Duas questões táticas para se observar em 2016

8 de setembro de 2016
Tags: igor seidl, patriots, tática, titans,

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Finalmente está para começar a temporada e entre a miríade de questões interessantes para se observar separei 2 questões táticas bacanas para se acompanhar nessas primeiras rodadas da liga. Muitas vezes as expectativas da pré-temporada não se realizam, outras vezes são superadas, mas seja como for, nunca faltam inovações e emoções. A NFL está sempre mudando e é ótimo podermos acompanhar isso jogo após jogo, ano após ano.

1. A volta do ataque com 2 TE do Patriots

Entre 2011 e 2012 o ataque do Patriots aterrorizou as defesas adversárias abusando da flexibilidade em jogadas e das vantagens em confrontos diretos proporcionadas por seus TE, na época Rob Gronkowski e Aaron Hernandez. Os TE tornaram-se os jogadores com o maior potencial para criação de confrontos ruins para a defesa pela combinação de força e velocidade que torna a marcação difícil tanto por linebackers, por no geral serem lentos demais para acompanharem os TE, quanto por cornerbacks ou safeties, que no geral não possuem a força ou altura para disputar a bola ou derrubar os TE mais privilegiados fisicamente.

Além do potencial para explorar confrontos diretos contra os marcadores no passe, TE completos podem ajudar significativamente nos bloqueios para o jogo corrido e aí mora grande parte do problema causado pelas formações com 2 TE. Tanto ambos podem bloquear, quanto ambos podem se movimentar para receber as bolas, quanto podem revezar entre um receber e o outro bloquear, e essa incerteza quanto ao número de jogadores apoiando o jogo corrido ou se deslocando para receber o passe complica a vida das defesas. A chave para isso é ter 2 TE que sejam bons tanto na recepção e na corrida de rotas quanto nos bloqueios e esse ano com a aquisição do Martellus Bennett, o Patriots têm exatamente isso.

A partir dessa mesma formação com 2 TE no mesmo lado pode-se abrir uma série de opções de rotas que mantenham as defesas adversárias advinhando.

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As combinações de opções para os 2 TE, números 81 e 87, que se encontram na parte inferior da imagem, estão ilustradas com o cores. Por exemplo: vermelho para a corrida pelo meio, amarelo para a corrida pela lateral direita, etc.

Abaixo uma situação a partir da formação acima, mas de uma outra partida e como visto a partir da defesa, por isso os 2 TE iniciam do lado esquerdo. Neste exemplo de corrida o bloqueio do Gronk (número 87 se deslocando da esquerda para a direita) é fundamental para o sucesso da jogada.

Aaron Hernanez (81) também tinha uma função de bloqueio importante nela, ajudando com um primeiro bloqueio na esquerda e tentando realizar outro no segundo nível em cima do safety (número 37) mas no caso ele não conseguiu o segundo bloqueio. Mesmo assim, a jogada foi bem sucedida, rendendo cerca de 7 jardas.

Já no segundo exemplo o Patriots inicia na formação shotgun e ambos os TE se encontram, a princípio, na parte superior do campo, mas Hernandez se desloca para baixo antes do snap.

Leia Mais: Formações ofensivas

 

2. A Exotic Smash Mouth do Titans

A proposta ofensiva mais curiosa e interessante desse ano é a do Tenesse Titans. Nadando contra a maré da pass happy league (nome dado de chacota para a NFL atualmente pela grande ênfase ao jogo aero) o Titans está apostando suas fichas em um time muito físico nas trincheiras, com corredores fortes e com a intenção deliberada de punir os times que migraram seu pessoal para um perfil de jogadores mais ágeis e leves.

A aposta aqui não é só tática, mas muito de formação de elenco, no sentido de acreditar que com tantos times com linebackers que mais parecem defensive backs no peso e tamanho e com linhas defensivas muito voltadas para o pass rush e sem tantos jogadores grandes para o bloqueio do jogo corrido, um time voltado para a força física da sua linha ofensiva e de seus corredores poderá se aproveitar dessas diferenças e impor seu jogo físico aos oponentes. Dessa maneira, espera-se facilitar o trabalho de Marcus Mariota forçando-se menos o jogo no passe e permitindo que ele use seu atleticismo em jogadas com deslocamento de pocket, play ations e options.

Leia mais: Dicionário da Liga

Remar contra maré muitas vezes é perda de tempo, mas pode provocar grandes mudanças na forma como a liga inteira se comporta e deflagrar verdadeiras revoluções em campo, como em menor escala o caso 1 citado nessa matéria, ou em maior escala o surgimento do The Greatest Show on Turf em 1999. Descobrir qual será o caso do Titans de 2016 será algo fascinante.

Abaixo um exemplo de corrida pelo meio dessa pré-temporada, contra a ótima defesa do Panthers.

A expectativa é que mais sucesso no jogo corrido abra espaço par mais jogadas de play action, como a mostrada abaixo.

Em lances como esse é bem mais fácil ser QB.

 

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Igor Seidl conheceu a NFL com o SB XXVII, mas só voltou a assistir seriamente a partir de 2008. Desde então, busca aprender mais sobre o esporte. É editor da Liga dos 32, produz uma matéria semanal e faz revisões. No twitter: @igorseidl