogo de temporada regular?

olho tático

No “Olho Tático”, trazemos uma análise tática de alguns jogos da rodada com a ajuda de vídeos curtos. Para essa semana, estudamos a evolução ofensiva do Seattle Seahawks na temporada. Todos os vídeos aqui utilizados são captados pela câmera all 22, que pega todos os jogadores em uma visão aérea. Você tem acesso a isso aqui.

Repita os vídeos quantas vezes for necessário para observar todos os detalhes.

Um dos maiores pontos de interrogação nessa temporada foi o ataque do Seattle Seahawks. Após a grande arrancada da equipe a partir de novembro de 2015 – segunda metade daquele temporada -, havia ficado claro que o setor chegaria embalado para esse ano e apresentaria seu QB Russell Wilson como um forte candidato ao prêmio de MVP. Porém, o conto de fadas começou a cheirar muito mal já a partir da semana 1, quando o jovem “signal caller” sofreu 3 sacks, teve uma média de míseras 5.42 jardas por passe e 77.5 de rating. Inúmeras desculpas por parte dos torcedores do Seahawks surgiram para defender seu ídolo, dentre as quais podemos citar o fato de a linha ofensiva ser ruim e o jogo corrido ter sofrido uma forte queda de desempenho.

Podemos chamar de desculpas porque mesmo diante desses problemas um grande quarterback consegue se sobressair na maioria das vezes. Isso ele provou contra o Bills quando sofreu 4 sacks, não teve ajuda do jogo corrido e mesmo assim teve uma performance fantástica. Veremos mais adiante detalhes sobre a linha ofensiva e o jogo terrestre da equipe, mas o grande xis da questão é a saúde do QB de Seattle.

A evolução de Russell Wilson claramente acompanha a melhora do seu estado físico depois de ter sofrido com lesões no tornozelo e joelho. Ele anotou mais TDs nos últimos 3 jogos que em todo o restante da temporada – foram 6 passes para TD nos últimos 3 jogos, enquanto que nos outros 7 confrontos da temporada compilou apenas 5 TDs. Seus números nos últimos 16 jogos de temporada regular são impressionantes: 4.630 jardas, 32 TDs, 3 interceptações, 67% dos passes completos e média de 8.3 jardas por tentativa de passe.

É necessário falar tanto de Russell Wilson porque toda a mudança que o ataque do Seahawks sofreu passa por ele. Em 66.2% das jogadas o time vai para o passe, o que confere a Seattle o 9º lugar dentre os times que mais lançam a bola, proporcionalmente. Desde que Wilson foi draftado em 2012, a franquia nunca ficou mais alta que 26º nesse quesito. É uma mudança de filosofia tão cristalina quanto a mais pura das águas. Isso não aconteceu porque Pete Carroll queria, aconteceu porque foi necessário e é assim que os grandes técnicos funcionam. Eles se adaptam a cada realidade que aparece à sua frente.

Pete Carroll acredita em um ataque balanceado que alterna corridas e passes (isso é o padrão para todo técnico da NFL), mas se o jogo terrestre não funciona por qualquer motivo que seja ele não irá dar murro em ponta de faca. Vai pelo ar mesmo, especialmente se assim as jogadas estão dando certo. No entanto, quando Prosise – hoje lesionado por um bom tempo – ou Rawls podem correr bem como contra o Eagles, esse balanceamento irá acontecer. Outro ponto fundamental nessa reviravolta é não cometer turnovers e o ataque do Seahawks não sofre um em 6 dos últimos 7 jogos. Está empatado em primeiro lugar como o time que menos entrega a bola para os adversários na NFL.

O vídeo acima reproduz um frequente acontecimento nos jogos do Seahawks em setembro e outubro. Russell Wilson pressionado, sem explosão suficiente para conseguir escapar e tendo que jogar a bola fora, sofrendo um sack ou ainda pior, um fumble como o que aconteceu nesse lance. São apenas três homens inicialmente alinhados frente à linha ofensiva que terminam recebendo a ajuda de um defensive back para pressionar o QB de Seattle. Existem algumas opções de passe curto para Wilson, mas ele segura um pouco demais a bola, o que é mais que suficiente para atrair a pressão até pela proteção fragilizada que a equipe lhe oferece.

A linha defensiva do Rams é forte, fez alguns “stunts” (jogadores se cruzando) logo após o snap, mas o fator chave foi o DE Robert Quinn batendo seu bloqueador por meio de uma “speed rush”, técnica de pass rush que aposta na velocidade por fora do bloqueio, como você pode ver no vídeo. Mais impressionante ainda é a capacidade de Quinn para alcançar o QB na velocidade quando ele tenta escapar e é notoriamente mais veloz. Realmente Russell Wilson não estava bem fisicamente e o Seahawks, sem alternativa por terra, sofria no lado ofensivo.

Todo mundo falou mal da linha ofensiva do Seahawks durante os meses de setembro e outubro. No Podcast Liga dos 32 mantive a mesma opinião que tenho até hoje: a OL do time é ruim, mas a proteção do quarterback depende muito mais do próprio QB e sua capacidade de sentir a pressão, ter boa presença no pocket e do esquema ofensivo. A linha será muito mais diretamente responsável pelo jogo corrido que qualquer outra coisa.

Falaremos de alguma evolução do grupo, mas o fato é que ele continua sendo abaixo da média e o que Russell Wilson consegue fazer sendo (mal) protegido por eles só prova que a minha ideia faz sentido. Grandes quarterbacks conseguem conduzir seu ataque, fazer bons jogos e eventualmente milagres mesmo que tenham a seu “favor” uma linha ofensiva deficiente.

A perda dos dois melhores jogadores no setor que nunca foi grande coisa obviamente pesou bastante. O C Max Unger e o LT Russell Okung fizeram e fazem falta. Pior ainda se nos dermos conta que o que veio para complementar a linha ofensiva foram jogadores não draftados, sobras da free agency e ex-atletas de linha defensiva, algo comum para o técnico da OL, Tom Cable. Essa situação e, principalmente, um jogo corrido anêmico dentro de um sistema inútil para aquele momento levou Wilson a sofrer muita porrada e a lidar com lesões. Um problema puxa o outro. Os guards evoluíram moderadamente, sendo que Glowinski se dá melhor bloqueando para abrir espaços para o jogo corrido, enquanto que Ifedi está menos vacilante como right guard.

No vídeo, vemos uma blitz enviada pelo Buffalo Bills que tem em seu treinador Rex Ryan um apaixonado por blitzes. O Seahawks percebe bem a marcação homem a homem designada pela defesa nessa jogada e chama uma “rub route” pelo lado direito, onde os recebedores se cruzam logo após o snap visando criar tráfego entre os cornerbacks e fazer com que eles se choquem ao tentar acompanhar seu homem no mano a mano e permitam a separação do WR. Jogada clássica contra marcação homem a homem, filosofia de passes rápidos que segue incorporada ao time mesmo depois de algumas adaptações, especialmente verticalizando o jogo aéreo. Não daria para usar esse tipo de chamada em um jogo inteiro porque atrairia cada vez mais defensores para pressionar uma linha ofensiva que já é deficiente.

Não dá para dizer que a proteção de Russell Wilson melhorou porque a linha ofensiva melhorou. Já disse acima que não acredito nesse pensamento. A proteção está aparentemente mais aceitável porque o QB do Seahawks está mais móvel, estendendo jogadas com as pernas e também tem usado passes rápidos quando sob pressão. Além disso, quando o jogo corrido não funciona, os times podem lotar o box para pressionar o QB, mas isso ficou mais fora de questão quando Seattle passou a verticalizar bem seu jogo aéreo após a derrota para o Saints. Isso mantém a defesa preocupada com o passe longo e receosa em se arriscar demais nas blitzes.

Dentro do avião após a derrota para o New Orleans Saints na semana 8, Pete Carroll decidiu que o Seahawks precisava lançar a bola por meio de passes mais longos, verticalizando assim mais seu jogo aéreo. Nos 7 primeiros jogos, a equipe tinha uma média de 4 passes longos tentados por jogo e esse número dobrou nos últimos 3. São 8 tentativas de lançamentos de longa distância por partida. Essa nunca foi a filosofia do Seattle Seahawks, mas as circunstâncias fizeram dela a filosofia ideal para o momento. Esquema bom é aquele que funciona na prática.

Com duas excelentes armas como o TE Jimmy Graham que está jogando em alto nível e o WR Doug Baldwin que desde a temporada 2015 tem 19 TDs anotados, empatado com Odell Beckham Jr. e Allen Robinson para mais TDs no período, Wilson tem o que precisa para desenvolver um bom jogo aéreo, seja através dos longos lançamentos ou dos passes curtos e rápidos que Darrell Bevell, coordenador ofensivo, gosta inclusive como possibilidade de ser substituto do jogo terrestre quando este não estiver funcionando.

Falando do vídeo, existem algumas coisas incríveis nessa jogada. O mais assustador é que no momento que Russell Wilson começa a correr para fora do pocket, não há nenhum recebedor sequer esperando a bola ainda. Estão todos olhando para a frente tentando correr suas rotas da maneira que devem ser executadas, ou seja, a linha ofensiva não conseguiu segurar a pressão por um tempo mínimo sequer na batalha contra a boa linha defensiva do Eagles. Estruturalmente é uma “mirror play” com leitura “Hi-Lo” pelo lado esquerdo. “Mirror Play” porque os recebedores do lado direito e esquerdo fazem as mesmas rotas, como se fosse um verdadeiro espelho, onde os externos correm uma rota “corner” e aqueles no “slot” executam uma “out”. A leitura “Hi-Lo” aconteceria do lado esquerdo, pois Wilson analisaria o single high safety (único safety ao fundo em cover-1 com CBs em cobertura homem a homem) e se ele fosse para o outro lado, lançaria na rota “corner” em profundidade, porém caso ele ficasse ali, iria na rota mais curta, a “out.

Tudo isso é teoria porque na prática a jogada foi pro espaço em 1.5 segundo quando o quarterback precisou improvisar saindo do pocket. Jimmy Graham também entra no improviso e começa a correr em direção vertical, recebe o passe, quebra o tackle e segue rumo ao TD.

Nesse vídeo acima, podemos ver o RB Thomas Rawls que voltou a ser o número 1 do time após voltar de lesão, se beneficiando da ausência de C.J. Prosise pelos próximos jogos. A linha ofensiva do Seahawks realiza o Outside Zone Blocking, bloqueando em movimento lateral e Rawls consegue achar rapidamente o espaço livre no Gap A pela direita e o ataca com muita vitalidade para conquistar 10 jardas e o first down. Esse tipo de chamada era muito utilizado com Marshawn Lynch e frequentemente ele explodia para longos ganhos porque costumava quebrar tackles com facilidade. Observe que se Rawls quebrasse um tackle apenas – que foi o que lhe derrubou – o ganho seria considerável. De qualquer maneira, correndo confortavelmente nesse sistema, ele pode ajudar bastante o ataque de Seattle a fechar os jogos e a permanecer mais em campo.

Nos últimos anos, o Seattle Seahawks se caracterizou por ser um time que tinha uma ótima defesa, um jogo corrido acima da média e um jogo aéreo conservador que até pela eficiência do jogo terrestre e da zone read (que alguns chamam erroneamente de read option) não era tão exigido. Na atual temporada são 3.5 jardas terrestres por carregada, o que faz da equipe uma das piores da NFL nesse quesito. Até pelo que o Seahawks não conseguiu fazer com as tentativas de corrida por boa parte da temporada é que o ataque teve que modificar seu estilo em pleno voo.

A equipe passou das 150 jardas por terra pela primeira vez na temporada na última partida contra o Eagles, porém não foi algo que passou lá tanta segurança porque 72 dessas jardas vieram em uma corrida para TD do C.J. Prosise que se lesionou e vai ficar de fora por um bom tempo. Thomas Rawls volta de lesão como RB1 e se entregar uma produção minimamente aceitável, o ataque do Seattle Seahawks pode virar um monstro quase imparável. Especialmente se Russell Wilson voltar a usar a Zone Read e correr com a bola agora que está 100% recuperado das lesões. Até agora ele tem corrido apenas para salvar jogadas.

Correr com a bola não é algo essencial para vencer se o time tem uma forte defesa e um bom ataque aéreo como é o caso em questão, mas é muito importante para matar os jogos nos seus momentos finais e para dominar nos playoffs, principalmente no frio.

Leve melhora da linha ofensiva, aparente suspiro do jogo terrestre recentemente, recebedores sendo eficazes e definidores, mudança providencial da filosofia ofensiva, nada disso representaria muita coisa se Russell Wilson não estivesse jogando bem, estendendo jogadas e operando alguns vários milagres como um verdadeiro mago surgido do universo “O Senhor dos Anéis”. E o mais importante, saudável e recuperado das lesões.

No vídeo, são seis defensores em blitz carregada que é protegida através de uma Cover-3 Zone lá atrás, com os CBs externos com a responsabilidade de cobrir o fundo do campo e o free safety devendo cuidar do passe em profundidade pelo meio. É diferente do que vimos na Cover-1 antes, pois nela havia o mano a mano por parte dos cornerbacks e só o safety com o dever de cuidar primariamente do passe longo. O detalhe é que o LB pelo meio é o responsável pela zona do campo em que o passe acontece e encontra Doug Baldwin, mas como ele tenta avançar para cima de Russell Wilson para abafar o passe, acaba deixando essa região completamente desprotegida e abrindo uma brecha para que o QB do Seahawks fizesse sua mágica escapando da pressão, sobrevivendo de maneira inacreditável e lançando a bola para conquistar 35 jardas.

Muito embora ele ainda não esteja produzindo por terra como o quarterback móvel que sempre foi, só o fato de ter recuperado sua capacidade de estender jogadas, fazer os pass rushers passarem direto na tentativa de derrubá-lo e lançar em movimento saindo do pocket já muda a cara de todo o ataque do Seahawks. E como foi falado anteriormente, a prova de que linha ofensiva ruim não é desculpa para o quarterback que é excelente é o que Russell Wilson está fazendo nos últimos 3 jogos e o que deve continuar fazendo nos próximos agora que se recuperou das lesões.

Veja por outro ângulo a mágica que Russell Wilson fez porque merece:

 

Um dos assuntos da rodada foi essa trick play acima. Vamos detalhar ela para entender como funcionou e conseguiu enganar a boa defesa do Philadelphia Eagles. Antes da jogada começar (infelizmente o vídeo começa depois disso), aconteceu um “motion”, onde o TE Jimmy Graham veio para a parte interna do campo no slot acompanhado pelo safety Malcolm Jenkins. Isso indicou para Russell Wilson cobertura homem a homem, essencial para que a jogada funcionasse e houvesse espaço livre para o QB correr sua rota, já que cada CB estaria preocupado com seu recebedor e não olharia para ele.

Após o snap, Wilson finge que entrega a bola para o RB Thomas Rawls e depois a coloca nas mãos do WR Doug Baldwin que vem em movimento como se fosse fazer um “end around”, jogada em que um atleta vem de um lado, pega a bola e corre com ela pro outro. Mas foi um “fake end around” que iludiu a defesa adversária mais ainda porque Jimmy Graham foi bloquear para aquele lado, dando todos os indícios de que Baldwin correria para aquela direção. O free safety lá ao fundo ficou preocupado com uma rota pelo meio. Dois pontos que valem ser ressaltados: Jimmy Graham continua um desastre bloqueando. Veja como Baldwin quase não consegue lançar a bola porque o ângulo de bloqueio dele foi péssimo e não fez nem cócegas no defensor. O outro ponto é que Doug Baldwin fez um passe que alguns QBs da NFL não fazem, hein? (risos).

Pete Carroll acredita que nada é mais importante dentre todas as estatísticas advindas de um jogo de futebol americano que jogadas explosivas e turnovers. Na última partida, foram oito jogadas explosivas e nenhum turnover sofrido. São 26 jogadas explosivas nos últimos 3 jogos, sem turnovers. É muito difícil perder com esses números a favor e é mais difícil ainda ver isso mudar tão cedo agora que o ataque encaixou e Russell Wilson está mais vertical que nunca, sem deixar de ser cuidadoso com a bola.

Aliás, esse promete ser o ataque mais explosivo do Seattle Seahawks na era Pete Carroll. Todavia, existem alguns pontos que precisam ser melhor trabalhados, pois além do jogo corrido que ainda é uma interrogação para o futuro, o desempenho na red zone tem deixado a desejar e é um fator decisivo em jogos apertados. Doug Baldwin inclusive admitiu o problema.

Em uma análise ampla olhando para o setor como um todo e imaginando o que ele pode fazer, o saldo é bem positivo para o Seahawks. Com Russell Wilson saudável, Thomas Rawls retornando e prometendo estar em melhor forma que no início de setembro pré-lesão, Jimmy Graham e Doug Baldwin colaborando, esse time é capaz de voar alto em janeiro e poderá inclusive incorporar novos elementos à sua atual filosofia ofensiva. Se Rawls se tornar efetivo, isso lhes dará um jogo corrido de qualidade, opções de zone read com Wilson e Rawls, play action para ganhar tempo nos passes longos, bem como a manutenção do que já fazem agora com a verticalidade independente do play action e os passes curtos e rápidos quando as corridas não entram. Esse Seahawks está ficando bem perigoso.

 

no huddle

  • Dak Prescott se junta a Dan Marino e Russell Wilson como os únicos quarterbacks calouros desde 1970 com 5 jogos seguidos com pelo menos 2 TDs.
  • O Lions é o único time da história a vencer 6 dos 10 primeiros jogos da temporada de virada após estar perdendo no último quarto.
  • Landon Collins é o primeiro jogador do Giants desde Phillippi Sparks (em 1995) a conseguir interceptar a bola em 4 jogos seguidos.
  • Tom Brady já venceu 27 prêmios de jogador da semana que a NFL oferece a cada conferência e empatou com Peyton Manning como os que mais foram nomeados.
  • A derrota do Kansas City Chiefs para o Tampa Bay Buccaneers quebrou uma sequência de 10 vitórias seguidas em casa do time de Cairo Santos. Hoje a maior sequência é do Texans com 6 vitórias ininterruptas em Houston.
  • No último jogo do Packers, pela primeira vez na carreira Aaron Rodgers sofreu com três three and outs nas 3 primeiras campanhas da equipe.
  • Doug Baldwin é o primeiro jogador desde 2008 (Mark Clayton – Ravens) a conseguir pelo menos 100 jardas recebidas e dar um passe para TD na mesma partida.
  • O LB Ryan Kerrigan é o quinto da história da NFL a ter pelo menos 7.5 sacks em cada uma das suas 6 primeiras temporadas da carreira.

A coluna 32 por 32 entra no ar toda quinta aqui no site. Anote na agenda e não deixe de conferir para curtir a NFL através dos seus detalhes táticos, observações e curiosidades!

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